Tarsila do Amaral

0

Tarsila do Amaral. Sua história, principais obras, fatos marcantes, curiosidades, frases, exposições e eventos de arte, livros, vídeos e um espaço em nosso fórum para discutir sobre esta grande artista.

Sumário

1. Mercado Arte
2. Biografia
3. Curiosidades e texto crítico
3.1 Depoimentos
3.2 Críticas
3.3 Curiosidades
3.4 Entrevistas
4. Participação em exposições
5. Livros relacionados
6. Vídeos relacionados
7. Principais obras
8. Frases e citações
9. Últimas notícias
10. Referências

1. Mercado Arte

Para nós do Mercado Arte, Tarsila do Amaral é incontestavelmente a grande artista de nosso Modernismo (1923-33), motivada pelas influências crescentes da ideologia europeia e da cultura brasileira, criou paisagens distintamente tropicais que refletem o Brasil.

E você? O que pensa sobre ela? após ler este artigo, deixe seu comentário em nosso fórum (http://www.mercadoarte.com.br/comunidade/topico/tarsila-do-amaral/).

2. Biografia

Tarsila do Amaral nasceu no dia 01 de Setembro de 1886 e pertenceu a uma família tradicional paulista, uma dos sete filhos do fazendeiro abastado José Estanislau do Amaral e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, nasceu e cresceu em uma fazenda em Capivari (pequena cidade perto de São Paulo). Quando criança já gostava de pintar e desenhar empregando cores caipiras (amarelo, azul e rosa) presentes em seu dia a dia.

Por volta de 1900 sua família viajou para a Europa, onde foi exposta a arte ocidental em museus.

Enquanto a família esteve em Barcelona (Espanha), Tarsila estudou no Colégio “del Sagrado Corazón” e em 1904 pintou seu primeiro quadro “Sagrado Coração de Jesus”.

A sede da Fazenda Sertão, de onde o avô parterno de Tarsila, conhecido como "o milhonário", comandou seus inúmeros negócios.

A sede da Fazenda Sertão, de onde o avô parterno de Tarsila, conhecido como “o milhonário”, comandou seus inúmeros negócios.

Depois que a família retornou ao Brasil em 1906, Tarsila do Amaral continuou seus estudos em arte, primeiro explorando escultura (1916) com o Sueco William Zadig e depois com o Italiano Oreste Mantovani. Em 1917 mudou seu foco para pintura, que viria a ser seu meio favorito.

A Samaritana, óleo de 1911 e Soldado Romano, gesso de 1916, cópias realizadas por Tarsila em seu período inicial de estudos artísticos.

A Samaritana, óleo de 1911 e Soldado Romano, gesso de 1916, cópias realizadas por Tarsila em seu período inicial de estudos artísticos.

Em uma das primeiras apresentações do modernismo brasileiro em uma exposição de 1917, ela foi profundamente afetada pela obra da artista brasileira Anita Malfatti.

Em 1918, Pedro Alexandrino ensinava a ela técnicas de desenho, em seguida Tarsila fez aulas de pintura com Georg Elpons (1865-1939) que lhe ensinara técnicas distintas das lecionadas nas academias de arte.

Tarsila do Amaral logo depois voltou para a Europa para continuar estudando arte e explorar o Cubismo, estilo predominante na Europa.

Retornando a São Paulo em 1922, Tarsila foi exposto a muitas coisas depois de conhecer Anita Malfatti, Oswald de Andrade , Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Antes de sua chegada em São Paulo, o grupo organizou a Semana de Arte Moderna (“Semana de Arte Moderna”) durante a semana de 11-18 fevereiro de 1922. O evento foi fundamental para o desenvolvimento do modernismo no Brasil. Os participantes estavam interessados ​​em mudar a criação artística conservadora no Brasil, incentivando um modo distinto de arte moderna. Tarsila foi convidado a se juntar ao movimento e juntos, eles se tornaram o Grupo dos Cinco, que procurou promover a cultura brasileira, o uso de estilos que não eram especificamente europeia. Neste período, Tarsila do Amaral pintou com cores mais arrojadas e marcantes o retrato de Oswald de Andrade e Mário de Andrade.

Retrato de Tarsila do Amaral, Década de 10.

Retrato de Tarsila do Amaral, Década de 10.

Em meados de 1923 estabeleceu-se em Paris, onde foi exposta ao cubismo, lutando para fazer um estilo próprio e frequentando o ateliê do pintor cubista Femand Léger.

Esta exposição de seu trabalho e processo artístico é dito ser a influência mais importante na sua exploração do Cubismo.

Tarsila do Amaral sentiu que o Cubismo foi um movimento destrutivo, mas que era necessário, a fim de desenvolver um forte sentido do modernismo, ela queria mais para suas telas do que a forte e pura geometria do Cubismo.

Neste período ela pintou uma de suas obras mais famosas “A Negra” (1923) que retrata uma mulher que enche a tela; ela tem bordas suaves, membros redondos e grandes pés e mãos, e um peito grande paira sobre seu braço.

O plano de fundo é dividido por faixas grandes, colocando a mulher em um espaço de livre flutuação genérica. Este trabalho inicial prenuncia seu estilo maduro, que mantém as formas arredondadas com bordas suaves durante o desenvolvimento de paisagens altamente descritivas que refletem as do Brasil.

Durante este tempo, Tarsila do Amaral sentiu como se tivesse encontrado um lugar para seus quadros, um sentimento que ela expressa em uma carta escrita para seus pais em 1923. Na carta, ela explicou como sua experiência em Paris inspirou a pensar em suas raízes e para proclamar sua herança brasileira, juntamente com o desejo de ser conhecido como uma pintora brasileira.

Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida, antes de se converterem ao Modernismo.

Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida, antes de se converterem ao Modernismo.

Tarsila do Amaral voltou para casa, acompanhado dos poetas vanguardistas Oswald de Andrade e o poeta Blaise Cendrars, pouco depois que a carta foi escrita.

Ao retornar ao Brasil no final de 1923, Tarsila do Amaral e Andrade, viajaram por todo o Brasil para explorar a variedade da cultura indígena e para encontrar inspiração para sua arte nacionalista.

Durante este período, Tarsila fez desenhos dos vários lugares que visitou, que se tornaram a base para muitos dos seus futuros quadros. Ela também ilustrou a poesia que Andrade escreveu durante suas viagens, incluindo seu livro de poemas intitulado “Pau Brasil”, publicado em 1924.

No manifesto de mesmo nome, Andrade enfatizou que a cultura brasileira foi um produto de importação da cultura europeia e chamou os artistas para criar trabalhos que eram exclusivamente brasileiros, a fim da “exportação” da cultura brasileira, assim como a madeira da árvore Pau Brasil havia sido um importante produto de exportação para o resto do mundo.

Além disso, ele desafiou os artistas a usarem uma abordagem modernista em sua arte, uma meta que tinha se esforçado durante a Semana de Arte Moderna.

Dulce, única filha de Tarsila do Amaral

Dulce, única filha de Tarsila do Amaral

Durante este tempo, as cores de Tarsila tornaram-se mais vibrantes, ela escreveu sobre sua descoberta: “Encontrei em Minas as cores que eu tinha adorado quando criança. Mais tarde fui ensinada que elas eram feias e sem sofisticação”.

Sua pintura inicial deste período foi ECFB (Estrada de Ferro Central do Brasil) em 1924. Além disso, na época, ela tinha um interesse na industrialização e seu impacto na sociedade.

