Tarsila do Amaral

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“Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, eu estilizo.”

Tarsila do Amaral foi uma pintora e desenhista brasileira e uma das figuras centrais da pintura brasileira e da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.

Tarsila foi uma modernista: pintou o Brasil, desrespeitou normas clássicas da pintura tradicional e encheu suas telas de cores, muitas cores. Tarsila conseguiu traduzir em cores vibrantes todas as sombras de um país.

Tarsila do amaral - Fotos artista

Tarsila do amaral – Fotos artista

País este que, segundo a visão apurada e singular da pintora, também é caipira, interiorano, quase rústico. País que Tarsila, em viagem feita a Minas Gerais, descobriu em pessoas, casas, ruas e aridez. A artista não traz apenas a beleza exemplar brasileira, mas ao contrário, denota suas silhuetas e contornos mais obscuros e, talvez por isso, mais interessantes.

Um modelo clássico do que se fala é sua obra mais conhecida, a pintura Abaporu. Neste quadro, segundo a descrição da própria artista, “há uma figura solitária monstruosa, pés imensos, sentada sobre uma planície verde, o braço dobrado repousando num joelho, a mão sustentando o leve peso da minúscula cabeça. Em frente, um cactus explodindo em uma enorme flor.”

Tarsila do Amaral foi a representante do movimento Pau-Brasil que, subdividido nas fases construtivo, exótico e metafísico/onírico, representa o cúmulo da brasilidade, traduzida não somente em seus temas humanos e nacionais, como também nas cores vivas até então rejeitadas por uma academia retrógrada e passadista.

Seus tons, de intensidade e força absurdas, são reminiscências de infância da pintora nascida em Capivari, interior de São Paulo. Desde então, Tarsila adota de forma quase que rebelde e contestadora, cada colorido excessivo para, assim, melhor representar um país-aquarela.

Engana-se, no entanto, quem acredita ser Tarsila do Amaral uma pintora estritamente rural. Não. É ela, isso sim, uma artista brasileira, modernista, bem-humorada, de nacionalidade brasileira.

Tarsila do Amaral – Biografia

Tarsila do amaral - Fotos artista

Tarsila do amaral – Fotos artista

Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886, no Município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha do fazendeiro José Estanislau do Amaral e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, passou a infância nas fazendas de seu pai. Estudou em São Paulo, no Colégio Sion e depois em Barcelona, na Espanha, onde fez seu primeiro quadro, ‘Sagrado Coração de Jesus’, 1904.

Anos depois iniciou seus estudos em arte. Começou com escultura, com William Zadig com quem aprende a modelar. No mesmo ano, tem aulas com o escultor Mantovani. Seu aprendizado continua no curso de desenho com Pedro Alexandrino em 1918, onde conheceu Anita Malfatti. Posteriormente ela e alguns colegas do curso de Pedro Alexandrino fazem aulas de pintura com Georg Elpons (1865-1939), que lhes apresenta técnicas diferentes das acadêmicas, como a aplicação de cores puras, diretamente do tubo. Em 1920, foi estudar em Paris, na Académie Julien e com Émile Renard.

Estimulada pelo maestro Souza Lima, parte para Paris em 1920. Quer entrar em contato com a produção européia e aperfeiçoar-se. Ingressa primeiro na Académie Julian, depois tem aulas com Emile Renard. Nesse período, trava contato com a arte moderna. Vê o que Anita Malfatti já lhe havia contado. Conhece trabalhos de Pablo Picasso, Maurice Denis e a produção dos dadaístas e futuristas. O interesse coincide com o fortalecimento do modernismo em São Paulo. De longe, Tarsila recebe curiosa a notícia dos progressos do grupo, na correspondência com Anita.

Em abril de 1922, dois meses depois da Semana de Arte Moderna, volta ao Brasil para “descobrir o modernismo”. Conhece Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Com eles e Anita, funda o Grupo dos Cinco. O aprendizado europeu será digerido aqui, no contato com o grupo. A artista pinta com cores mais ousadas e pinceladas mais marcadas. Faz retratos de Mário de Andrade e Oswald de Andrade com cores expressionistas e gestualidade marcada.

No ano de 1923, Tarsila encontrava-se em Paris acompanhada do seu namorado Oswald. Conheceram o poeta franco suíço Blaise Cendrars, que apresentou toda a intelectualidade parisiense para eles. Foi então que ela estudou com o mestre cubista Fernand Léger e pintou em seu ateliê, a tela ‘A Negra’. Léger ficou entusiasmado e até chamou os outros alunos para ver o quadro. A figura da Negra tinha muita ligação com sua infância, pois essas negras eram filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a estória da arte moderna brasileira. A artista estudou também com Lhote e Gleizes, outros mestres cubistas. Cendrars também apresentou a Tarsila pintores como Picasso, escultores como Brancusi, músicos como Stravinsky e Eric Satie. E ficou amiga dos brasileiros que estavam lá, como o compositor Villa Lobos, o pintor Di Cavalcanti, e os mecenas Paulo Prado e Olívia Guedes Penteado.

Em uma homenagem a Santos Dumont, usou uma capa vermelha que foi eternizada por ela no auto-retrato ‘Manteau Rouge’, de 1923.

Retorna para o Brasil em 1924 com interesse voltado para as coisas daqui. Viaja para conhecer o carnaval carioca e as cidades históricas de Minas Gerais. Tarsila disse que foi em Minas que ela viu as cores que gostava desde sua infância, mas que seus mestres diziam que eram caipiras e ela não devia usar em seus quadros. ‘Encontei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, …’

E essas cores tornaram-se a marca da sua obra, assim como a temática brasileira, com as paisagens rurais e urbanas do nosso país, além da nossa fauna, flora e folclore. Ela dizia que queria ser a pintora do Brasil.

E esta fase da sua obra é chamada de Pau Brasil, e temos quadros maravilhosos como ‘Carnaval em Madureira’, ‘Morro da Favela’, ‘EFCB’, ‘O Mamoeiro’, ‘São Paulo’, ‘O Pescador’, dentre outros.

Em 1926, Tarsila fez sua primeira Exposição individual em Paris, com uma crítica bem favorável. Neste mesmo ano, ela casou-se com Oswald (o pai de Tarsila conseguiu anular em 1925 o primeiro casamento da filha para que ela pudesse se casar com Oswald). Washington Luís, o Presidente do Brasil na época e Júlio Prestes, o Governador de São Paulo na época, foram os padrinhos deles.

Tarsila do amaral - Fotos artista

Tarsila do amaral – Fotos artista

Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o ‘Abaporu’. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro.

Outros quadros desta fase Antropofágica são: ‘Sol Poente’, ‘A Lua’, ‘Cartão Postal’, ‘O Lago’, ‘Antropofagia’, etc. Nesta fase ela usou bichos e paisagens imaginárias, além das cores fortes.

A artista contou que o Abaporu era uma imagem do seu inconsciente, e tinha a ver com as estórias de monstros que comiam gente que as negras contavam para ela em sua infância. Em 1929 Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, e a crítica dividiu-se, pois ainda muitas pessoas ainda não entendiam sua arte.

Ainda neste ano de 1929, teve a crise da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil, e assim a realidade de Tarsila mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que trabalhar. Separou-se de Oswald.

Na mesma época, ocupa, por um curto período, a direção da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp). Viaja para a União Soviética no ano seguinte e expõe em Moscou. A partir de 1933, seu trabalho ganha uma aparência mais realista.
Influenciada pela mobilização socialista, pinta quadros como Operários (1933) e 2ª Classe (1933), preocupados com as mazelas sociais.
Em meados dos anos 30, Tarsila uniu-se com o escritor Luís Martins, mais de vinte anos mais novo que ela. Ela trabalhou como colunista nos Diários Associados por muitos anos, do seu amigo Assis Chateaubriand.

Nessa época, seus quadros ganham um modelado geométrico. As cores perdem a homogeneidade e tornam-se mais porosas e misturadas. Em 1938, recupera a propriedade, retorna à São Paulo e sua produção volta à regularidade. Reaproxima-se de questões que animaram o período heróico do modernismo brasileiro. A partir da segunda metade dos anos de 1940, as inquietações do período pau-brasil e da antropofagia são reformuladas, os temas rurais voltam de maneira simples. Em algumas telas, como Praia (1947) e Primavera (1946), as figuras agigantadas evocam o período antropofágico, mas agora aparecem sob forma mais tradicional, com passagens tonais de cor e modelado mais clássico.

Em 1950, ela voltou com a temática do Pau Brasil e pintou quadros como ‘Fazenda’, ‘Paisagem ou Aldeia’ e ‘Batizado de Macunaíma’. Em 1949, sua única neta Beatriz morreu afogada, tentando salvar uma amiga em um lago em Petrópolis.

Tarsila do amaral - Fotos artista

Tarsila do amaral – Fotos artista

Em 1950, é feita a primeira retrospectiva de seu trabalho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). A exposição dá mais prestígio à artista, nela as pinturas da fase “neo pau-brasil” são mostradas pela primeira vez. O retorno a temas nacionais anima Tarsila a pintar dois murais de forte sentido patriótico. Em 1954, termina Procissão do Santíssimo , encomendado para as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Dois anos depois, entrega O Batizado de Macunaíma, para a Editora Martins. Em 1969, a crítica de arte Aracy Amaral organiza duas importantes retrospectivas do trabalho de Tarsila. Uma no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) e outra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). As mostras consolidam sua importância para a arte brasileira. Tarsila faleceu em janeiro de 1973.

 Curiosidades

 

Tarsila do Amaral - Estudo (La Tasse)

Tarsila do Amaral – Estudo (La Tasse)

Catalago Raisonné – Tarsila do amaral , 3 volumes
Organizador: Maria Eugenia Saturni
Editora: Base 7

Do volume total de obras apresentadas à Comissão Técnica, 2.132 foram endossadas para publicação e 41 foram publicadas para fins de documentação. O ‘Catálogo Raisonné de Tarsila do Amaral’ foi o resultado da dedicação de cerca de 100 profissionais e vem acompanhado de um cd-rom, com as mesmas informações. É apresentado em três volumes – ‘Pinturas’ (com 296 páginas), ‘Desenhos’ (com 392 páginas) e ‘Ilustrações, gravura, escultura e foto-biografia’ (com 272 páginas).

Livro – Tarsila do Amaral
Autor: Ligia Maria da Silva / Angela Braga
Editora: Moderna Editora

Escrito pelas educadoras Angela Braga e Lígia Rego, a obra procura traçar um painel sobre o estilo da grande diva da arte moderna brasileira. O projeto gráfico valoriza as ilustrações e estimula a leitura, principalmente para as crianças. Dentro, um encarte que reproduz duas das principais obras da artista que morreu aos 86 anos (em 1973), deixando para o país um exemplo de valorização da amizade, de patriotismo e de cultura ao misturar em suas obras cores caipiras, lendas, amigos e a sociedade.

Livro – Tarsila do Amaral
Autor: Antonio Carlos Rodrigues
Editora: Imesp

Esta coleção pretende revelar o que está oculto, guardado na intimidade do caderno de bolso, do atelê, da expressão primeira do artista em contato com o mundo que o cerca.

Livro – Tarsila do Amaral
Autor: Nereide Schilaro Santa Rosa
Editora: Callis

Este livro conta a leitor a respeito de Tarsila do Amaral. Sua vida foi a pintura. Uma pintura que cativou, discutiu, polemizou, despertou nossas raízes, nossa cultura, nosso povo. Uma mulher brasileira … uma mulher corajosa, digna de representar a Arte Moderna Brasileira.

Livro – Tarsila do Amaral
Autor: Aracy A. Amaral
Editora: Finambras

Um panorama com reproduções das mais destacadas obras de Tarsila do Amaral, que tem como objetivo difundir os aspectos significativos da cultura dos países do Mercosul.

Livro – Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral - Natureza-Morta com Relógios - 46 x 55 cm

Tarsila do Amaral – Natureza-Morta com Relógios – 46 x 55 cm

Autor: Heloiza de Aquino Azevedo
Editora: Meca

Esta obra é uma coleção dos melhores quadros de Tarsila. Algumas de suas pinturas contidas no livro são – Abaporu, Feira, Auto-retrato, A família, O Pescador, Operários.

Livro- Correspondência Mario de Andrade – Tarsilia do Amaral
Autor: Mario de Andrade
Editora:Edusp

Ultrapassando a fronteira da amizade, as cartas trocadas por Mário de Andrade e Tarsila do Amaral mostram ao leitor um contato com algumas das importantes questões que impulsionaram os artistas do período.

Livro- Tarsila do Amaral – A modernista
Autor: Nadia Battella Gotlib
Editora: Senac São Paulo

Uma obra fundamental para quem quer compreender o fenômeno Tarsila e também conhecer os bastidores do movimento que marcou um dos momentos mais brilhantes da nossa arte e, em especial, a antropofagia. A biografia investe com mais força na vida cotidiana de Tarsila, revelando muito do que há por trás de seu processo criativo e sua relação com a arte. A obra traz todas as fases da artista com reproduções de dezenas de suas obras, documentos e fotos, compondo um belo e sensível apanhado dessa trajetória inigualável entre nossos artistas.

Livro – O anel mágico da tia Tarsila
Autor: Tarsila do Amaral
Editora: Cia das letrinhas

Neste livro, a autora mistura realidade e ficção para apresentar a vida e a obra de uma das consideradas maiores artistas brasileiras. Na história, ao pôr o anel que herdou da tia, Tarsilinha a encontra em diferentes momentos – brincando na fazenda onde passou a infância; estudando no colégio de freiras; em Paris, aluna de Fernand Léger; depois, casada com Oswald de Andrade. Nas diversas passagens, Tarsila aparece trabalhando em seus quadros mais famosos, que ocupam páginas inteiras do livro, e Tarsilinha trava amizade com alguns dos personagens das obras. Eles passeiam juntos, entrando e saindo de quadros como ‘A negra’, ‘A cuca’, ‘Estrada de ferro Central do Brasil’, ‘O mamoeiro’, ‘Abaporu’, entre tantos outros. No final, uma cronologia esmiúça a vida da pintora, e apresenta outras das suas obras mais importantes.

 

Tarsila do Amaral - Pont-neuf - 33 x 41 cm

Tarsila do Amaral – Pont-neuf – 33 x 41 cm

Livro- Ai vai meu coração – Cartas de Tarsila do Amaral e Anna Maria Martins para Luis Martins
Autor: Ana Luisa Martins
Editora: Planeta do Brasil

O livro, ilustrado, apresenta dezenas de cartas que Tarsila escreveu para Luís Martins – e que permaneciam inéditas e desconhecidas, até mesmo por especialistas na obra da pintora. Quando termina o casamento deTarsila e Luís, ele se casa com a escritora Anna Maria. O livro inclui as cartas que Anna Maria escreveu para Luís Martins, trechos da autobiografia do crítico e crônicas publicadas por ele, que tratam das dificuldades da separação e do novo casamento.

Livro – A infância de Tarsila do Amaral
Autor: Carla Caruso
Editora: Callis

Neste livro Carla Caruso apresenta Tarsila do Amaral de uma forma encantadora – uma menina que adorava brincar, ouvir música e histórias e que aos poucos vai descobrindo o desenho e a pintura. Juntos com belas e importantes obras de Tarsila, esta narrativa nos mostra momentos mágicos de sua infância e nos aproxima de seu universo repleto de cores e imagens.

Livro – Tarsila por Tarsila
Autor: Tarsila do Amaral
Editora: Celebris

Todos os baús, caixas e gavetas foram abertos, mexidos e remexidos. Durante cinco anos, mais de 15 entrevistas com familiares e amigos próximos foram realizadas, cursos de História da Arte, arquivos de jornais e revistas pesquisados. Agora, Tarsila do Amaral, sobrinha-neta da modernista, lança ‘Tarsila por Tarsila’, livro que retrata de forma simples o dia-a-dia da pintora, ora humanizando o mito – expondo seu olhar caipira sobre Paris, por exemplo -, ora mostrando pelos detalhes o que fez dela o maior nome da pintura brasileira de todos os tempos. ‘Tarsila por Tarsila’ é um quebra-cabeças de épocas e histórias – pessoais e públicas – que pela primeira vez mostra fatos e passagens da vida de Tarsila do Amaral (1886 – 1973) vividas com intensidade pela artista, que na época foram divididas apenas com os mais próximos.

Livro – Encontro com Tarsila
Autor: Rosane Acedo / Cecilia Aranha
Editora: Formato

‘Encontro com Tarsila’ apresenta a vida e a obra de Tarsila do Amaral, reproduzindo obras, bem como fotos e documentos. Ao longo do livro, perguntas curtas e objetivas (cujas respostas aparecem no final do livro) orientam a leitura do texto e das obras de arte, pontuando elementos ou detalhes que ajudam a criança a ‘ver’ melhor cada uma delas.

Livro – Contando a arte de Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral - A Caipirinha - 60 x 81 cm

Tarsila do Amaral – A Caipirinha – 60 x 81 cm

Autor: Sylvia Torres
Editora: Noovha America

Repletas de brasilidade, refletindo magia, força, encanto e simplicidade de um país adormecido… Assim são as obras de Tarsila do Amaral, grande artista brasileira que, mesclando tudo isso com sua personalidade humanística, revelou um Brasil nunca antes observado assim, dando vida e colorido às pessoas, às paisagens, aos animais e às plantas do nosso país. Nas páginas deste livro, você conhecerá a trajetória de vida de Tarsila do Amaral e ficará encantado com o Brasil pintado por ela, em seus tons rosas, azuis, verdes e amarelos.

Depoimentos

“Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado…Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que adatava a época moderna. Contornos nítidos, dando a impressão perfeita da distância que separa um objeto de outro”.
Tarsila do Amaral

“O abstracionismo, cujos princípios se dirigem ou devem dirigir-se cem por cento à inteligência, não me comove hoje. Já fui partidária dele em 1923, quando estudei com Albert Gleizes o ‘cubismo integral’, cuja essência corresponde perfeitamente ao abstracionismo. Todo calculado, pesos e contrapesos, equilíbrio, dinamismo convencional, linhas e cores variando ao infinito, mas sempre linhas e cores. Depois de um certo tempo a gente começa então a desejar evadir-se dessa eternidade artística, que só se dirige ao intelecto e a reagir com a volta ao sentimental, ao humano, já que no complexo humano os sentidos também têm seus direitos”.
Tarsila do Amaral

Críticas

Tarsila do Amaral - Carnaval em Madureira - 76 x 63 cm

Tarsila do Amaral – Carnaval em Madureira – 76 x 63 cm

“O Rio de Janeiro vai descobrir Tarsila e vai ter com essa descoberta a exata sensação de um maravilhoso encantamento. Tarsila é o maior pintor brasileiro. Nenhum, antes dela, atingiu aquela força plástica – admirável como invenção e como realização – que ela só possui, entre nós” (…) “Nem também nenhum penetrou tão bem quanto ele a selvageria de nossa terra, o homem bárbaro que é cada um de nós, os brasileiros de verdade que estamos comendo, com a ferocidade possível, a velha cultura de importação, a velha arte imprestável, todos os preconceitos, em suma, com que o Ocidente, através das manhas da catequese, nos envenenou a sensibilidade e o pensamento”.
Oswald de Andrade

“As fases pau-brasil e antropofágica de Tarsila são, sem sombra de dúvida, os pontos culminantes de sua carreira como pintora e as responsáveis pela sua inscrição na história da arte no Brasil. Elas sintetizam, plasticamente, o seu relacionamento genuíno com a terra, e sua picturalidade, como bem afirmou Haroldo de Campos, atualizada pelo contato com o cubismo, permitiu-lhe ‘extrair essa lição não de coisas, mas de relações, que lhe permitiu fazer uma leitura estrutural da visualidade brasileira. Reduzindo tudo a poucos e simples elementos básicos, estabelecendo novas e imprevistas relações de vizinhança na sintagmática do quadro, Tarsila codificava em chave cubista a nossa paisagem ambiental e humana, ao mesmo tempo que redescobria o Brasil nessa releitura que fazia, em modo seletivo e crítico (sem por isso deixar de ser amoroso e lírico), das estruturas essenciais de uma visualidade que a rodeava desde a infância fazendeira’ (…)”.
Aracy Amaral

“Através de sua atitude e obra, em particular nos anos 20 e 30, processa-se a redescoberta do Brasil, depois de séculos de alheamento e de subserviente absorção de modelos metropolitanos. Com ela, mundo e Brasil dialogam de igual para igual, e criadoramente. À geometria de angulosidade cubista acrescenta ritmos sinuosos e envolventes de uma tradição barroca mais nossa, tropicalizada; mescla também a recuperação de temas, iconografia e cores das manifestações genuinamente populares com o refinamento autoconquistado da técnica de tratá-los no âmbito de uma pintura que nunca pretendeu o ingenuísmo formal, ainda que vez ou outra indique atração pelo lirismo infantilmente fantástico de Henri Rousseau ou pelo humor quase caricatura, característico da irreverência modernista inicial. Na pintura deixada por Tarsila, o universal se particulariza, o popular se refunde no erudito, a maturidade revisita a infância. Transformando-se em nosso o que a princípio não nos pertencia, mas que pelo contágio e ingestão consciente passou a incorporar-se à nossa individualidade em termos de nação, tudo se explica de novo, como se fosse pela primeira vez”.
Roberto Pontual

Tarsila do Amaral - São Paulo - 57 x 90 cm

Tarsila do Amaral – São Paulo – 57 x 90 cm

“A relação de Tarsila com a obra de Léger demonstra bem a inteligência com a qual analisa a arte francesa. O que ela irá absorver de determinante no sistema de Léger é a utilização do modelo da máquina. Mas a metáfora segundo a qual Léger irá desenvolver seu trabalho tem por objeto a sociedade industrial. Tarsila fará da ‘brasilidade’ o seu traço distintivo dessa formulação, adotando a ‘linguagem de máquina’ (assim como Oswald de Andrade se utiliza da linguagem telegráfica) como um desejo de atualização, no sentido de situar a percepção do Brasil a partir da ótica aberta pela industrialização. A máquina no seu trabalho não será apenas uma referência ao presente, será igualmente a tentativa de apreender o universo simbólico brasileiro, por um olhar compatível com seus aspectos mais contemporâneos. Em termos formais, as distinções que esta sua postura produzirá afastarão Tarsila de uma atitude servil diante do modelo de Léger. Neste último, as cores, quase sempre primárias ou com tonalidades metálicas, procuram o máximo de contrastes, como se apresentam na vida urbana. Seu desenho segue o mesmo sentido da sua pintura, sendo a cor substituída por claros e escuros que mantêm o contraste e sugerem volumes, como se fossem uma preparação para a tela. Já o desenho de Tarsila opera mais como uma anotação que busca, através da linha, revelar a estrutura definidora do objeto. Assim, o traço se desenvolve numa linha que flui e vai num ritmo suave construindo o objeto, ao mesmo tempo em que ocupa e organiza a superfície do papel”.
Carlos Zílio

“Feitas as contas, a maior qualidade da pintura de Tarsila é também a razão de sua assustadora fragilidade – aí está uma superfície discrepante (Torre Eiffel + carnaval em Madureira, como vemos em uma de suas telas…), mantida no fio da navalha, cheia de brechas, articulando um sem-número de polaridades. A bem da verdade, mesmo nos trabalhos mais admiráveis da artista, é possível assistir aos torneios formais em que ela se engalfinha para manejar com naturalidade o vocabulário moderno: freqüentemente as telas divergem entre a descrição quase naturalista dos tipos étnicos, das peculiaridades da paisagem regional, e a geometrização mais decidida das formas, respondendo à exigência moderna de uma franqueza construtiva.

Tarsila do Amaral - Morro da Favela - 64 x 76 cm

Tarsila do Amaral – Morro da Favela – 64 x 76 cm

Reconheçamos que em virtude dessa atitude dúplice (que quer abraçar ao mesmo tempo o mundo e o vilarejo natal) muitos detalhes de sua pintura tocam o pitoresco: Tarsila acaba astuciosamente trapaceando a lógica cubista, que aconselharia a redução da figura humana aos tipos anônimos da civilização urbana, e se entretém prazerosamente nos detalhes. Ela oscila, por exemplo, em meio a uma dezena de maneiras de pintar pés e mãos, e isto, como se vê, é quase um capricho sentimental para quem aspira à (alguma) generalização da forma, à percepção estrutural do espaço pictórico.

(…) falar em incompletude e incongruência em face da obra de Tarsila talvez seja também especular em torno de um modo específico de produtividade poética na arte brasileira que, como a pintura da artista revelou, seria movida pela disposição construtiva aprendida da arte moderna tanto quanto pelo seu inverso, a vocação para a tábula rasa, para embaralhar tudo, relativizar o peso excessivo e já normativo de determinada influência, recombinar e buscar novas sínteses culturais”.
Sônia Salzstein

Curiosidade sobre Tarsila

Tarsila adorava bichos. Ela tinha 40 gatos quando criança na fazenda. Uma delas, uma gatinha branca, chamava-se Falena.
Tarsila ficou amiga de Chico Xavier nos anos 60, depois da morte de sua única filha, Dulce (que morreu em 1966 de diabetes).

Beatriz, a única neta de Tarsila já tinha falecido no final dos anos 40, afogada. Chico Xavier trouxe a ela muita paz espiritual. Eles trocavam muitas cartas e sempre que estava em São Paulo, Chico visitava Tarsila.

 

Tarsila do Amaral - O Mamoeiro - 65 x 70 cm

Tarsila do Amaral – O Mamoeiro – 65 x 70 cm

Entrevista concedida a revista Veja (23/02/1972)

Leo Gilson Ribeiro

Veja – A senhora estava na Europa, durante a Semana. Mesmo assim, é considerada uma de suas figuras principais. Por que?

TARSILA - Embora eu estivesse na Europa, eu acho que participei da Semana de 22 pela carta que a Anita Malfatti me mandou, contando tudo, com todas as minúcias. Agora nem sei onde essa carta foi parar. Eu fiquei admirada do que ela me contou e com a grosseria do Monteiro Lobato quando falou sobre ela, sem compreender nada, muito reacionario, pois imagine que ele se julgava pintor, o Monteiro Lobato, sabe? Eu fiquei muito admirada: o que será esta coisa? A Anita ficou magoada com toda a ra zão, o Monteiro Lobato falava dos quadros dela como se fossem feitos por um burro com um pincel amarrado no rabo e conforme as moscas atormentavam o burro ele dava aquelas pinceladas assim na tela, não é?

Veja – Mas a Semana…

TARSILA - Nas vésperas de ir para a Europa eu aluguei meu atelier para um professor alemão, o professor Elpons, o único impressionista que estava no Brasil. Ele foi o único que me deu uma experiência dos quadros impressionistas porque aqui no Brasil não chegava nada, só através do professor Pedro Alexandrino, que esteve vinte anos em Paris e visitava muito, aqueles grandes pintores, que ele conhecia todos. Muita gente dizia: é perder tempo ir trabalhar no atelier de Pedro Alexandrino porque um passadista; mas ele tinha preparo, pensando bem não era perder tempo não.

Veja – Como a senhora descobriu o seu talento?

Tarsila do Amaral - Cartão Postal - 127,5 x 142,5 cm

Tarsila do Amaral – Cartão Postal – 127,5 x 142,5 cm

TARSILA - Eu comecei a trabalhar (em São Paulo) sob a direção de Pedro Alexandrino e não me fez nada de mal de ver que era uma coisa antiga, acadêmica, tinha aquele método antigo de copiar à fusain para exercitar a mão, fiz até a cabeça de um negro, ele queria que eu tivesse a mão muito firme e me dava então aquele papel muito grande para trabalhar, não é? ele ia me explicando tudo, fazer traços sem régua, sem nada. Comecei com o desenho, eu não era uma colorista no princípio, fazia cópias de gesso também, com sombreadodo, coisas de anatomia que tinha que copiar, conhecer bem. Ele trabalhava no Liceu de Artes e Ofícos e trazia aqueles modelos e era muito bom porque a pessoa aprendia anatomia e sabia as proporções, não é?

Veja – São Paulo era muito provinciana nas artes?

TARSILA - Ah, era, o gosto geral era pelas paisagens iguaizinhas à vida, era o reino da natureza morta também, as fulgurações do metal copiadas na tela, tão real! Isso não foi prejudicial para mim, foi uma fase preparatória. Quando cheguei na Europa fui logo para a Académie Julien, academia de nus, num grande salão, eu fui com meus trabalhos: uma cabeça de velho feita a pastel, depois uma holandesa com óleo já e o negro, que foi a carvão. Havia muitos ateliers e a moda era dos nus, punham o modelo só cinco minutos diante do artista para ele fazer rapidamente, eu gostava até porque já tinha prática. Depois fui estudar com um grande professor hors-concours, fazia exposições, gostava muito da minha pintura, agora me esqueci do nome dele. Ele chamava a atenção dos alunos para o que eu fazia, sabe? Eram muitos e como eu trabalhava rápido ele gostava e dizia para o atelier grande: Voyez ce qu´elle fait, comme c´est puissant (Olhem só o que ela faz, como tem força!) Eu voltei ao Brasil pouco depois da Semana, mas eu não gostava do que a Anita Malfatti fazia, era tudo assim muito deformado. Mas é claro que estava completamente chocada e contra o Monteiro Lobato. Depois, no fim do ano, a Anita foi trabalhar também com o Pedro Alexandrino, porque a mãe da Anita era muito passadista e vivia contra a filha e contra as inovações dela na pintura, dizia que aquilo não prestava. A Anita ficava muito desanimada da mãe se zangar por ela não fazer o parecido, a mãe não compreendia nada, era um horror!

Tarsila do Amaral - Antropofagia - 126 x 142 cm

Tarsila do Amaral – Antropofagia – 126 x 142 cm

Veja – A senhora achou um ambiente hostil quando voltou?

TARSILA - Eu cheguei nos primeiros dias de junho, vinha de navio, que não tinha a facilidade do avião, o Gago Coutinho é que ia atravessar o Atlântico logo depois. Mas era tão tranqüila a travessia por mar!… Eram os navios da Mala Real inglesa, os melhores, e logo passou algum tempo a França fez também o Lutèce e o Marsília. Não, não achei um ambiente hostil quando voltei. Eu recebia muitas pessoas, poetas, no meu atelier da rua Vitória. Era uma casa que pertencia à minha família mesmo.

Veja – A senhora era uma mulher muito bonita…

TARSILA - Quem? Eu? Bom, naturalmente, naquele tempo eu estava melhor do que estou hoje. Aí tive o encontro com o Oswald de Andrade, que era muito extravagante, falava mal de todo mundo, quando ele achava que uma coisa era engraçada, tinha que dizer mesmo que ofendesse os amigos, sacrifica tudo por um bon mot. Uma vez Paulo Prado brigou com ele e nunca mais quis falar com ele, sabe? Eu nem sabia por que, no entanto o Paulo Prado tinha feito um prefácio muito bom para o livro do Oswald, Pau-Brasil, editado lá em Paris. