Vicente do Rego Monteiro

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“A vida é tudo o que tenho. A vida e somente a vida. É sobre ela que estou construindo a minha obra.”

Vicente do Rego Monteiro foi um pintor, desenhista, escultor, professor e poeta brasileiro, artista atuante na primeira metade do século, mistura influências pré-colombianas com modernas.

Seus quadros foram expostos em museus nacionais e internacionais. Foi professor do Ginásio Pernambucano e da Escola de Belas Artes do Recife e do Instituto Central de Artes de Brasília.

Vicente do Rego Monteiro - Foto artista

Vicente do Rego Monteiro – Foto artista

Dono de um estilo singular, seus trabalhos são marcados pela simetria das composições, rigorosamente executadas, como em “Mulher Sentada”. E mesmo em trabalhos assimétricos como “Goleiro”, pertencente a uma série surgida a partir do gol nº 1000 de Pelé, o equilíbrio da composição é uma preocupação constante na obra do artista, além dos tons terrosos. Ele dizia: “Prefiro as cores construtivas, cores terra. Sou terráqueo, essencialmente terrestre”.

Artista múltiplo, Vicente do Rego Monteiro foi na prática um dos precursores do Modernismo Brasileiro, dando atenção aos temas nacionais sem seguir prerrogativas e sim seu próprio instinto. Foi responsável pela divulgação dos ideais das Vanguardas no Brasil, no setido em que pode colocar muitos artistas que não tinham condições de ir a Europa em contato com as obras dos grandes artistas da época.

Vicente do Rego Monteiro - Biografia

Vicente do Rego Monteiro nasce em Recife no dia 19 de dezembro de 1899, transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro aos nove anos de idade em 1908. Nesse ano inicia os estudos artísticos, acompanhando a irmã Fedora do Rego Monteiro na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Em 1911, a família muda-se para Paris, onde o artista freqüenta os cursos livres da Académie Colarossi e estuda desenho, pintura e escultura nas Académies Julien e La Grande Chaumière.
Sua vida seria dividida entre a França e o Brasil, chegando a declarar certa vez: “Para mim só existem duas cidades: Recife e Paris”.

Vicente do Rego Monteiro - Foto artista

Vicente do Rego Monteiro – Foto artista

Em 1913, participou do Salon des Independents. Volta ao Rio de Janeiro em 1915, devido à Primeira Guerra Mundial. No início da carreira, dedica-se brevemente à escultura. Em 1920, realiza exposição de desenhos e aquarelas, apresentada em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Nessa mostra, já revela o interesse pelas lendas e costumes da Amazônia, que se tornam inspiração para grande parte de suas obras. Estuda atentamente as coleções de cerâmica marajoara do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Nesse período estabelece contato com artistas ligados ao movimento modernista: Anita Malfatti, Victor Brecheret e Di Cavalcanti. Viaja para a França em 1921 e deixa algumas pinturas com o crítico e poeta Ronald de Carvalho, que decide incluí-las na seleção de obras expostas na Semana de Arte Moderna de 1922.

No início da década de 1920, produz aquarelas nas quais representa lendas indígenas, recorrendo à figuração geométrica e também à ornamentação da cerâmica marajoara, como em Mani Oca e O Boto (ambas de 1921). Retorna nesse ano a Paris, onde convive com os artistas Victor Brecheret e Antonio Gomide, com os quais compartilha o interesse pelas estilizações formais do art deco. Na obra A Caçada (1923) o pintor utiliza o recurso de estilização das figuras, que apresentam certa tensão muscular e assumem o aspecto de engrenagens, tendo as obras de Fernand Léger como parâmetro.

Preocupado em adaptar temas tradicionais da arte sacra a uma linguagem moderna produz Pietá (1924), a qual se destaca pela aparência plástica de relevo e pelo uso de uma gama cromática reduzida, recorrente em sua obra: nuances de ocre, cinza e marrom. O quadro A Crucifixão (1924) apresenta dramáticos efeitos de claro-escuro e é estruturado por meio do rigoroso jogo de linhas horizontais e verticais. Na obra A Santa Ceia (1925) as figuras remetem à arte egípcia e o espaço é ordenado por seções geométricas. Nessa obra, os tons neutros, trabalhados em leves gradações, conferem ao quadro caráter bidimensional.

