Victor Brecheret

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“Porque Victor Brecheret era para nós no mínimo um gênio”

Victor Brecheret foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou marcada pela boina que costumava vestir, ressaltando uma imagem tradicional do “artista”.

Victor Brecheret - Foto artista

Victor Brecheret – Foto artista

“Pouco depois, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade descobriram Victor Brecheret no seu exílio do Palácio das Industrias. E fazíamos verdadeiras ‘rêveries’ em frente da simbólica exasperada e das estilizações decorativas do ‘gênio’. Porque Victor Brecheret era para nós no mínimo um gênio. Era o mínimo com que podíamos nos contentar, tais os entusiasmos a que ele nos sacudia.” O depoimento do escritor Mario de Andrade nos dá uma dimensão da grandeza humana de Victor Brecheret, um dos maiores escultores do Brasil.

Victor Brecheret se destaca nos anos 20 e 30 como artista da Escola de Paris e nas décadas de 40 e 50 no cenário artístico de São Paulo, com monumentos públicos, funerários e decorativos de fachadas na cidade, como o “Monumento às Bandeiras”, hoje um dos símbolos da cidade.

Victor Brecheret - Biografia

Victor Brecheret nasce em Farnese – Província de Viterbo – Itália em 1984. Em 1912 inicia seus estudos de desenho, entalhe e

Victor Brecheret - Foto artista

Victor Brecheret – Foto artista

modelagem no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Em 1913 viaja para Europa para estudar escultura. Em Roma torna-se aluno do escultor Arturo Dazzi escultor que se destaca pelo gosto por figuras monumentais elaboradas com grande síntese formal.
Em Roma estuda atentamente as obras de Auguste Rodin (1840-1917) e Emile Antoine Bourdelle (1861-1929), entre outros, e conhece o escultor Ivan Mestrovic (1883-1962).
Em 1915 monta o seu ateliê, em Roma, na via Flamina, 22, que tinha sido ocupado por Ivan Mestrovic.
Com 22 anos obtém o primeiro lugar na Exposição Internacional de Belas-Artes, em Roma, com a obra “Despertar”.
Nesse período, alguns críticos observam a influência em seu trabalho dos escultores Bourdelle, Rodin e Mestrovic.

Participa da exposição Mostra Degli Stranieri alla Casina del Pincio no ano de 1919 e novamente seus trabalhos recebem elogios da crítica. Nesta exposição, a obra “Medalha Comemorativa da Independência do Brasil” é adquirida pelo Museu de Haya, na Holanda.
Quando retorna a São Paulo, é um escultor com amplo domínio técnico. Improvisa um ateliê em espaço cedido pelo engenheiro Ramos de Azevedo (1851-1928) no Palácio das Indústrias. Seus trabalhos são admirados por um grupo de intelectuais ligados ao movimento modernista: Oswald de Andrade (1890-1954), Menotti del Pichia (1892-1988) e Mário de Andrade (1893-1945).

As esculturas Ídolo e Eva (ambas de 1919) apresentam um tratamento naturalista da anatomia e uma contida dramaticidade, que se expressa por meio de torções do corpo e de volumes trabalhados em luz e sombras acentuadas. O escritor e crítico Mário de Andrade denomina esse período da obra de Victor Brecheret (em oposição à época posterior, em Paris) de fase de sombras, na qual estas sempre se valorizam mais do que a luz.

Victor Brecheret - Foto artista

Victor Brecheret – Foto artista

Em 1920 realiza a maquete para o Monumento às Bandeiras, no qual evoca a saga dos bandeirantes na conquista de novas terras. No ano seguinte, recebe bolsa de estudo do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo e viaja para Paris, onde permanece até 1935. Embora ausente, expõe algumas obras na Semana de Arte Moderna de 1922.

Victor Brecheret expõe novamente no Salon d’Automne e sua escultura “Sepultamento” é premiada, e atualmente no Cemitério da Consolação, em São Paulo – é uma das obras mais destacadas de seu período francês. Esta é organizada em formas lineares e possui uma suavidade melódica. O tema é tratado com muita simplificação formal, evocando um clima de grande serenidade.