Sua visita às pequenas cidades históricas do estado de Minas Gerais revelou as conexões culturais que Tarsila do Amaral estava procurando, casas rústicas e igrejas do século XVIII apanharam seu interesse.

Deste ponto em diante, Tarsila do Amaral agarrou-se a suas raízes culturais em suas pinturas, retratando paisagens tropicais brasileiras e imaginários. Tarsila do Amaral desenvolveu um novo estilo, que falava de sua condição cultural: uma indivídua que crescendo em um país, foi forçado a aceitar as tradições e comportamentos culturais do outro. Ela definiu Antropofagia, ou canibalismo (cultural), como sendo o consumo de ideologia europeia imposta a cultura brasileira através da colonização pelos Portugueses no século XIX, mantendo a significativa de destruir aquilo que não é.

Muitos outros artistas brasileiros de vanguarda adotaram esta teoria, fazendo da Antropofagia um movimento significativo expressa não só nas artes, mas nas ciências sociais e políticas e também com o poeta Brasileiro Oswald de Andrade quando escreveu o “Manifesto Antropófago” (Cannibal Manifest, 1928).

Tarsila (à esquerda) com seus irmãos Oswaldo e Cecilia, em retrato realizado por Henschel e Cia., São Paulo, em 1892.

Tarsila (à esquerda) com seus irmãos Oswaldo e Cecilia, em retrato realizado por Henschel e Cia., São Paulo, em 1892.

Em 1926, Tarsila casou-se com Andrade e eles continuaram a viajar por toda a Europa. Neste período também teve sua primeira exposição individual na Galeria Percier. onde as pinturas apresentadas na exposição foram as obras: São Paulo (1924), A Negra (1923), Lagoa Santa (1925), e Morro de Favela (1924). Seus trabalhos foram elogiados e chamado de “exótico”, “original”, “ingênuo” e “cerebral”. Estilisticamente, este movimento representou um retorno às raízes brasileiras de Tarsila do Amaral, que é evidente em sua representação da paisagem tropical na maior parte de suas obras.

Enquanto em Paris, ela foi exposta ao surrealismo e depois de voltar ao Brasil, Tarsila iniciou um novo período de pintura onde ela partiu de paisagens urbanas e rurais e começou a incorporar o estilo surrealista em sua arte nacionalista.

Essa mudança também coincidiu com um grande movimento artístico em São Paulo e também em outras partes do Brasil, que se concentrou em celebrar o Brasil como o país da cobra grande (referência a Amazônia).

Com base nas ideias do movimento anterior Pau-Brasil, os artistas se esforçaram a fim de desenvolver modos e técnicas que eram exclusivamente deles e brasileira.

Sua pintura Abaporu (1928) foi a obra que exemplificou esta filosofia. Abaporu, uma palavra na língua indígena tupi-guarani, que significa literalmente “homem que come“, fazendo referência direta ao “canibalismo”, o homem brasileiro está comendo a cultura colonizadora.

Retrato de Tarsila do Amaral, realizado em 1920.

Retrato de Tarsila do Amaral, realizado em 1920.

A maré dá a ligação ao Antropofagia, no entanto, o tamanho do homem literalmente engole ou consome a lona. Como na obra “A Negra”, a figura central fica sem roupa; uma perna e o braço gigantesco, que termina em um pé ainda maior enquanto a mão descansa na grama verde. Uma minúscula cabeça e o sol perfeitamente redondo, laranja e amarelo.

A figura afronta um cacto na cor verde suave, que também atinge o sol. A pele bronzeada da figura, grama verde, céu azul, sol quente e enorme cacto, todos se referem a pátria da Tarsila do Amaral.

Em 1929, Tarsila fez sua primeira exposição individual no Brasil no Hotel Palace (Rio de Janeiro) e foi seguido por outra no Salão Gloria em São Paulo.

Em 1930, ela foi apresentada em exposições em Nova York e Paris. Infelizmente, 1930 também viu o fim do casamento de Tarsila e Andrade. Isso trouxe um fim à sua colaboração.

Em 1931, Tarsila viajou para a União Soviética. Enquanto estava lá ela teve exposições de seus trabalhos em Moscou no Museu de Arte Ocidental, ela viajou para várias outras cidades e museus. A pobreza e o sofrimento do povo russo teve um grande efeito sobre ela.

Após seu retorno ao Brasil em 1932, Tarsila do Amaral se envolveu na Revolução Constitucionalista contra a ditadura atual do Brasil, liderada por Getúlio Vargas. Junto com outros que eram vistos como de esquerda, ela foi presa por um mês por causa de suas viagens que a fizeram parecer com uma simpatizante comunista.

Retrato de Tarsila, 1921, Londres

Retrato de Tarsila, 1921, Londres

O restante de sua carreira, ela se concentrou em temas sociais. Representante desse período é a pintura Segunda Classe (1931), onde demonstra o empobrecimento composto de homens russos, mulheres e crianças.

Ela também começou a escrever uma coluna de artes e cultura semanais para o Diário de São Paulo, que continuou até 1952.

Em 1938, Tarsila finalmente se estabeleceu definitivamente em São Paulo, onde passou o resto de sua carreira pintando povos e paisagens brasileiras.

Em 1950, ela teve uma exposição no Museu de Arte Moderna em São Paulo, onde um revisor chamou de “o mais brasileiro dos pintores aqui, que representa o sol, os pássaros, e os espíritos jovens de nosso país em desenvolvimento, tão simples como os elementos de nossa terra e da natureza …. A vida de Tarsila do Amaral é uma marca do caráter acolhedor brasileiro e expressão da exuberância tropical. ”

As pinturas de Tarsila do Amaral continuaram a merecer a atenção de museus, como o Museu de Arte Moderna de Nova York e do Museu de Arte Ocidental Moderna em Moscou. Mal ela sabia o impacto de suas palavras fatídicas: “Eu quero ser a pintora do meu país”.

Em uma exposição na Galeria Americas, em Nova York, “Mulheres Artistas na América Latina“, as pinturas de Tarsila do Amaral foram elogiados como “obras de maior destaque” na exposição.

As obras de Tarsila do Amaral continuam sendo importante na história e desenvolvimento do Modernismo brasileiro.

Tarsila do Amaral faleceu em 1973 no mês de Janeiro.

3. Curiosidades e texto crítico

3.1 Depoimentos

“Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado…Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que adatava a época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto de outro”.
Tarsila do Amaral

“O abstracionismo, cujos princípios se dirigem ou devem dirigir-se cem por cento à inteligência, não me comove hoje. Já fui partidária dele em 1923, quando estudei com Albert Gleizes o ‘cubismo integral’, cuja essência corresponde perfeitamente ao abstracionismo. Todo calculado, pesos e contrapesos, equilíbrio, dinamismo convencional, linhas e cores variando ao infinito, mas sempre linhas e cores. Depois de um certo tempo a gente começa então a desejar evadir-se dessa eternidade artística, que só se dirige ao intelecto e a reagir com a volta ao sentimental, ao humano, já que no complexo humano os sentidos também têm seus direitos”.
Tarsila do Amaral

3.2 Críticas

“O Rio de Janeiro vai descobrir Tarsila e vai ter com essa descoberta a exata sensação de um maravilhoso encantamento. Tarsila é o maior pintor brasileiro. Nenhum, antes dela, atingiu aquela força plástica – admirável como invenção e como realização – que ela só possui, entre nós” (…) “Nem também nenhum penetrou tão bem quanto ele a selvageria de nossa terra, o homem bárbaro que é cada um de nós, os brasileiros de verdade que estamos comendo, com a ferocidade possível, a velha cultura de importação, a velha arte imprestável, todos os preconceitos, em suma, com que o Ocidente, através das manhas da catequese, nos envenenou a sensibilidade e o pensamento”.
Oswald de Andrade

“As fases pau-brasil e antropofágica de Tarsila são, sem sombra de dúvida, os pontos culminantes de sua carreira como pintora e as responsáveis pela sua inscrição na história da arte no Brasil. Elas sintetizam, plasticamente, o seu relacionamento genuíno com a terra, e sua picturalidade, como bem afirmou Haroldo de Campos, atualizada pelo contato com o cubismo, permitiu-lhe ‘extrair essa lição não de coisas, mas de relações, que lhe permitiu fazer uma leitura estrutural da visualidade brasileira. Reduzindo tudo a poucos e simples elementos básicos, estabelecendo novas e imprevistas relações de vizinhança na sintagmática do quadro, Tarsila codificava em chave cubista a nossa paisagem ambiental e humana, ao mesmo tempo que redescobria o Brasil nessa releitura que fazia, em modo seletivo e crítico (sem por isso deixar de ser amoroso e lírico), das estruturas essenciais de uma visualidade que a rodeava desde a infância fazendeira’ (…)”.
Aracy Amaral

“Através de sua atitude e obra, em particular nos anos 20 e 30, processa-se a redescoberta do Brasil, depois de séculos de alheamento e de subserviente absorção de modelos metropolitanos. Com ela, mundo e Brasil dialogam de igual para igual, e criadoramente. À geometria de angulosidade cubista acrescenta ritmos sinuosos e envolventes de uma tradição barroca mais nossa, tropicalizada; mescla também a recuperação de temas, iconografia e cores das manifestações genuinamente populares com o refinamento autoconquistado da técnica de tratá-los no âmbito de uma pintura que nunca pretendeu o ingenuísmo formal, ainda que vez ou outra indique atração pelo lirismo infantilmente fantástico de Henri Rousseau ou pelo humor quase caricatura, característico da irreverência modernista inicial. Na pintura deixada por Tarsila, o universal se particulariza, o popular se refunde no erudito, a maturidade revisita a infância. Transformando-se em nosso o que a princípio não nos pertencia, mas que pelo contágio e ingestão consciente passou a incorporar-se à nossa individualidade em termos de nação, tudo se explica de novo, como se fosse pela primeira vez”.
Roberto Pontual

“A relação de Tarsila com a obra de Léger demonstra bem a inteligência com a qual analisa a arte francesa. O que ela irá absorver de determinante no sistema de Léger é a utilização do modelo da máquina. Mas a metáfora segundo a qual Léger irá desenvolver seu trabalho tem por objeto a sociedade industrial. Tarsila fará da ‘brasilidade’ o seu traço distintivo dessa formulação, adotando a ‘linguagem de máquina’ (assim como Oswald de Andrade se utiliza da linguagem telegráfica) como um desejo de atualização, no sentido de situar a percepção do Brasil a partir da ótica aberta pela industrialização. A máquina no seu trabalho não será apenas uma referência ao presente, será igualmente a tentativa de apreender o universo simbólico brasileiro, por um olhar compatível com seus aspectos mais contemporâneos. Em termos formais, as distinções que esta sua postura produzirá afastarão Tarsila de uma atitude servil diante do modelo de Léger. Neste último, as cores, quase sempre primárias ou com tonalidades metálicas, procuram o máximo de contrastes, como se apresentam na vida urbana. Seu desenho segue o mesmo sentido da sua pintura, sendo a cor substituída por claros e escuros que mantêm o contraste e sugerem volumes, como se fossem uma preparação para a tela. Já o desenho de Tarsila opera mais como uma anotação que busca, através da linha, revelar a estrutura definidora do objeto. Assim, o traço se desenvolve numa linha que flui e vai num ritmo suave construindo o objeto, ao mesmo tempo em que ocupa e organiza a superfície do papel”.
Carlos Zílio

“Feitas as contas, a maior qualidade da pintura de Tarsila é também a razão de sua assustadora fragilidade – aí está uma superfície discrepante (Torre Eiffel + carnaval em Madureira, como vemos em uma de suas telas…), mantida no fio da navalha, cheia de brechas, articulando um sem-número de polaridades. A bem da verdade, mesmo nos trabalhos mais admiráveis da artista, é possível assistir aos torneios formais em que ela se engalfinha para manejar com naturalidade o vocabulário moderno: freqüentemente as telas divergem entre a descrição quase naturalista dos tipos étnicos, das peculiaridades da paisagem regional, e a geometrização mais decidida das formas, respondendo à exigência moderna de uma franqueza construtiva.

Reconheçamos que em virtude dessa atitude dúplice (que quer abraçar ao mesmo tempo o mundo e o vilarejo natal) muitos detalhes de sua pintura tocam o pitoresco: Tarsila acaba astuciosamente trapaceando a lógica cubista, que aconselharia a redução da figura humana aos tipos anônimos da civilização urbana, e se entretém prazerosamente nos detalhes. Ela oscila, por exemplo, em meio a uma dezena de maneiras de pintar pés e mãos, e isto, como se vê, é quase um capricho sentimental para quem aspira à (alguma) generalização da forma, à percepção estrutural do espaço pictórico.

(…) falar em incompletude e incongruência em face da obra de Tarsila talvez seja também especular em torno de um modo específico de produtividade poética na arte brasileira que, como a pintura da artista revelou, seria movida pela disposição construtiva aprendida da arte moderna tanto quanto pelo seu inverso, a vocação para a tábula rasa, para embaralhar tudo, relativizar o peso excessivo e já normativo de determinada influência, recombinar e buscar novas sínteses culturais”.
Sônia Salzstein

3.3 Curiosidades

- Tarsila do Amaral gostava muito de animais. Na fazenda que morava quando criança, tinha cerca de quarenta gatos, dentre elas uma na cor branca que se chamava “Falena”.

- Em 1906, Tarsila do Amaral casou-se com André Teixeira Pinto (médico) mas seu casamento chegou logo ao fim. Para André, ela deveria cuidar do lar e se opunha ao desenvolvimento artístico da Tarsila que não aceitou e pediu o divórcio. Com ele, Tarsila teve sua única filha Dulce e logo após seu nascimento Tarsila se separou e voltou a morar na fazenda com seus pais.

- Após o falecimento de sua filha Dulce em 1966 por Diabetes, Tarsila ficou muito amiga de Chico Xavier, além de trocarem muitas cartas ele a visitava sempre que ela estava em São Paulo, Chico trouxe muita paz espiritual a ela.

 3.4 Entrevistas

Entrevista concedida a revista VEJA em 23/02/1972:

VEJA – A senhora estava na Europa, durante a Semana. Mesmo assim, é considerada uma de suas figuras principais. Por que?

TARSILA – Embora eu estivesse na Europa, eu acho que participei da Semana de 22 pela carta que a Anita Malfatti me mandou, contando tudo, com todas as minúcias. Agora nem sei onde essa carta foi parar. Eu fiquei admirada do que ela me contou e com a grosseria do Monteiro Lobato quando falou sobre ela, sem compreender nada, muito reacionario, pois imagine que ele se julgava pintor, o Monteiro Lobato, sabe? Eu fiquei muito admirada: o que será esta coisa? A Anita ficou magoada com toda a ra zão, o Monteiro Lobato falava dos quadros dela como se fossem feitos por um burro com um pincel amarrado no rabo e conforme as moscas atormentavam o burro ele dava aquelas pinceladas assim na tela, não é?

VEJA – Mas a Semana…

TARSILA – Nas vésperas de ir para a Europa eu aluguei meu atelier para um professor alemão, o professor Elpons, o único impressionista que estava no Brasil. Ele foi o único que me deu uma experiência dos quadros impressionistas porque aqui no Brasil não chegava nada, só através do professor Pedro Alexandrino, que esteve vinte anos em Paris e visitava muito, aqueles grandes pintores, que ele conhecia todos. Muita gente dizia: é perder tempo ir trabalhar no atelier de Pedro Alexandrino porque um passadista; mas ele tinha preparo, pensando bem não era perder tempo não.

VEJA – Como a senhora descobriu o seu talento?

TARSILA – Eu comecei a trabalhar (em São Paulo) sob a direção de Pedro Alexandrino e não me fez nada de mal de ver que era uma coisa antiga, acadêmica, tinha aquele método antigo de copiar à fusain para exercitar a mão, fiz até a cabeça de um negro, ele queria que eu tivesse a mão muito firme e me dava então aquele papel muito grande para trabalhar, não é? ele ia me explicando tudo, fazer traços sem régua, sem nada. Comecei com o desenho, eu não era uma colorista no princípio, fazia cópias de gesso também, com sombreadodo, coisas de anatomia que tinha que copiar, conhecer bem. Ele trabalhava no Liceu de Artes e Ofícos e trazia aqueles modelos e era muito bom porque a pessoa aprendia anatomia e sabia as proporções, não é?

VEJA – São Paulo era muito provinciana nas artes?

TARSILA – Ah, era, o gosto geral era pelas paisagens iguaizinhas à vida, era o reino da natureza morta também, as fulgurações do metal copiadas na tela, tão real! Isso não foi prejudicial para mim, foi uma fase preparatória. Quando cheguei na Europa fui logo para a Académie Julien, academia de nus, num grande salão, eu fui com meus trabalhos: uma cabeça de velho feita a pastel, depois uma holandesa com óleo já e o negro, que foi a carvão. Havia muitos ateliers e a moda era dos nus, punham o modelo só cinco minutos diante do artista para ele fazer rapidamente, eu gostava até porque já tinha prática. Depois fui estudar com um grande professor hors-concours, fazia exposições, gostava muito da minha pintura, agora me esqueci do nome dele. Ele chamava a atenção dos alunos para o que eu fazia, sabe? Eram muitos e como eu trabalhava rápido ele gostava e dizia para o atelier grande: Voyez ce qu´elle fait, comme c´est puissant (Olhem só o que ela faz, como tem força!) Eu voltei ao Brasil pouco depois da Semana, mas eu não gostava do que a Anita Malfatti fazia, era tudo assim muito deformado. Mas é claro que estava completamente chocada e contra o Monteiro Lobato. Depois, no fim do ano, a Anita foi trabalhar também com o Pedro Alexandrino, porque a mãe da Anita era muito passadista e vivia contra a filha e contra as inovações dela na pintura, dizia que aquilo não prestava. A Anita ficava muito desanimada da mãe se zangar por ela não fazer o parecido, a mãe não compreendia nada, era um horror!

VEJA – A senhora achou um ambiente hostil quando voltou?

TARSILA – Eu cheguei nos primeiros dias de junho, vinha de navio, que não tinha a facilidade do avião, o Gago Coutinho é que ia atravessar o Atlântico logo depois. Mas era tão tranqüila a travessia por mar!… Eram os navios da Mala Real inglesa, os melhores, e logo passou algum tempo a França fez também o Lutèce e o Marsília. Não, não achei um ambiente hostil quando voltei. Eu recebia muitas pessoas, poetas, no meu atelier da rua Vitória. Era uma casa que pertencia à minha família mesmo.

VEJA – A senhora era uma mulher muito bonita…

TARSILA – Quem? Eu? Bom, naturalmente, naquele tempo eu estava melhor do que estou hoje. Aí tive o encontro com o Oswald de Andrade, que era muito extravagante, falava mal de todo mundo, quando ele achava que uma coisa era engraçada, tinha que dizer mesmo que ofendesse os amigos, sacrifica tudo por um bon mot. Uma vez Paulo Prado brigou com ele e nunca mais quis falar com ele, sabe? Eu nem sabia por que, no entanto o Paulo Prado tinha feito um prefácio muito bom para o livro do Oswald, Pau-Brasil, editado lá em Paris. Quando o Oswald tinha uma coisa para dizer, ele não resistia mesmo e aí falou sobre a dona Veridiana Prado e dizem que ela não era, bem ariana, que ela tinha uma misturazinha lá e o Oswald falou daquela gloriosa mulata que a dona Veridiana Prado. Ora, o Paulo Prado era parente muito próximo, de maneira que nunca mais falou com o Oswald.

VEJA – Ele brigou também com Mário de Andrade?

TARSILA – Brigou também. Depois ficou com saudade dele, pediu que eu escrevesse uma carta para o Mário, Oswald era muito temperamental, eu estava casada com ele e escrevi mas Mário respondeu que era impossível, que o Oswald o tinha ofendido demais, que ele estava muito ressentido, que não era possível, que comigo era diferente, ele sempre foi muito meu amigo, o Mário. Aí, quando o Oswald viu que ele não voltava mesmo às boas, continuou a falar mal do Mário. Era uma pena esse traço do caráter do Oswald… E com uma obra tão séria, não? as ilustrações dos livros fui eu que fiz todas.

VEJA – O famoso Aba-Puru partiu daí?

TARSILA – Não, eu quis fazer um quadro que assustasse o Oswald, sabe? que fosse uma coisa mesmo fora do comum. Aí é que vamos chegar no Aba-Puru. Eu mesma não sabia por que que eu queria fazer aquilo… depois é que eu descobri. O Aba-Puru era aquela figura monstruosa que o senhor conhece, não é? a cabecinha, o bracinho fino apoiado no cotovelo, aquelas pernas compridas, enormes, e junto tinha um cacto que dava a impressão de um sol como se fosse também uma flor e ao mesmo tempo um sol e então quando viu o quadro o Oswald ficou assustadíssimo e perguntou: Mas o que é isso? Que coisa extraordinária! Aí imediatamente telefonou para o Raul Bopp, que estava aqui, e disse: Venha imediatamente aqui que é pra vocêver uma coisa! Aí o Bopp foi lá no meu atelier, ali na rua Barão de Piracicaba, um solar muito bonito que meu pai tinha comprado recentemente, o Bopp assustou-se também e o Oswald disse: Isso é como uma coisa como se fosse um selvagem, uma coisa do mato, e o Bopp foi da mesma opinião. Aí eu quis dar um nome selvagem também ao quadro, porque eu tinha um dicionário de Montoia, um padre jesuíta que dava tudo. Para dizer homem, por exemplo, na língua dos índios era Abá. Eu queria dizer homem antropófago, folheei o dicionário todo e não encontrei, só nas últimas páginas tinha uma porção de nomes e vi Puru e quando eu li dizia homem que come carne humana, então achei, ah, como vai ficar bem, Aba-Puru. E ficou com esse nome.

VEJA – Então, a senhora foi a origem do movimento antropófago?

TARSILA – O Raul Bopp achou que devíamos fazer um movimento em torno desse quadro, achou esquisitíssimo, ele gostou muito e depois escreveu um livro interessantísimo sobre o linguajar indígena do Amazonas. Todos começaram a dizer que o Oswald é que tinha feito o Aba-Puru e criado o movimento antropofágico. Ele aceitou que dissessem que era de autoria dele, achou interessante.

VEJA – Daí ele passou a datar documentos a partir do ano em que os índios tinham comido na Bahia aquele bispo, o bispo Sardinha?

TARSILA – É, e fizeram o movimento da antropofagia e aí todas as quartas-feiras o Chateaubriand (com pronúncia francesa) ofereceu uma página no jornal para o movimento. Então vinha o Geraldo Ferraz, que era conhecido como o açougueiro, falar de arte, não é? Era, sim, açougueiro porque antropofagia era comer carne, então ele é que contava e distribuía entre os leitores. Mas aí, como havia muita irreverência com as famílias que assinavam o Diário de São Paulo o Chateaubriand viu-se obrigado a pedir que não continuassem porque estava perdendo todos os leitores.

VEJA – O Aba-Puru com aquela figura deformada, monstruosa, parece coisa de pesadelo.

TARSILA – Engraçado o senhor falar nisto, eu gosto de inventar formas assim de coisas que eu nunca vi na vida, mas não sabia por que que eu tinha feito o Aba-Puru daquela forma. Eu me perguntava: Mas como é que eu fiz isto? Depois uma amiga que era casada com o prefeito me dizia: Sempre que eu vejo Aba-Puru; me lembro de uns pesadelos que eu tenho, e eu então liguei uma coisa a outra, disse que devia ser uma lembrança psíquica ou qualquer coisa assim e me lembrei de quando nós éramos crianças na fazenda. Naquele tempo tinha muita facilidade de empregadas, aquelas pretas que trabalhavam para nós na fazenda, depois do jantar elas reuniam a criançada para contar histórias de assombração, iam contando da assombração que estava no forro da casa, eu tinha muito medo, a gente ficava ouvindo, elas diziam: daqui a pouco da abertura vai cair um braço, vai cair uma perna e nunca esperávamos cair a cabeça, abríamos a porta correndo e nem queríamos saber de ver cair a assombração inteira. Quem sabe o Aba-Puru é um reflexo disso?

VEJA – Assim como o movimento antropofágico tinha relações com as culturas primitivas, dos índios, da África, etc., o Fernand Léger, com a sua temática de máquinas, fábricas, sociedade moderna, teve influência na sua pintura também?

TARSILA – Eu gostava muito da obra dele, fui muito amiga dele, mas não freqüentei o atelier do Léger, eu era amiga da mulher dele também, depois até inventaram que ele tinha desenhado brincos para mim, etc., imagine! Eu me inspirei em São Paulo mesmo, na sociedade fabril e foi uma novidade naquele tempo, no Brasil, o que eu fiz. E fui tão bem aceita, que o governo do Estado comprou a minha obra, sabe, um quadro grande, está em Campos do Jordão, imitando em cima uma fábrica. Na época de minha exposição no Rio tive um amigo pernambucano que me mandou todos os recortes da crítica quando foi exposto lá o Aba-Puru inclusive. Havia invenções incríveis, diziam que meu atelier era como o atelier do Renoir, cheio de nus e não sei o que mais e que eu mandava espalhar pelo atelier inteiro divãs cobertos de veludos roxos, cada uma! E me confundiam com a Anita Malfatti. Naquela época, o senhor imagina, uma jornalista do Rio chegou a escrever que o Oswald de Andrade nem chegara a se casar comigo! Falava de mim feito de um monumento de São Paulo, vale a pena conhecer TARSILA em São Paulo, virei atração turística, veja só! Quando meu casamento com o Oswald foi até um casamento de luxo, o Washington Luís esteve presente! Falavam de mim, de meus muitos amores!, até de lançadora de modas eu fui chamada. E claro, porque cada vez que eu voltava da Europa eu trazia as novidades, não é mesmo? Eu estava uma vez com um vestido lindíssimo, uma seda meio xadrez, com mangas bufantes e dois laços de fita bem largos, azuis (dona Anette mostra uma edição da Ilustração Brasileira e diz que foi em 1924) sabe? Foi o vestido que eu escolhi para o vernissage de obras minhas num conjunto de muitas salas, na rua Barão de Itapetininga, eu estava ali esperando os visitantes. Aí eu vi assim uma porção mesmo de rapazes que vinham na minha direção, como eu estava na porta eu perguntei: Os senhores querem entrar? Parecia que era o que eles queriam mesmo, e eu os recebi com muita cordialidade, convidei, mal eu sabia o que eles queriam fazer: todos vieram com giletes no bolso para arrasar com tudo o que eu tinha feito! Mas acho que me estranharam de ver num vestido assim tão bonito e não conseguiram o que pretendiam, não.

VEJA – A senhora na sua infância morou em São Paulo ou no interior?

TARSILA – Quando eu era pequena eu morava numa fazenda, meu pai adorava tudo que era fazenda, comprava muitas terras, era um homem muito rico porque o pai dele também era conhecido na genealogia paulista como José Estanislau do Amaral, o Milionário. Ele começou a vida sem nada, fazendo óleo de mamona, tinha um ou dois escravos que o ajudavam a fazer isso e depois foi vendendo, foi melhorando, comprou fazendas, uma porção, vendia café em Santos também, onde ganhava muito com isso. Eu fui criada no campo, acho que é por isso que sou tão forte ainda com a minha idade. Na luta do braço (mostra o braço), até homem é difícil de me vencer, sabe?

VEJA – E na sua pintura também está essa força da terra, do campo?

TARSILA – Exatamente. Sabe? Eu era pequena na fazenda e via minha mãe com muitos santinhos de igreja, já gostava de pintura, tanto que eu fazia as primeiras cópias mal feitas dos santos. São Franciso Xavier eu fiz quando eu tinha uns quatro anos. Adorava desenhar e viver rodeada de galinhas, de pintos e fazia um desenhozinho, de tudo que era animal que eu via. Aí me fizeram presente de uma gatinha branca, eu adorava gatos, chamava-se Falena, e ela arranjou muitos maridos e eu fiquei com quarenta gatos que me rodeavam miando, lá na fazenda de Capivari. Mas eu passava tempos também na fazenda de São Bernardo, que papai já tinha comprado naquela época, era uma casa muito grande e bonita e até foi vendo as letras da entrada da fazenda que eu fui aprendendo a ler. Sabe, eram letras quase do tamanho deste armário aqui. Minha mãe me ensinava: Olhe, isto aqui é um B, chama-se B esta letra, aqui é um A e eu me lembrava logo da forma das letras. Eu nem senti que estava sendo alfabetizada antes de entrar para a escola. E fazia também bonecas de mato: um mato que crescia com uns caules quadradinhos e dava flor, eu pegava e fazia com aqueles matos uma espécie de escultura, eu fazia braços e pernas e brincava com aquilo. Eu cresci nessa fazenda e como meu pai soube que ali perto tinha se estabelecido uma família belga, eram nobres Van Harenberg Val-mont, tinham uma filha de dezoito anos e, como eu tinha outros irmãos pequenos, papai mandou perguntar se a moça podia vir nos ensinar francês e ela veio mas não nos ensinou nada, mamãe é que ensinou portuguê para ela. O francês eu aprendi porque papai queria os filhos muito educados, então fomos para a Europa e nunca nenhum francês soube que eu não era francesa: me diziam sempre que eu falava completamente sem accent étranger, sabe?

VEJA – Em Paris a senhora estava em contato com Picasso, com Apollinaire, com Breton?

TARSILA – Ah, estive, o Cocteau também era nosso grande amigo, eu fazia muitos almoços brasileiros no meu atelier em Paris, que o Paulo Prado descobriu que foi o atelier de Cézanne, na rua Moreau, num bairro até não muito recomendável, mas era tão difícil ter um atelier em Paris! Havia muitos artistas americanos, muitos estrangeiros e era difícil achar. O meu era no quinto andar, tinha que subir tudo a pé, não tinha
banheiro, era meio primitivo, banho mesmo era só no bain publique. Quem ia sempre era o Vila-Lobos e o Cocteau também freqüentava, diziam até que ele era muito bom musicista. Vila-Lobos então improvisava num piano de cauda que tinha lá no meu atelier, tocava uma coisa e o Cocteau dizia, fazendo careta de tédio: Non, ça n’est pas quelque chose de neuff! (Não, isso não é nada de novo!) Aí o Vila-Lobos tocava outra coisa e o Cocteau balançava a cabeça Não, isso não é inédito, até que se sentou embaixo do piano alegando que era pour mieux entendre (para ouvir melhor), mas nunca aprovando a música do Vila-Lobos, o folclore brasileiro para ele era déjà entendu (já ouvido). O senhor pode imaginar as brigas que se armavam, com o Vila-Lobos muito espalhafatoso, muito exuberante… Era um clima, aliás, de constantes discussões, porque eram de partidos literários, políticos, estéticos diferentes e dava aquelas confusões eternas…

VEJA – A senhora teve uma vida muito rica; quando foi que a senhora se sentiu mais feliz?

TARSILA – Foi quando justamente meu pai comprou um solar, que havia lá na rua Barão de Piracicaba, porque minha mãe gostava de casa bem grande, era uma mansão mesmo e lá é que eu dava festas, fazia jantares e tinha dois rapazinhos de quinze para dezesseis anos e que eram garçons, eu trouxe uma adega excelente, que ninguém conhecia igual em São Paulo, escolhida peça por peça por um sommelier franoh com o nome de um artista conhecido, não me lembro agora, Maurice Chevalier? Não, ele se chamava Charles Boyer, acho que era o nome de um artista do cinema, não era?

VEJA – De onde a senhora tira tanta força para viver? Uma queda a deixou presa na cama a maior parte do dia. Recentemente, perdeu a única filha. Logo depois, morreu sua única neta, afogada. A senhora é religiosa?

TARSILA – Ih, sou, sim. Sou muito devota do Menino Jesus de Praga, porque alcancei muitas graças com as orações a ele. É uma novena milagrosa, eu sei tudo de cor: Oh Jesus que dissestes: Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e a porta se abrirá, quando eu li isso eu fiquei arrepiada, sabe? de imaginar assim aquela porta se abrindo, se abrindo… Isso me inspirou um quadro de Jesus Menino com um negrinho, que simboliza os humildes, também com japoneses e índios, eu dei de presente para um padre que dirige um orfanato para crianças. Eu copiava oleografias sacras…

VEJA – O Portinari começou também copiando santos.

TARSILA – Ah, tive uma desilusão com Portinari quando conheci um exegeta do cubismo em Paris e frequentei mais de seis meses esse grande professor e acho que o Portinari não sabia fazer pintura cubista. Por exemplo: ele ia fazer o Tiradentes. Fez com pincel e nanquim, desenhado, e depois colocou pedaços de papel e colou em cima do desenho, isso nunca foi cubismo!

VEJA – Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura…

TARSILA – Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama A Negra. Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedras nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo por-de-sol ou essa negra, eu estilizo.

VEJA – A sua pintura, tão poética, é então uma evocação enternecedora de uma infância feliz?

TARSILA – Acho que o senhor não está longe de ter acertado.

4. Participação em exposições

Exposições Individuais

1926

Paris (França) – Galerie Percier

1928

Paris (França) – Galerie Percier

1929

Rio de Janeiro RJ – Palace Hotel

1931

Moscou (Rússia) – Museu de Arte Moderna Ocidental

1933

Rio de Janeiro RJ – Palace Hotel -  Tarsila do Amaral - Retrospectiva

1936

São Paulo SP – Palácio das Arcadas

1950

São Paulo SP – MAM/SP – Tarsila 1918-1950

1961

São Paulo SP - Casa do Artista Plástico

1967

São Paulo SP – Tema Galeria de Arte

1969

Rio de Janeiro RJ – MAM/RJ – Tarsila: 50 anos de pintura

São Paulo SP – MAC/USP – Tarsila: 50 anos de pintura

1970

Belo Horizonte MG – MAP – Tarsila do Amaral

Exposições Coletivas

1922

Paris (França) – Salon Officiel des Artistes Français

São Paulo SP – Palácio das Indústrias – 1ª Exposição Geral de Belas Artes

1923

Paris (França) – Maison de l’Amérique Latine – Exposição de Artistas Brasileiros

1926

Paris (França) – Salon des Indépendants

1928

Paris (França) – Salon des Indépendants

1929

Paris (França) – Salon des Surindépendants

1930

Nova York (Estados Unidos) – The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists no Internacional Art Center, no Nicholas Roerich Museum

Recife PE – Exposition de l’École de Paris

Rio de Janeiro RJ – Exposition de l’École de Paris

São Paulo SP – Exposição de uma Casa Modernista

São Paulo SP – Exposition de l’École de Paris

1931

Paris (França) – Salon des Surindépendants

Rio de Janeiro RJ – Enba – Salão Revolucionário

Rio de Janeiro RJ – Exposição na Primeira Casa Modernista do Rio de Janeiro (Rua Toneleros)

1933

São Paulo SP – 1ª Exposição de Arte Moderna da SPAM, no Palacete Campinas

1934

São Paulo SP – 1º Salão Paulista de Belas Artes, na Rua 11 de Agosto

1937

São Paulo SP – 1º Salão de Maio, no Esplanada Hotel

1938

São Paulo SP – 2º Salão de Maio, no Esplanada Hotel

1939

Nova York (Estados Unidos) – Exposição Latino-Americana de Artes Plásticas, no Riverside Museum

São Paulo SP – 3º Salão de Maio, na Galeria Itá

1941

São Paulo SP – 1º Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, no Parque da Água Branca

1944

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana

Londres (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

Norwich (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

Rio de Janeiro RJ – Pintores Norte-Americanos e Brasileiros

São Paulo SP – Exposição de Pintura Moderna Brasileiro-Norte-Americana, na Galeria Prestes Maia

1945

Baht (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery

Bristol (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

Buenos Aires (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Salones Nacionales de Exposición

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery of Scotland

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

La Plata (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Museo Provincial de Bellas Artes

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Montevidéu (Uruguai) – 20 Artistas Brasileños, na Comisión Municipal de Cultura

Santiago (Chile) – 20 Artistas Brasileños, no Salones Nacionales de Exposición, na Universidad de Santiago

São Paulo SP – Galeria Domus: mostra inaugural

1946

Santiago (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile

Valparaíso (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon – prêmio aquisição e 2º prêmio nacional de pintura

1952

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

Santiago (Chile) – Exposición de Pintura, Dibujos y Grabados Contemporáneos del Brasil, no Museo de Arte Contemporáneo de la Universidad de Chile

São Paulo SP – Exposição Comemorativa da Semana de Arte Moderna de 1922, no MAM/SP

1953

São Paulo SP – 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954

São Paulo SP – Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955

Pittsburg (Estados Unidos) – The 1955 Pittsburgh International Exhibition of Contemporary Painting, no Departament of Fine Arts, Carnegie Institute

1956

São Paulo SP – 50 Anos de Paisagem Brasileira, no MAM/SP

1957

Buenos Aires (Argentina) – Arte Moderno en Brasil, no Museo Nacional de Bellas Artes

Lima (Peru) – Arte Moderno en Brasil, no Museo de Arte de Lima

Rosário (Argentina) – Arte Moderno en Brasil, no Museo Municipal de Bellas Artes Juan B. Castagnino

Santiago (Chile) – Arte Moderno en Brasil, no Museo de Arte Contemporáneo

1959

Rio de Janeiro RJ – 30 Anos de Arte Brasileira, na Enba

1960

São Paulo SP – Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP

1962

São Paulo SP – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP

1963

Campinas SP – Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

São Paulo SP – 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal – sala especial

1964

Rio de Janeiro RJ – O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

Veneza (Itália) – 32ª Bienal de Veneza

1966

Austin (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The University of Texas at Austin. Archer M. Huntington Art Gallery

New Haven (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na na The Yale University Art Gallery

New Orleans (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no Isaac Delgado Museum of Art

Rio de Janeiro RJ – Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

San Diego (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no La Jolla Museum of Art

San Francisco (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no San Francisco art Museum

São Paulo SP – Meio Século de Arte Nova, no MAC/USP

1967

Nova York (Estados Unidos) – Precursors of Modernism in Latin America, no Inter American Art Center

1968

São Paulo SP – Coleção Tamagni, no MAM/SP

1970

Rio de Janeiro RJ – 8º Resumo de Arte JB

São Paulo SP – Mostra inaugural, na Galeria Astréia

1972

São Paulo SP – 2ª Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP

São Paulo SP – A Semana de 22: antecedentes e conseqüências, no Masp

São Paulo SP – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria Collectio

Cronologia

1886/1898

Nasceu em Capivari (interior de SP) e cresceu em fazendas também nesta região.

1898

Família mudou-se para São Paulo.

1901/1902

Tarsila estudou no Colégio Sion

ca.1902

Família muda-se para Barcelona (Espanha), onde estuda no Colégio Sacré-Coeur. Através de cópias, Tarsila teve suas primeiras experiências com pinturas.

1904

Tarsila retornou ao Brasil e casou-se com o médico André Teixeira Pinto, morou na Fazenda São Bernardo e na Fazenda Sertão, aonde nasce sua filha Dulce em 1906

1913

Mudou-se novamente para São Paulo

1916

Inicia seus estudos com escultura e modelagem com o escultor William Zadig (1884 – 1952) e Mantovani

1917

Estuda técnicas de desenho com Pedro Alexandrino (1856 – 1942)

1920

Estuda técnicas de pintura com o pintor Georg Elpons (1865 – 1939)

Retorna para Paris, onde frequenta a Académie Julien, faz cursos livres de desenho e também estuda com Emile Renard (1850 – 1930)

1922

Viaja a estudos para a Espanha e a Inglaterra

Retorna ao Brasil e forma o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti (1889 – 1964), Mário de Andrade (1893 – 1945), Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Oswald de Andrade

1922/1923

Viaja a estudo para Portugal, Espanha e Itália, com Oswald de Andrade. Conhece Blaise Cendrars (1887 – 1961) que os apresenta a Brancusi, Jean Cocteau, Satie, Gauthier e Valery Larbaud

1923

Em Paris, estuda com André Lhote (1885 – 1962), Fernand Léger (1881 – 1955) e Albert Gleizes (1881 – 1953)

Regressa ao Brasil

1924

Inicia a pintura Pau-Brasil

Acompanha o poeta Blaise Cendrars, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado, Mário de Andrade, Godofredo Silva Telles, René Thiollier e Oswald de Andrade Filho, em viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante essa viagem

Com a revolução de 1924 refugia-se com a família na Fazenda Sertão

Ilustra Feuilles de Route – I. Le Formose, de Blaise Cendrars

1924/1925

Viaja, para a Itália, com Oswald de Andrade

Ilustra Pau Brasil, livro de poemas de Oswald de Andrade

Ao regressar ao Brasil passa a funcionar o salão da casa na Rua Piracicaba, em São Paulo, onde Tarsila e Oswald recebem os modernistas

1926

O casal viaja para preparar a exposição de Tarsila em Paris. Prosseguem a viagem pela Grécia, Turquia, Rodes, Cipres, Israel e Egito

1928

Pinta Abaporu, tela que inspira o movimento que surge com a publicação do Manifesto Antropófago na Revista de Antropofagia, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp

1929

Com o crise econômica de 1929 o casal perde a Fazenda Santa Tereza do Alto, que ficará hipotecada até 1937

1930

Obtém seu primeiro emprego como diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp, deixando o cargo com a mudança de governo

1931

Visita a União Soviética, com Osório César, e permanece alguns meses em Paris

1932

De volta ao Brasil, Tarsila é presa, em São Paulo, por aproximadamente um mês, por suas posições políticas e pela viagem à União Soviética

1932/1934

Participa da Sociedade Pró – Arte Moderna – SPAM

1933

Começa uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe

Realiza viagem com Osório Cesar para participar de congresso político em Montevidéu

1934

Inicia atividade na imprensa jornalística

1935

Muda-se para o Rio de Janeiro

1936

Inicia a publicação de artigos no Diário de S. Paulo também publicadas em O Jornal do Rio de Janeiro

1938/1973

Volta a viver em São Paulo, alternando sua vida entre a fazenda em Capivari e São Paulo

1940

A Revista Acadêmica dedica número especial em sua homenagem

1940/1944

Faz ilustrações para a série Os Mestres do Pensamento, dirigida por José Perez

1944

Belo Horizonte e Ouro Preto MG – Viaja por Belo Horizonte e Ouro Preto, Minas Gerais, em companhia de Alfredo Volpi (1896 – 1988), Mario Schenberg, Oswald de Andrade e outros

1945

Realiza uma série de gravuras para o livro Poesias Reunidas de O. Andrade, a pedido do autor, Oswald de Andrade

1947/1948

Faz ilustrações especialmente retratos de grandes personalidades para o jornal O Estado de S. Paulo

1952

Prêmio 1952 de Artes Plásticas da Municipalidade de São Paulo, organizado pelo Jornal de Letras

1954

Realiza o painel Procissão do Santíssimo, para o Pavilhão de História do Parque do Ibirapuera, a convite da Comissão do 4º Centenário de São Paulo

1956

Realiza painel Batizado de Macunaíma sobre a obra de Mário de Andrade para a Livraria Martins Editora

1961

Vende sua fazenda e instala-se definitivamente em São Paulo

1970

Premiada com o Golfinho de Ouro, melhor exposição de 1969.

1973

Falecimento de Tarsila do Amaral

5. Livros relacionados

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: BRAGA, ANGELA
Autor: REGO, LIGIA MARIA DA SILVA
Idioma: PORTUGUES
Editora: MODERNA EDITORA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS
Edição: 1ª
Ano: 1998
Encadernacao: BROCHURA

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: AMARAL, ARACY
Editora: ACTAR – USA
Assunto: ARTES – ACERVOS E CATÁLOGOS

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CADERNO DE DESENHO
Autor: RODRIGUES, ANTONIO CARLOS
Organizador: ELUF, LYGIA
Editora: IMESP
Assunto: ARTES – DESENHO

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: BIOGRAFIAS BRASILEIRAS
Autor: SANTA ROSA, NEREIDE SCHILARO
Editora: CALLIS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: AMARAL, ARACY A.
Editora: FINAMBRAS
Assunto: ARTES

 

Tarsila do Amaral - A primeira dama da arte brasileira

TARSILA DO AMARAL
A PRIMEIRA DAMA DA ARTE BRASILEIRA
Formato: Livro
Coleção: APRENDENDO COM ARTE, V.1
Autor: AZEVEDO, HELOIZA DE AQUINO
Editora: MECA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila do Amaral - A modernista

TARSILA DO AMARAL – A MODERNISTA
Formato: Livro
Autor: GOTLIB, NADIA BATTELLA
Editora: SENAC SAO PAULO
Assunto: ARTES

 

Brincando com arte - Tarsila do Amaral

BRINCANDO COM ARTE – TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: BRINCANDO COM ARTE
Organizador: BRAGA-TORRES, ANGELA
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Correspondencia Mario de Andrade - Tarsila do Amaral

CORRESPONDENCIA MARIO DE ANDRADE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CORRESPONDENCIA
Autor: ANDRADE, MARIO DE
Organizador: AMARAL, ARACY A.
Editora: EDUSP
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

 

O anel magico da tia Tarsila

O ANEL MAGICO DA TIA TARSILA
Formato: Livro
Autor: AMARAL, TARSILA DO (1964-)
Editora: CIA DAS LETRINHAS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – LITERATURA INFANTIL

 

Ai vai meu coracao - Cartas de Tarsila do Amaral

AI VAI MEU CORAÇAO – CARTAS DE TARSILA DO AMARAL E
ANNA MARIA MARTINS PARA LUIS MARTINS
Formato: Livro
Autor: MARTINS, ANA LUISA (1953-)
Editora: PLANETA DO BRASIL
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

 

Cronicas e outros escritos de Tarsila do Amaral

CRONICAS E OUTROS ESCRITOS DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Organizador: BRANDINI, LAURA TADDEI
Editora: UNICAMP
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA – CONTOS E CRÔNICAS

 

Uma aventura no mundo de Tarsila

UMA AVENTURA NO MUNDO DE TARSILA
Formato: Livro
Coleção: LER ARTE
Autor: DUARTE, NEIDE
Editora: EDITORA DO BRASIL -D
Assunto: INFANTO-JUVENIS – LITERATURA INFANTIL

 

Catalogo Raisonne - Tarsila do Amaral

CATALOGO RAISONNE – TARSILA DO AMARAL, 3 VOLUMES
EDIÇAO BILINGUE – PORTUGUES/INGLES
Formato: Livro
Organizador: SATURNI, MARIA EUGENIA
Editora: BASE 7
Assunto: ARTES

 

A infancia de Tarsila do Amaral

A INFANCIA DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: CARUSO, CARLA
Editora: CALLIS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Contando a arte de Tarsila do Amaral

CONTANDO A ARTE DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CONTANDO A ARTE
Autor: TORRES, SYLVIA
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Encontro com Tarsila

ENCONTRO COM TARSILA
Formato: Livro
Coleção: ENCONTRO COM A ARTE BRASILEIRA
Autor: ACEDO, ROSANE
Autor: ARANHA, CECILIA
Editora: FORMATO
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila por Tarsila

TARSILA POR TARSILA
Formato: Livro
Autor: AMARAL, TARSILA DO (1964-)
Editora: CELEBRIS
Assunto: ARTES

6. Vídeos relacionados

Tarsila do Amaral – Entrevista 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 ( TV Tupi, 1972)


7. Principais obras

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ,1904, óleo sobre tela, 101,8x76 cm

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ,1904, óleo sobre tela, 101,8×76 cm

 

A NEGRA, 1923, óleo sobre tela, 100x80 cm

A NEGRA, 1923, óleo sobre tela, 100×80 cm

MORRO DA FAVELA, 1924, óleo sobre tela, 64,5x76 cm

MORRO DA FAVELA, 1924, óleo sobre tela, 64,5×76 cm

A FAMÍLIA, 1924, óleo sobre tela, 79X101,5 cm

A FAMÍLIA, 1924, óleo sobre tela, 79X101,5 cm

A LUA, 1928, óleo sobre tela, 110x110 cm

A LUA, 1928, óleo sobre tela, 110×110 cm

ABAPORU, 1928, óleo sobre tela, 85x73 cm, (P101), Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – Fundación Costantini, Buenos Aires, Argentina

ABAPORU, 1928, óleo sobre tela, 85×73 cm, (P101), Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires – Fundación Costantini, Buenos Aires, Argentina

ANTROPOFAGIA, 1929, óleo sobre tela, 79x101 cm

ANTROPOFAGIA, 1929, óleo sobre tela, 79×101 cm

OPERÁRIOS, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm

OPERÁRIOS, 1933, óleo sobre tela, 150×205 cm

SEGUNDA CLASSE, 1933, óleo sobre tela, 110x151 cm

SEGUNDA CLASSE, 1933, óleo sobre tela, 110×151 cm

Para visualizar mais obras, acesse: www.tarsiladoamaral.com.br

8. Frases e citações

“Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, eu estilizo.”

“Ontem foi um dia triunfal para mim. O imenso salão do museu estava repleto, apesar da pouca publicidade. Muitas vendas. Muitos autógrafos nos catálogos que ficaram lindos assim como os convites com desenhos meus. Apresentei-me bem vestida e de chapéu. Motivo pelo qual o nosso querido Luis Coelho disse que eu não era ´dereita´ porque esperei você ir-se embora para me embelezar.”
Referindo-se à retrospectiva Tarsila – 1918-1950.

“Sou muito devota do Menino Jesus de Praga, porque alcancei muitas graças com as orações a ele. É uma novena milagrosa, eu sei tudo de cor: ‘Oh Jesus que dissestes: Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e a porta se abrirá.”

“Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam.”

“Parece mentira, mas foi no Brasil que tomei contato com a arte moderna.”

“Saiu muito boa, com muita naturalidade, foi gravada e irradiada à noite. Fiquei surpreendida ouvindo minha própria voz.”
Sobre uma entrevista que concedeu à Rádio Record.

“Bopp foi lá no meu ateliê, na rua Barão de Piracicaba, assustou-se também. Oswald disse: ‘Isso é como se fosse um selvagem, uma coisa do mato’ e Bopp concordou. Eu quis dar um nome selvagem também ao quadro e dei Abaporu, palavras que encontrei no dicionário de Montóia, da língua dos índios. Quer dizer antropófago.”
Referindo-se ao amigo Raul Bopp, ao então marido Oswald de Andrade e a seu mais famoso quadro.

“Não sei quem está fazendo isso. Noticiou-se na Difusora e Bandeirante. Todos estão prometendo ir ao vernissage. Se for a metade, já está ótimo. Estou sentindo que vou trabalhar muito em pintura, mesmo durante a exposição. Tomei gosto.”

“Tenho encontrado tanto carinho por parte deles que estou perdendo meu complexo de inferioridade que dura mais de dez anos. Os jornais têm anunciado minha exposição até em Santos. E mesmo o rádio, conforme me disse minha costureira.”
Referindo-se a seus amigos.

“Preciso aproximar-me de meus amigos.”

9. Últimas notícias

Clique aqui e acesse: Google News

10. Referências

Site oficial da Tarsila do Amaral • http://tarsiladoamaral.com.br/
Itaú Cultural • http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa824/tarsila-do-amaral
Wikipedia • http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarsila_do_Amaral
Frases famosas • http://www.frasesfamosas.com.br/frases-de/tarsila-do-amaral/

Avaliação

90%
90
Ótimo

E você? o que achou deste artigo?

  • Artista
    10
  • Biografia
    9
  • Imagens
    8
  • Classificação (2 Votos)
    6.2
Compartilhar.

Sobre o autor

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

Os comentários estão fechados.