Como nota o historiador Walter Zanini, a década de 1920 foi o período mais produtivo do artista. Na década seguinte, afasta-se da pintura e dedica-se principalmente à ilustração.

Vicente do Rego Monteiro - Foto artista

Vicente do Rego Monteiro – Foto artista

Em 1923, faz desenhos de máscaras e figurinos para o balé Legendes Indiennes de L’Amazonie. Integra-se ao grupo de artistas da galeria e revista L´Effort Moderne, de Leonce Rosemberg. Traz ao Brasil a exposição A Escola de Paris, exibida no Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Decora a Capela do Brasil no Pavilhão Vaticano da Exposição Internacional de Paris, em 1937.

Em 1930, traz para o Recife uma exposição de artistas da Escola de Paris, que inclui, entre outros, quadros de Pablo Picasso , Georges Braque, Joan Miró, Gino Severini, Fernand Léger e suas próprias obras. Essa exposição é importante por ser a primeira mostra internacional de arte moderna realizada no Brasil, com artistas ligados às grandes inovações nas artes plásticas, como o cubismo e o surrealismo. Ao ser apresentada em São Paulo, a mostra foi acrescida de telas de Tarsila do Amaral, que o artista conhecera em Paris na década anterior.

A partir 1941, publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, organiza e promove vários salões e congressos de poesia no Brasil e na França.
Em 1946, funda a Editora La Presse à Bras, dedicada à publicação de poesias brasileiras e francesas.

Além de pintor, Vicente do Rego Monteiro foi também, entre outras atividades, cenógrafo, editor (imprimiu obras de poetas franceses num prelo manual entre 1947 e 1956) e poeta, recebendo importantes prêmios de literatura na França, como o Le Mandat des Poètes, em 1955 e, em 1960, o Guillaume Appollinaire, o qual dividiu com Marcel Bealu.

Dono de um estilo singular, seus trabalhos são marcados pela simetria das composições, rigorosamente executadas, como em “Mulher Sentada”. E mesmo em trabalhos assimétricos como “Goleiro”, pertencente a uma série surgida a partir do gol nº 1000 de Pelé, o equilíbrio da composição é uma preocupação constante na obra do artista, além dos tons terrosos: “Prefiro as cores construtivas, cores terra. Sou terráqueo, essencialmente terrestre”.

Vicente do Rego Monteiro - Foto artista

Vicente do Rego Monteiro – Foto artista

Retorna ao Brasil, e dá aulas de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, em 1957 e 1966. Em 1960, recebe o Prêmio Guillaume Apollinaire pelos sonetos reunidos no livro Broussais – La Charité. Entre 1966 e 1968, dá aulas no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília – UnB.

Voltou definitivamente ao Brasil em 1965, instalando-se em Recife, onde faleceria cinco anos depois, pouco antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde se preparava a exposição “Resumo”, na qual figuravam telas de sua autoria.

Curiosidades

Livro – Vicente do Rego Monteiro – Poeta, Tipografo, Pintor
Autor: Paulo Bruscky
Editora: Paulo Bruscky

Esta é uma obra que apresenta o talento e a plenitude da obra de Vicente do Rego Monteiro. Tem como objetivo trazer ao leitor o conhecimento da versatilidade deste artista que viveu para a poesia e para as artes plásticas. Encontram-se no livro poesias traduzidas e reproduções de suas obras. Dois CDs de complemento.

Livro – Vicente do Rego Monteiro – Artista e Poeta – 1899-1970
Autor: Walter Zanini
Editora: Empresa das Artes

Neste livro estão reunidos dados, ilustrações, obras e a rica trajetória de Vicente do Rego Monteiro - uma das maiores expressões do universo das artes plásticas no Brasil, que imortalizou momentos e situações que retratam uma época e sentimentos próprios que emanam da personalidade do artista.