Criando um ambiente para o convívio entre artistas e intelectuais e o desenvolvimento das novas idéias da arte em 1932 é sócio-fundador da Sociedade Pró-Arte moderna, SPAM,

Em 1934 o governo francês adquire a escultura “Grupo” para o Musée du Jeu de Pomme e Victor Brecheret recebe a Cruz da Legião de Honra da França, a título de Belas Artes, no Grau de Cavaleiro. Neste mesmo ano realiza exposição individual no Rio de Janeiro.

Em 1936, Victor Brecheret fixa-se em São Paulo, onde recebe encomendas de esculturas públicas e também de trabalhos com temas religiosos. Retoma o projeto do Monumento às Bandeiras, que é concluído apenas em 1953. A obra se destaca pelas figuras elaboradas com grande síntese formal, pela preocupação com os volumes, pela simplificação dos detalhes e linhas estilizadas. O monumento consegue resumir o apelo narrativo e alegórico do tema: em sua composição convergem uma forte marcação horizontal e um movimento de arrasto que culmina na figura da Glória, que enfeixa heroicamente todo o grupo escultórico. O tratamento da superfície é mais áspero, se comparado ao de obras anteriores, o escultor dá maior ênfase à matéria.

A partir da década de 1940, o artista se aproxima dos temas ligados à cultura indígena, em esculturas realizadas em bronze ou terracota: Drama Marajoara (1951) ou Drama

Amazônico (1955). Nessa fase em que alcança o ponto alto de sua carreira também trabalha com pedras de formas circulares, nas quais interfere realizando suaves incisões,

Victor Brecheret - Foto artista

Victor Brecheret – Foto artista

como nas obras Luta da Onça ou Índia e o Peixe (ambas de 1947/1948). Nestas evoca o caráter sagrado ou mágico das pedras e retoma assim, de maneira muito pessoal, formas e arquétipos indígenas, ainda que se note aí a presença da escultura de Henry Moore (1898-1986) e Hans Arp (1886-1966). Em trabalhos como Luta dos Índios Kalapalos (1951) produz formas nas quais dialoga com a abstração. Em Índio e Suassuapara (1951) o artista parte de dois volumes que se aglutinam e trabalha as superfícies vazias ou cheias, nas quais se inserem as incisões.

No ano de 1955 participa da III Bienal Internacional de São Paulo e da mostra Artistes Brésiliens, em Paris, organizada pelos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em 17 de Dezembro desse ano, Victor Brecheret morre em São Paulo. Fernando Sombra descreve a morte do artista: “… Victor Brecheret morreu feliz; de volta de um cinema abriu o portão de sua casa. Manobrou o seu velho Oldsmobile para entrar na garagem. O carro rodou alguns metros, parou. O coração de Victor Brecheret parou junto com ele, de enfarte…”.

 Curiosidades

Livro – A escultura de de Victor Brecheret

Victor Brecheret - Graça

Victor Brecheret – Graça

Autor: Fabio Magalhaes/Sandra Brecheret
Editora: Revan

Edição bilíngüe (português/inglês) que apresenta a obra de Victor Brecheret, escultor de formação clássica e ao mesmo tempo pioneiro. O livro é ilustrado com fotos coloridas e em preto e branco.

Livro – Brecheret a linguagem das formas
Autor: Dayse Peccinni
Editora: Imesp

Este livro visa representar o resultado de uma pesquisa sobre a vida e a obra de Victor Brecheret, no tempo e no espaço vivenciados pelo artista. Pretende-se debruçar sobre a História e a Crítica da Arte de modo sistemático sobre a sua obra, buscando oferecer uma perspectiva de conjunto de sua produção, em diálogo com as vozes do tempo.

Livro – Brecheret a escola de Paris
Autor: Dayse Peccinni
Editora: Fm Editorial

Esta obra busca resgatar um período considerado importante na vida do artista, sua chegada à capital da França para incrementar o talento que lhe fora destinado. Nos anos que passou na Europa, Victor Brecheret chamou a atenção de nomes como Pablo Picasso e Émile-Antoine Bourdelle, teve obras adquiridas pelo governo francês e instaladas no Museu Jeu de Paume.

Livro – Em cada canto de São Paulo um encanto de Brecheret
Autor: Sandra Brecheret Pellegrini
Editora: Noovha America

Victor Brecheret trabalhou em toda a sua vida com a arte de esculpir produzindo diferentes obras em diferentes tamanhos. Ao iniciar a idealização de uma escultura, esse artista estudava suas dimensões em tamanho consideradas pequeno para depois compor grandes obras que hoje adornam as praças de São Paulo, como veremos retratadas nesse livro. A maior de suas obras é sem dúvida o Monumento às Bandeiras, que levou cerca de 33 anos para ser concluído, além de outras obras de grande porte, como o Monumento a Caxias, que tem cerca de 48 metros de altura. Assim, vamos sentir que preservar essas obras é importante para todos, pois é só dessa maneira que poderemos tê-las e admirá-las no futuro.

Livro – Contando a Arte de Brecheret
Autor: Sandra Becheret Pellegrini
Editora: Noovha America

A Educação em arte só pode propor um caminho – o da convivência com as obras de arte. A Arte nos une, servindo de lugar de encontro, de comunhão intuitiva entre os homens; ela não nos coloca de acordo; ela nos irmana. O contato com a obra de Victor Brecheret é um exemplo claro desta afirmação. Este livro mostra o artista e sua obra de maneira didática. Nele é possivel observar a grandiosidade que o artista deixou gravada em pedra e construída em formas tradicionais e avançadas, num percurso que é sua própria vida. Victor Brecheret fez o caminho da arte moderna, inteiramente voltado para a construção de uma arte inovadora, com formas e ritmos de uma cultura tipicamente brasileira.

Victor Brecheret - Monumento as Bandeiras

Victor Brecheret – Monumento as Bandeiras

Depoimentos

“Fui parar em Paris – conta o artista – pouco depois da I Grande Guerra, época em que a revolução da arte atingia o ápice. O que lá encontrei era completamente diverso do que até então estivera aprendendo. Fiquei aturdido, confuso. Passei um ano sem trabalhar, embora freqüentasse ateliers e artistas. Depois, arrastado pelo meio ambiente entrei na minha fase modernista. Figuras em granito que só apresentavam volume (chamava-os de pneumáticos…). Ou concepções avançadas em que a geometria jogava com forma, figuras essas executadas em cobre polido. (…)

O que se faz hoje – continua o artista – no estrangeiro ou aqui em nossa terra já foi feito na Europa depois de 1920. Naquele tempo desejava-se acabar com certo convencionalismo na arte, pois que a arte era doce, feita para o gosto burguês. Tentou-se uma transformação que não pôde ser realizada por não ter atingido nada. Fora das bases clássicas seria inútil tentar criar alguma coisa nova. Aliás, na arte, tudo o que se poderia conseguir já foi feito. Na efervescência do movimento modernista eu costumava pensar: então por que continuam a apresentar o ponto máximo de atração aquelas estátuas célebres dos museus, que vêm atravessando os séculos sem que sua beleza ou valor diminuam? Nada até hoje conseguiu diminuí-las. Em 1928 houve também, na França, uma verdadeira invasão de artistas de todos os países, que traziam idéias novas, revolucionárias. Porém, desapareceram a seguir, como um fogo fátuo, nada mais. (…)

- Quando voltou às bases clássicas? – indago.

Victor Brecheret

Victor Brecheret

Na verdade – responde Victor Brecheret – eu nunca me afastei delas. Mas, levado pela influência da época, acompanhei o que todos faziam naquele momento. Entretanto, fui peneirando os meus trabalhos, avançando, ou melhor, retrocedendo até me fixar. A experiência adquirida no período modernista foi-me deveras proveitosa, pois adquiri um vasto conhecimento das linhas geométricas na escultura. (…)

Mas o mar é um mau fornecedor – acrescenta Victor Brecheret – e na falta de outras pedras, cuja beleza me inspirasse, venho trabalhando em terracota, sempre no mesmo assunto, com motivos nacionais, procurando assim uma nova forma, uma nova modalidade, uma outra escultura brasileira, legitimamente nossa”.
Victor Brecheret

Críticas

“O comentário único admissível ante tais obras é um silêncio devoto, um silêncio religioso que traduza a confissão tácita de que estamos em face de alguma coisa que transcende do nosso círculo de percepções habituais. Esse estado de alma reproduz-se sempre (em quem tem alma, está claro) pela ação da música, quando é Beethoven que nos penetra de sons o intimo da substância, pela ação da pintura, quando faz a mão do gênio, pela ação do verso, quando o cantam os sumos poetas, pela ação da escultura, quando emprestou vida à pedra um desses raros plasmadores da vida marmórea. Pois bem: se Eva de Victor Brecheret transfunde-nos tal estado de alma, não é preciso dizer mais. Isso sagra-o. Isso sagra-o. E isso cobre de vergonha a nossa petulante Cartago, a este São Paulo que repudia de seu seio um artista destes, exila-o, esfameia-o para em seguida meter no bolso dum grileiro de gênio centenas de contos em troca de um presepe de pedra e bronze, cheio de leões, panteras, bugres, cavalos de Tróia, girafas, jacarés, etc. Monumentos falsíssimo uma vez que esqueceu os camelos pagantes e como coroamento de tudo, na cúspide, o pé de cabra onipotente, onipresente, oniciente, onicavante”.
Monteiro Lobato

Victor Brecheret

Victor Brecheret

“Mas Victor Brecheret para mim tem mais que o simples fulgor volátil da juventude. No trato continuado em que o pude observar e admirar, arraigou-se-me profundo e forte no espírito a convicção de que o moço escultor é uma personalidade características, a profecia mais genial que o país teve até hoje na escultura, à qual unicamente falta contemplação mais ponderada das grandes obras de arte do nosso tempo e espírito mais afeiçoado ao raciocínio estético para produzir a obra-prima integral, que o Brasil ainda não tem para concorrer ao comércio artístico do mundo e que dele espera com fervor. (…)

Ele é, disto tenho absoluta certeza, um espírito que tende a se tornar independente, uma personalidade que se inclina a singularizar-se. É uma das suas qualidades mais notáveis. Pois bem: em vez de formar um tipo escultórico baseado nas correntes tradicionais assírias ou egípcias, em vez de estilizar no mármore ou no bronze as características físicas dum nórdico, segundo Carlos Milles, ou dum eslovaco segundo Mestrovic – tendências que o internacionalizariam em vez de o nacionalizar – estude os tipos dos nossos índios, tipos não desprovidos de beleza, estilise-os, unifique-os num tipo único, original e terá adquirido assim a maior das suas qualidades”.
Mario de Andrade

“(…) mas a quem analise sua evolução complexa não escapará a tendência dia a dia mais acentuada para a exclusiva preocupação dos volumes e planos e o desinteresse cada vez maior pelo assunto, o tema, a concessão figurativa. A fase atual das pedras realça rigorosamente esse amor à forma pela forma, muito embora Victor Brecheret o mascare com explicações algo confusas em seu catálogo. Na realidade o aproveitamento do acaso da natureza e o grafismo das gravações primitivas revelam tão-somente a timidez do artista à cata de uma justificação para o gesto futuro. Este será, creio, o da confecção da própria pedra, o da procura de novas eurritmias, de proporções ideais de planos e volumes que não lembrem mais o corpo humano, que nasçam simplesmente da imaginação e da sensibilidade do artista.
(…) toda a sua rota, desde o início, está traçada, e visível a um olhar perspicaz, nas estilizações, nas simplificações, nas deformações, nas sínteses. O escultor jamais se apegou à concepção analítica, e quando parou no pormenor foi sempre para fazer da parte um todo, para valorizá-la plasticamente como uma obra em si e não a fim de marcar uma tendência naturalista. E, quando teve como objetivo o próprio todo, o pormenor só lhe interessou como solução de equilíbrio ou de grafismo sensível”.
Sérgio Milliet

“Polariza, como Anita Malfatti, os ideais dos modernistas, antes da Semana de 22. A formação italiana, entre 1913 e 1916, com Arturo Dazzi, é marcada também pela

Victor Brecheret - Torso - 38 x 24 x 24 cm

Victor Brecheret – Torso – 38 x 24 x 24 cm

escultura secessionista do iugoslavo Ivan Mestrovic. De volta a São Paulo, entre 1919 e 1921, exerce ação renovadora, com suas esculturas estilizadas por alongamentos e dramática tensão da anatomia. Entre 1921 e 1936 sua produção escultórica se insere no contexto da Escola de Paris, passando por uma limpeza e simplificação, de inspiração brancusiana e pelo geometrismo edulcorado do art déco, atingindo uma síntese de volumes abstratizantes de grande luminosidade. Nos anos 30, após algumas experiências abstratas, insiste quanto à globalização de formas, de torneado rústico, simplificações arcaizantes e recortes de volumes em arestas. Em 1936, com a possibilidade de realizar o Monumento às Bandeiras, retorna definitivamente a São Paulo. Após episódica pesquisa da escultura arcaica grega, abandonando o geometrismo, sua escultura de massa expressa maior naturalismo, centrado na figura feminina, monumental, de ressonâncias maiollescas (…). Ao fim dos anos 40 volta-se para os temas nacionais, indígenas – sua linguagem plástica torna-se cada vez mais orgânica, afloramentos de intuições profundas, mapeando formas essenciais, primitivas, sensibilizando as massas com incisões”.
Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado

“(…) Até 1921, o escultor recorre ainda, vez por outra, ao estoque de formas rodinianas, sendo, por exemplo, desse ano a Máscara de Menotti Del Picchia, tão próxima do busto de Mahler, nervosamente modelado pelo gênio francês havia pouco mais de dez anos. Ora, com essas formas de suprema elegância e requintada simplicidade, Victor Brecheret formula com rigor um estilo. Esta primeira fixação de sua singularidade, por assim dizer, de sua ‘maneira’, é de capital importância. Não porque seja este um estilo ne variatur, ou, muito pelo contrário, a obra do escultor conhecerá ainda as mais radicais inflexões, das pedras ao marajoara, do momunental granito alla Bourdelle dos Bandeirantes às Graças I e II inspiradas em Maillol, etc. Mas porque qualquer que seja a ‘fase’ em que se encontre, Victor Brecheret não mais abdicará de uma identidade poética, que permite sempre, para além de tal ou qual experiência passageira, reconhecer uma mesma capacidade de síntese formal, um mesmo e inconfundível estilo.
O mérito maior de Victor Brecheret talvez tenha sido o de escolher sempre (à exceção de Arturo Martini, provavelmente) os maiores mestres da escultura moderna por interlocutores: Rodin, Medardo Rosso, Brancusi, Bourdelle e Maillol. Que ele não tenha sempre saído ileso desses confrontos, os únicos que podiam fascinar seu altíssimo perfil de escultor, em nada compromete a grandeza de seus desafios. Entre nós, foi o único capaz de sustentá-los, consciente de serem os únicos que a escultura exige”.
Luiz Marques

Victor Brecheret

Victor Brecheret

“Sem nenhum vínculo com a rarefeita tradição escultórica brasileira, Victor Brecheret deve ser analisado, como sugere Luiz Marques, no âmbito da escultura européia, com a qual trava um diálogo que marca sua trajetória de artista múltiplo. Atentando, aliás, para sua formação e sua longa permanência no estrangeiro impõe-se uma pergunta decisiva: até que ponto Victor Brecheret pode ser considerado um artista brasileiro? Não pertencerá ele, de fato, à história da escultura européia, uma vez que não há em sua obra vínculos mais estreitos com a arte elaborada no Brasil naquele mesmo período? A própria inspiração indígena que pontua sua produção final, na qual parece responder finalmente ao apelo que Mário de Andrade lhe dirigira em 1921 – ‘Estude os tipos dos nossos índios, tipos não desprovidos de beleza, estilize-os, unifique-os num tipo único, original e terá adquirido assim a maior das suas qualidades’ -, pode ser inscrita, se bem que tardiamente, naquele interesse pelo primitivo que mobiliza as vanguardas européias no começo do século.Talvez respondendo a essa indagação, desatando esse nó, seja possível avaliar Victor Brecheret com outros olhos e, quem sabe, recontextualizá-lo devidamente na arte brasileira, para além de uma evidência tão-somente geográfica, incapaz de dar conta dos complexos elementos que envolvem qualquer definição do trabalho artístico”.
Annateresa Fabris

“Apenas dois escultores participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, W.Haaberg e Victor Brecheret, este com doze obras. Dois anos antes, em junho de 1920, Victor Brecheret já apresentara seu projeto para o Monumento às Bandeiras, cuja construção somente seria iniciada em 1936 e concluída em 1953. Ou seja, quando apresentou seu projeto, a Semana ainda não acontecera, e o meio artístico paulista desconhecia o cubismo, o futurismo, o dadá e outras inovações modernistas. Quando ele foi inaugurado, a Bienal Internacional de São Paulo, um divisor de águas da arte brasileira, realizava a sua segunda edição. Revolucionário em 1920, muito conservador em 1953. O próprio Victor Brecheret, que experimentara antes diversos estilos – o hieratismo egípcio, o art déco e o cubismo -, já alcançara sua plena maturidade artística em obras realizadas em bronze, cobertas por inscrições rupestres (Índio e a Suassuapara, 1951), e na chamada ‘fase das pedras’, que durou até sua morte, em 1955, na qual ele se apropriou de seixos graníticos, tal como foram modelados pela natureza, mas interferindo em sua superfície com incisões”.
Frederico Morais

“(…) é em Victor Brecheret que a representação do sagrado se torna eloqüente como linguagem de uma produção extensa, que atravessa toda a longa trajetória de sua vida.

Victor Brecheret

Victor Brecheret

Nele, a arte sacra encontra um modo de percorrer todos os diversos caminhos da expressão escultórica, da monumentalidade de alguns túmulos de São Paulo até a delicada sutileza de suas terracotas, seja na representação da Virgem Maria ou da Fuga para o Egito, seja nas catorze estações da Via-Sacra que ornam a capela do Hospital das Clínicas de São Paulo, seja enfim nas várias representações da Última Ceia, às quais o artista sabiamente imprime uma linguagem absolutamente original”.
Emanoel Araújo

Exposições Individuais

1920

Santos SP – Exposição da maquete do Monumento aos Andradas

São Paulo SP – Exposição da primeira maquete do Monumento às Bandeiras, na Casa Byington. A execução do monumento começa em 1936 e sua inauguração é em 1953

1921

São Paulo SP – Individual, na Casa Byington

1926

São Paulo SP – Primeira individual, apresenta 33 esculturas da fase francesa. Doa Porteuse de Parfum à Pinacoteca do Estado

1930

São Paulo SP – Individual

1934

Rio de Janeiro RJ – Individual

1935

São Paulo SP – Individual

1948

São Paulo SP – Individual, na Galeria Domus

1953

São Paulo SP – Individual, na Galeria Tenreiro

Exposição Coletivas

1916

Roma (Itália) – Exposição Internacional de Belas Artes

Roma (Itália) – Participa da exposição do Amatori e Cultori – com a obra Despertar, recebe o 1º prêmio na Exposição Internacional de Belas Artes

1919

Roma (Itália) – Mostra degli Stranieri alla Casa del Pincio

Roma (Itália) – Mostra degli Stranieri alla Casina del Pincio

1921

Paris (França) – Salon d’Automne – premiado com a escultura Templo da Minha Raça

1922

São Paulo SP – Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo

1923

Paris (França) – Exposição de Artistas Brasileiros, na Maison de L´Amérique Latine

Paris (França) – Inauguração da Maison de L’Amérique Latina

Paris (França) – Salon d’Automne – premiado com a obra Mise au Tombeau (Sepultamento)

1924

Paris (França) – Exposition d’Art Américain-Latin, no Musée Galliéra

Paris (França) – Salon d’Automne – expõe Porteuse de Parfum (Portadora de Perfume)

1925

Paris (França) – 18º Salão de Outono, no Grand Palais

Paris (França) – Salon de la Société des Artistes Françaises – menção honrosa

Paris (França) – Salon des Artistes Français

Roma (Itália) – Exposição Internacional de Roma

1926

Paris (França) – 19º Salão de Outono, no Palais de Bois

Paris (França) – Peintres et Sculpteurs de L’École de Paris

Paris (França) – Salão de Outono

1928

Paris (França) – Salon des Indépendents

1929

Paris (França) – 40º Salon des Indépendants, na Société des Artistes Indépendants

Paris (França) – Salon des Indépendents

1930

São Paulo SP – Exposição de uma Casa Modernista

1931

Rio de Janeiro RJ – Exposição na Primeira Casa Modernista do Rio de Janeiro, na Rua Toneleros

Rio de Janeiro RJ – Salão Revolucionário, na Enba

1933

São Paulo SP – 1ª Exposição de Arte Moderna da SPAM, no Palacete Campinas

1934

Rio de Janeiro RJ – 4º Salão da Pró-Arte

1937

São Paulo SP – 1º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo

1938

São Paulo SP – 2º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo

1939

São Paulo SP – 3º Salão de Maio, na Galeria Itá

1941

São Paulo SP – Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias

1945

São Paulo SP – Galeria Domus: mostra inaugural

1950

Veneza (Itália) – 25ª Bienal de Veneza

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM/SP – prêmio escultura nacional com a obra O Índio e a Suassuapara

1952

Chile – Salón del Museo de Arte Contemporáneo de la Universidad de Chile

Paris (França) – Salon de Mai

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

Veneza (Itália) – 26ª Bienal de Veneza

1954

São Paulo SP – Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955

Paris (França) – Artistas Brasileiros

São Paulo SP – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

 Cronologia

1913/1919

Roma (Itália) – Vive nessa cidade

1915

Roma (Itália) – Instala seu primeiro ateliê na Rua Flaminia nº 22

1917

Paris (França) – Viaja para acompanhar os funerais do escultor Auguste Rodin

1919

São Paulo SP – Instala ateliê no Palácio das Indústrias, em sala cedida pelo engenheiro Ramos de Azevedo (1851 – 1928)

1919/1921

São Paulo SP – Vive nessa cidade

1920

Faz o projeto da Medalha Comemorativa do Centenário da Independência

1920/1922

Inspira personagem do romance Os Condenados, de Oswald de Andrade, e de O Homem e a Morte, de Menotti del Picchia. Mário de Andrade atribui o estado de espírito que fez surgir a Paulicéia Desvairada ao contato com sua obra

1921/1936

Paris (França) – Alterna com estadas em São Paulo

1927

Autor da capa do livro A Estrela do Absinto, de Oswald de Andrade, segundo volume da Trilogia do Exílio

1932

São Paulo SP – Sócio-fundador da Sociedade Pró-Arte Moderna – SPAM

1934

França – O governo francês adquire a escultura Grupo para o Musée Jeu de Paume e concede a Victor Brecheret a Cruz Legião de Honra, a título de belas artes, no Grau de Cavaleiro

1936

São Paulo SP – Vive nessa cidade

São Paulo SP – Inicia a execução do Monumento às Bandeiras, cujo anteprojeto data de 1920 e que é inaugurado em 1953 na Praça Armando Salles de Oliveira

1941

São Paulo SP – Vence o concurso internacional das maquetes do Monumento a Duque de Caxias

1946

São Paulo SP – Esculpe a Via Crucis para a capela do Hospital das Clínicas

1953

São Paulo SP – Executa os painéis da fachada e do interior do Jockey Club

1954

Osasco SP – Executa os afrescos Três Graças e São Francisco

Atibaia SP – Executa afrescos para a Capela Paranga.

 

Livros

Victor Brecheret -  A Escultura de Victor Brecheret

A ESCULTURA DE VICTOR BRECHERET
Formato: Livro
Autor: MAGALHAES, FABIO
Autor: BRECHERET, SANDRA
Editora: REVAN
Assunto: ARTES – ESCULTURA

 

Victor Brecheret - Brecheret a linguagem das formas

BRECHERET A LINGUAGEM DAS FORMAS
Formato: Livro
Organizador: PECCININI, DAISY
Baseado vida/obra: BRECHERET, VICTOR
Editora: IMESP
Assunto: ARTES – ESCULTURA

 

Victor Brecheret - Brecheret e a escola de Paris

BRECHERET E A ESCOLA DE PARIS
Formato: Livro
Autor: PECCININI, DAISY
Editora: FM EDITORIAL
Assunto: ARTES – ESCULTURA

 

Victor Brecheret - Em cada canto de São Paulo um encanto de Brecheret

EM CADA CANTO DE SAO PAULO UM ENCANTO DE BRECHERET
Formato: Livro
Autor: PELLEGRINI, SANDRA BRECHERET
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: ARTES – ACERVOS E CATÁLOGOS

 

Victor Brecheret - Noticias de Brecheret

NOTICIAS DE BRECHERET
Formato: Livro
Organizador: PELLEGRINI, SANDRA BRECHERET
Editora: MEMORIAL DE LIVROS
Assunto: ARTES

 

Victor Brecheret - Contando a arte de Brecheret

CONTANDO A ARTE DE BRECHERET
Formato: Livro
Coleção: BRINCANDO COM A ARTE
Autor: PELLEGRINI, SANDRA BRECHERET
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

 Videos

O Visão Masculina recebe dois nomes importantes que têm a arte como herança de família: Victor Brecheret, presidente do Instituto Victor Brecheret, e Fernando Brecheret, diretor deste mesmo Instituto, para discutirem o tema “Arte na veia”.

Acervo Familiar e a preservação das obras dos artistas plásticos
 

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Sobre o autor

Mercado Arte

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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