 

Vicente do Rego Monteiro - Flagelação - 80 x 90 cm

Vicente do Rego Monteiro – Flagelação – 80 x 90 cm

Depoimentos

“Eu tive tendências diversas. Eu gostei do retrato. No retrato eu sempre procurei fazer a aparência física do espírito. Traduzia o espírito também do retrato. Eu fiz o retrato de Gilberto Freire. Estava em Paris em 1922. Fiz o retrato de Alberto Cavalcanti e da senhora mãe dele, uma senhora francesa, Mme… e o retrato das irmãs Martel. Esses quadros, alguns foram expostos no Salão dos Independentes em 22 e 23. Mais adiante eu fui me tornando mais cubista, deixando o retrato. Achei uma certa dificuldade de convencer, de encontrar o público que fizesse como Van Dongen, que para fazer o retrato ia com a freguesa a um grande costureiro, escolhia uma roupa de 20 mil francos. Naturalmente o retrato poderia ser pago na proporção de quatro cinco vezes o preço do vestido. A minha técnica era muito simples, não dava para ganhar. Eu preferia fazer pintura simples, simplesmente a composição. Daí me ter lançado para esta série de assuntos religiosos e trabalhadores como Os Calceteiros, e meu primeiro tema realmente antropófago é a Caçada ou a Caça, uma luta entre os índios robôs com um animal fabuloso de inspiração marajoara. Esse trabalho se encontra no Museu de Arte de Moderna de Paris.

(…)

- O Museu da Imagem e do Som gostaria, por indicação do nosso diretor, que você falasse, sobre o seu ponto de vista estético, de sua obra. Você me disse outro dia a respeito do seu quadro, sobre a construção do quadro, acho isso muito importante.

Eu planejo como um arquiteto. Eu uso cálculos sucessivos até achar a linha para a construção definitiva. Eu acho que o quadro, vou usar essa palavra, o quadro se fabrica, se constrói como uma casa. Esse negócio de falar de inspiração, de improvisação, só no tachismo e impressionismo, onde o artista vai com o corpo e a cara, com tudo, improvisa. Mas eu acho que o artista, depois do cubismo, constrói o seu trabalho. Para mim a linha é tão importante. A linha é exatamente o continente, e a cor, o conteúdo. A cor dá luz e sombra mas a linha é que define.

- O que diria da abolição do óleo nas artes plásticas, como em objetos, em montagens, etc., hoje tão em moda?

Vicente do Rego Monteiro - Fuga para o Egito - 90 x 80 cm

Vicente do Rego Monteiro – Fuga para o Egito – 90 x 80 cm

Essa pintura de construção são pesquisas, eu considero isso tudo muito útil, necessário. Mesmo para se fazer, como experiência e não ser praticada. Há os pára-quedistas, e tudo isso aí abrindo caminho, mostrando o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Eu acho que nada mais difícil do que um lápis, e nada mais puro que ser um lápis, nada mais medíocre do que desenho feito a lápis por pessoa que não sabe desenhar. Com lápis você faz tudo. É uma maravilha. Você pode realizar uma obra de arte ou uma negação.

- Algum valor estético permanente no campo da pintura?

É o seguinte: o que é bom é o que é autêntico. Às vezes, por uma questão mesmo de interesse, um nome na época pode ser afastado, esquecido, mas o que é autêntico volta. É como certos pintores, como Piero della Francesca, e outros pintores que passaram séculos absolutamente desconhecidos, ignorados, mas que voltaram à tona”.

Depoimento à Walmir Ayala e Ricardo Cravo Albim, para o Ciclo de Artes Plásticas do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 27.10.1969.

Críticas

“Ao invés de aplicar-se simplesmente à caligrafia acadêmica, Vicente do Rego Monteiro repudiou essa tradição latina (…) para reavivar a influência da tradição indígena a qual deveria ser a primeira a tocar e a estimular todo o artista brasileiro. A história demonstrou-nos cabalmente que toda a arte primitiva é suscetível de dar forma a magníficas florações. Assim, uma arte tão rica e potente como a indígena não poderia deixar de servir de estímulo ao desenvolvimento plástico que o tempo e o gênio dos artistas contribuem a trazer geralmente aos estágios iniciais de uma linguagem. Foi assim que Vicente do Rego Monteiro, rejeitando os ‘pastiches’ das frias compilações acadêmicas, tentou reformular seu mundo artístico retemperando sua sensibilidade nas fontes da arte indígena. (…) É certo, porém, que o efeito alcançado permanecia puramente decorativo e que a sensibilidade do pintor não se exteriorizava ainda de maneira propriamente plástica. Foi então que Vicente do Rego Monteiro tomou contato na França com uma arte puramente plástica que o leva a imaginar uma conciliação entre o ritmo indígena e os princípios do quadro de cavalete, fim supremo e razão essencial da pintura”.
Maurice Raynal

“Vicente ama a natureza de hoje como a de ontem. Julga importante ficar com aspectos que dão às suas obras a atualização, quase sempre traduzida na mecanicidade que imprime nas formas, auxiliadas pela geometrização legeriana. Entretanto, como coloca no outro prato da balança a perenidade, não se ocupa tanto da justificativa da época atual, não a exalta. A mitologia escolhida não é a da ´Vênus metalúrgica´, e os seus homens não sobem em andaimes nem têm como paisagem de fundo as chaminés. Prefere as Dianas, Vênus, Madonas; homens que podem ter habitado próximo às pirâmides, ou saído das mãos renascentistas, ou mesmo ter sido moldados por simples oleiros. Trabalha as oposições entre a época atual, caracterizada por linhas arrojadas e articuladas, e as aquisições do passado arcaico ou clássico, com a preservação de lembranças estilísticas como a frontalidade e a solenidade do ritual religioso. (…) A arte de Vicente é na sua aparência com freqüência austera, monocromada, despojada de referências cósmicas diretas (…). No seu significado, encaminha à argumentação de uma arte que trabalha oposições entre o arcaico / moderno; sagrado / profano (às vezes, mais especificamente pagão / cristão); primitivo / contemporâneo”.
Elza Maria Ajzemberg

Vicente do Rego Monteiro - A Mulher Sentada - 160 x 140 cm

Vicente do Rego Monteiro – A Mulher Sentada – 160 x 140 cm

“Lembro-me de que Vicente, em Paris, costumava entoar baixinho uma pornograficamente plebéia cantiga brasileira, por ele aprendida não sei onde nem de que espécie de boca:
Negra velha quando fica arreliada
Mete o dedo na quirica
Dá ao negro prá cheirar.
O que prendeu minha atenção a essa cantiga, tão entoada pelo pintor, ao pintar, em Paris, foi a valorização do cheiro: no caso, um cheiro de sexo de mulher. Ao que se juntar ter Vicente do Rego Monteiro me confessado, certa vez, que uma de suas maiores saudades do Brasil era a de cheiros. Cheiros de vegetais, cheiros de comidas, cheiros de cachaças, o cheiro de curral de engenho. E cheiros de mulheres mestiças. O que coincidia com uma das minhas maiores recordações do Brasil desde que o deixei para uma primeira ausência, que seria longa. Pelo que resolvi, em face de novas ausências, suprir essa falta, viajando no estrangeiro com um frasco de sabão Aristolino na mala. O que parece anedótico, no caso funcionou. Será que a pintura modernista de Vicente, ao envolver ‘saudosismo’ pelos sentidos – o olfato e o paladar, entre eles -, envolvia alguma coisa de telúrico que incluísse, principalmente nesses saudosismos telúricos, saudade de sexos brasileiros de mulher? Lembre-se, ao falecer no Recife, sua ligação com mulher de cor. Sensível como era, me animo a dizer que o sexo esteve quase sempre presente em sua pintura. Suas próprias ventas pareciam sempre voluptuosas ávidas de cheiros de mulheres de cor: eram as de quem desfrutasse com aquele puro prazer de respirar, assinalado por Havelock Ellis, gosto por cheiros ou aromas, vivos, tropicais, brasileiros, capazes de ser como que associados à famosa sugestão francesa, percepção de cores e – por que não? – de formas”.
Gilberto Freire

“Talvez a primeira referência, de intenções globais, que se deva fazer à obra de Monteiro, seja a de que ela se desenrolou em segmentos distintos, embora preservando traços constantes de uma figuração conceptualizada cujo teor é por igual estilizado, decorativo e monumental.

Assimiladora de diversificadas fontes culturais, essa pintura demonstrou-se capaz de aprofundar um próprio e inconfundível ideário plásticos, determinado por formas planas e circunscritas no espaço, pelo desenho táctil e rigoroso, de elegantes ritmos compassados, coadjuvado pela coloração moderada, luminosa, de poucas e menores variantes de meios-tons. Respondiam esses elementos a uma concepção de princípios de estética decorativa na sua função de promover uma compreensão universal do mundo. A síntese representacional decorrente, desenvolvida em composições harmônicas, que privilegiam efeitos de forma e cor no respeito à superfície bidimensional da tela, possui a vocação do espaço mural, no entanto um nível de realização a que o artista nunca teve acesso”.
Walter Zanini

Vicente do Rego Monteiro - Os Calceteiros - 145 x 165 cm

Vicente do Rego Monteiro – Os Calceteiros – 145 x 165 cm

“Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), Victor Brecheret (1894-1955) e Antonio Gomide (1895-1967) mostram em suas produções a sintonização não apenas com o movimento moderno, mas com um estilo específico. Alinham-se ao art déco pela estruturação dos elementos florais procedentes do art nouveau, em curvas que buscam uma elegante regularidade geométrica.

O pós-guerra pede a decantação das poéticas de combate precedentes, como o cubismo ou o dadaísmo. Vive-se o momento da ‘volta à ordem’ nas artes. A pintura funciona como um escudo à liberalização dos costumes, ao ritmo trepidante dos anos loucos. A agitação febril que pauta o comportamento da época uma cenografia.

Respondendo aos bailados modernos que buscam nutriente nas civilizações distantes do burburinho parisiense, Vicente do Rêgo Monteiro apresenta a estilização das civilizações indígenas brasileiras, especialmente a marajoara.

O Atirador de Arco, 1925, propõe uma coreografia das tensões originadas pelo instrumento de guerra como tema da tela. A força despendida na envergadura do arco ecoa pelo plano pictural numa sucessão de ondas. A proximidade entre forma e fundo cria um espaço raso, em baixo-relevo, inspirado por uma estética cubista, esvaziada do teor agressivo das primeiras colagens”.
Nelson Aguilar

“Eu vi teus bichos
Mansos e domésticos
Um motociclo,
Gato e cachorro.
Estudei contigo
Um planador
Volante máquina
Incerta é frágil.

Vicente do Rego Monteiro - Atirador de Arco - 108 x 137 cm

Vicente do Rego Monteiro – Atirador de Arco – 108 x 137 cm

Bebi do álcool que fabricaste
Servido às vezes numa leiteira
Mas sobretudo
Senti o susto
De tuas surpresas
E é por isso
Que quando a mim
Alguém pergunta
Tua profissão
Não digo nunca
Que és pintor
Ou professor
(Palavras pobres
Que nada contam
Dessas surpresas).
Respondo sempre:
- É inventor,
Trabalha ao ar livre
De régua em punho
Janela aberta
Sobre a manhã.”
Poema “Vicente do Rego Monteiro” de autoria de João Cabral de Melo Neto.

Vicente do Rego Monteiro (19/02/1899 – 05/06/1970) não é só o
genial artista plástico, tão conhecido e consagrado, mas o cenógrafo,
fabricante de aguardente, corredor de automóvel, fotógrafo,
jornalista, dançarino, candidato a vereador do Recife, professor e
cineasta. É também o brilhante poeta, tipógrafo, tradutor tão
desconhecido pelo grande público pernambucano e brasileiro,
apesar de consagrado na França (…). Importante editor e expositor
de poetas franceses.
Vicente do Rego Monteiro é, dos que fizeram a Semana de 22, o
mais original e o que mais soube perpetuar e atualizar a sua marca,
a sua visão do mundo. Talvez porque Vicente esteve mais avançado
no tempo que outros modernistas, talvez porque em sua obra houve
sempre a base permanente, uma disposição de certeza, uma
premonição, o algo raro do talento confirmado.
João Câmara

Exposições Individuais

1918

Recife PE – Individual, na Galeria Elegante

Recife PE – Individual, no Teatro Santa Isabel

1919

Recife PE – Individual, na Fotografia Piereck

1920

São Paulo SP – Individual, na Livraria Moderna

São Paulo SP – Individual, na Associação dos Empregados do Comércio

1921

Rio de Janeiro RJ – Individual, no Teatro Trianon

1925

Paris (França) – Individual, na Galerie Emeric Fabre

1928

Paris (França) – Individual, na Galerie Bernheim Jeune

1937

Paris (França) – Individual, na Galerie David Garnier

Paris (França) – Individual, na Galerie Katia Granoff

1939

Recife PE – Individual, no Museu do Estado de Pernambuco

1942

Recife PE – Individual, no Museu do Estado de Pernambuco

1947

Paris (França) – Individual, na Galerie Visconti

1956

Paris (França) – Individual, na Galerie de L´Odeon

1957

Recife PE – Vicente do Rego Monteiro: pinturas e monotipias, no Teatro Santa Isabel

Rio de Janeiro RJ – Individual, no Clube dos Seguradores e Banqueiros do Rio de Janeiro

1958

Paris (França) – Individual, na Galerie Royale

1960

Paris (França) – Individual, na Galerie Yves Michel

1961

Recife PE – Individual, na Galeria Rozenblit

1962

Recife PE – Individual, na Galeria Rozenblit

Paris (França) – Individual, na Galerie Ron Volmar

1963

Paris (França) – Individual, na Galerie La Baume

1964

Paris (França) – Vicente do Rego Monteiro: pinturas e desenhos, na Galerie R.G.

1966

São Paulo SP – Retrospectiva, no Masp

1967

Paris (França) – Individual, na Galeria Katia Granoff

Paris (França) – Individual, na Galerie Debret

1968

Recife PE – Individual, na Enba

1969

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Barcinski

1969

Recife PE – Individual, na Ranulpho Galeria de Arte

Exposições Coletivas

1913

Paris (França) – Salon des Indépendants

1914

Paris (França) – Salon des Indépendants

1922

São Paulo SP – Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal

1923

Paris (França) – Salon de Tuileries

Paris (França) – Salon des Indépendants

Paris (França) – Exposição de Artistas Brasileiros, na Maison de L´Amérique Latine

1924

Paris (França) – Salon de Tuileries

1925

Paris (França) – 18º Salão de Outono

Paris (França) – Salon de Tuileries

Paris (França) – Salon des Indépendants

1926

Paris (França) – Salon des Indépendants

1927

Paris (França) – Salon des Indépendants

1928

Paris (França) – Salon des Indépendants

1929

Amsterdã (Holanda) – Expositions Sélectes d’Art Contemporain, no Stedelijk Museum Amsterdam

Haia (Holanda) – Expositions Sélectes d’Art Contemporain, no Pulchri Studio

Paris (França) – 40º Salon des Indépendants, na Société des Artistes Indépendants

1930

Paris (França) – Premiére Exposition do Grupe Latino-Americain de Paris, na Galerie Zack

Paris (França) – Salon d’Avant Garde-1940

Recife PE – Exposition de l’École de Paris, no Teatro Santa Isabel

Rio de Janeiro RJ – Exposition de l’École de Paris, no Palace Hotel

São Paulo SP – Exposition de l’École de Paris, no Palacete da Glória

1931

Paris (França) – Salon des Surindépendants

1937

Paris (França) – Exposição Internacional de Paris

1942

Recife PE – 1º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco – 1º prêmio do salão de pintura

1943

Recife PE – 2º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco – 1º prêmio do salão de pintura

1944

Recife PE – 3º Salão Anual de Pintura, no Museu do Estado de Pernambuco

1949

Recife PE – 3º Salão de Arte Moderna do Recife

1952

São Paulo SP – Exposição Comemorativa da Semana de Arte Moderna de 22, no MAM / SP

1954

Recife SP – Fédora, Joaquim e Vicente do Rego Monteiro, no Teatro Santa Isabel

1958

Paris (França) – Coletiva, na Galeria Royale

1960

Recife PE – 1ª Exposição da Galeria de Arte do Recife

Recife PE – Coletiva de Verão, na Ranulpho Galeria de Arte

Recife PE – Pintores Pernambucanos Contemporâneos, na Universidade do Recife

1961

Recife PE – 1ª Feira de Arte do Recife

1962

Recife PE – Artistas Pernambucanos, no Clube Internacional do Recife

1963

Salvador BA – Artistas do Nordeste, no MAM / BA

1964

Olinda PE – Exposição do Atelier da Ribeira, no Atelier da Ribeira

1965

Paris (França) – Hommage au Poète Géo-Charles, na Galerie de l’Institut

1966

Austin (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The University of Texas at Austin. Archer M. Huntington Art Gallery

New Haven (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The Yale University Art Gallery

San Diego (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no La Jolla Museum of Art

New Orleans (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no Isaac Delgado Museum of Art

San Francisco (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no San Francisco art Museum

Paris (França) – Coletiva, na Galerie Katia Granoff

São Paulo SP – Exposição Comparação, na Galeria Mirante Artes

1967

Nova York (Estados Unidos) – Precursors of Modernism in Latin America, no Center of Inter-American Relations

Paris (França) – Coletiva, na Galeria Katia Granoff

1969

Recife PE – Artistas Pernambucanos, na Detalhe Galeria

Cronologia

1899/1908

Permanece em sua cidade natal, Recife.

1908/1911

Fixa residência no Rio de Janeiro

1911/1914

Fixa residência em Paris

1912

Realiza viagem para Londres e Bélgica

1913

Realiza viagem para Alemanha, Itália e Suiça

1913

Na França, realiza contatos com Amedeo Modigliani (1884 – 1920), Fernand Léger (1881 – 1955), Georges Braque (1882 – 1963), Joán Miró (1893 – 1983), Albert Gleizes (1881 – 1953), Jean Metzinger (1883 – 1956) e Louis Marcoussis (1883 – 1941)

1914/1921

Volta a residir no Rio de Janeiro

1915

Trabalha como escultor, realizando bustos em gesso, entre eles o de Rui Barbosa. Interessa-se por música e dança populares

1918

Realiza desenhos de danças e um friso em baixo relevo que exibe no Teatro Santa Isabel, em Recife

1920

Em São Paulo, estabelece contato com Di Cavalcanti (1897 – 1976), Anita Malfatti (1889 – 1964), Pedro Alexandrino (1856 – 1942) e Victor Brecheret (1894 – 1955)

1921

Desenha figurinos para peça teatral de José de Alencar

1921

Viaja por Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e realiza desenhos e aquarelas

1921/1932

Vive em Paris mas volta periodicamente a Pernambuco

1922

Viaja para Munique e Berlim em companhia de Gilberto Freyre

1923

Desenha os costumes, máscaras e figurinos para o balé Légendes Indiennes de l’Amazone, apresentado pelo bailarino Malkovsky no Teatro Femina

Ilustra e produz o livro Légendes, Croyances et Talismans des Indiens de l´Amazone, de Louis Duchartre, o qual é publicado pela Éditions Tolmer

1924

Ilustra, com Bourdelle e Domin, o livro Découvertes sur la Danse, de F. Divoire, editora G. Grès

1925

Ilustra os livros Quelques Visages de Paris, impresso por Juan Dura, e Montmartre en 1925, guia de Jean Gravigny, Éditions Montaigne

Integra-se ao grupo de artistas da galeria e revista L’Effort Moderne, de Leonce Rosemberg

1928

Conhece o escritor e poeta Géo-Charles e tornam-se amigos

Realiza costumes para o espetáculo do bailarino Malkovsky, apresentado no Théâtre des Champs Elysées

1929

Piloto de provas automobilísticas

Conhece o escultor argentino Pablo Curatella-Manés

1930

É co-diretor da Revista Montparnasse, ao lado de Géo-Charles

É co-fundador do Salon des Surindépendants e do Salon d’Avand Garde-1940

Traz ao Brasil a exposição A Escola de Paris, organizada com a colaboração de Géo-Charles. Entre os artistas da mostra encontra-se Picasso, Léger, Braque, Macoussis e Lhote

Não aceita o convite de Oswald de Andrade para fazer parte do movimento antropofágico pois considera-se predessessor do movimento

1932

Produz o filme Une Simple Histoire de Lá-Bas

1933/1936

Muda-se para Recife

1933

Adquire um engenho em Vázea Grande, onde fabrica a cachaça Gravatá, citada na peça Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto

1935

Colabora no Suplemento Literário da Folha da Manhã

1935/1937

Co-diretor da revista monarquista e nacionalista Fronteiras, a convite de Manoel Lubambo, para a qual escreve artigos e realiza ilustrações e fotografias

1937

Permanece por alguns meses em Paris, de onde envia artigos para o Diário de Pernambuco

Decora a Capela do Brasil no Pavilhão Vaticano da Exposição Internacional de Paris

1938/1946

Volta a residir em Recife

1938/1946

É diretor da Imprensa Oficial do Estado, e professor de desenho no ginásio Pernambucano

1939

Funda com Edgar Fernandes a revista Renovação, para qual faz ilustrações, desenhos, gravuras e fotografias e é seu diagramador. Convida os poetas João Cabral de Melo Neto, Lêdo Ivo, Willy Lewin, entre outros para participarem da publicação

1941

Realiza o 1º Congresso de Poesia do Recife e publica seus primeiros versos, Poemas de Bolso, ed. Renovação

1943

Publica o livro de poesia A Chacun sa marotte, editora Renovação

1945

Recebe dedicatória em versos de João Cabral de Melo Neto na obra O Engenheiro

1946

Organiza, com Edson Régis, Ariano Suassuna e Carlos Moreira, o 2º Congresso de Poesia do Recife

Publica Canevas, pela editora Renovação

Lança o livro de D’Ailleurs de Michel Simon

1946/1957

Paris (França) – Fixa residência em Paris

1946

Funda a Editora La Presse à Bras, dedicada à publicação de poesia

Edita o Message Amical de Poesia e Poémes de Psiche, ambos de sua autoria

1947

Liga-se ao movimento “Epifanista”, dirigido por Henri Perruchot

1948

Publica Le Petit Cirque e Le Dieu Blanc. Organiza com Edmond Humeau, Gaston Dhiel e Silvaire o ” Mur de la Poésie” do Salon de Mai

1950

Publica os livros de poesias Chants de Fer e Beau Sexe e organiza o 3º Mur de la Poésie

1952

Escreve críticas de literatura para a revista Cahiers Luxembourgeois

Cria o Salão de Poesia e realiza o 1º Congresso Internacional de Poesia, além de publicar Cartomancie e Concrétion

Promove, com poetas reunidos pela La Presse à Bras e com a colaboração de E. Humeau e Jean Gacon, o 1º Congresso Internacional de Poesia, no restaurante La Coupole

1955

Organiza o 4º Salon de Poésie, na Galeria de l’Odéon

Após um enfarte recebe homenagem especial da Rádio Difusão Francesa e o prêmio de poesia Le Mandat de Poetes, destinado a intelectuais em dificuldades financeiras

1956

Organiza o 5º Salon de Poésie, na Galeria de l’Odéon

1957

Professor de pintura da Escola de Belas Artes da UFPE

1957/1966

Vive em Recife, mas passa temporadas em Paris

1958

Organiza o 6º Salon de Poésie, na Librairie Palmes

1959

Organiza o 7º Salon de Poésie, na Librairie Palmes

1960

Recebe o Prêmio Guillaume Apollinaire por seus sonetos reunidos no livro Broussais-La Charité

Organiza o 8º Salon de Poésie, no Théatre du Tertre

1961

Organiza o 9º Salon de Poésie, no Théatre du Tertre

Publica Chiromancie pela coleção Concórdia

1962

Organiza o 10º Salon de Poésie, no Théatre du Tertre

1963

Organiza o 11º Salon de Poésie, na Galeria R.G. de Paris

Não é aceito na Bienal Internacional de São Paulo

1964

Organiza o 12º Salon de Poésie, na Galeria R.G. de Paris

1965

Funda, em Olinda, o Atelier +10 ao lado de Maria Carmen (1935), Montez Magno (1934), João Câmara (1944), Wellington Virgolino (1929 – 1988), Anchises (1933) e José Cláudio (1932)

Organiza o 13º Salon de Poésie, no Théâtre de Plaisance

1966

Professor de pintura da Escola de Belas Artes da UFPE

1966/1968

Fixa residência em Brasília

1966/1968

É professor no Instituto Central de Artes da UnB

1966

Organiza o 14º Salon de Poésie

1967

Organiza o 15º Salon de Poésie, na Galerie Debret

1968

Organiza o 16º Salon de Poésie, nos Salons de la Société Ricard

1968/1970

Volta a residir em Recife, onde mantém atelier em Boa Viagem

1968

Responsável pela cadeira de pintura da Escola de Belas Artes da UFPE, defende a inclusão da fotografia, do cinema e da televisão no ensino da arte

Livros

Vicente do Rego Monteiro

VICENTE DO REGO MONTEIRO
ARTISTA E POETA – 1899-1970
Formato: Livro
Autor: ZANINI, WALTER
Editora: EMPRESA DAS ARTES

 

Vicente do Rego Monteiro

VICENTE DO REGO MONTEIRO
POETA, TIPOGRAFO, PINTOR
Formato: Livro
Autor: BRUSCKY, PAULO
Editora: PAULO BRUSCKY
Assunto: ARTES

 

Do Amazonas a Paris

DO AMAZONAS A PARIS – LENDAS, CRENÇAS E TALISMAS
DOS INDIOS DO AMAZONAS
Formato: Livro
Ilustrador: MONTEIRO, VICENTE DO REGO
Organizador: SCHWARTZ, JORGE
Adaptador: DUCHARTRE, P.L.
Editora: EDUSP
Assunto: ARTES

 

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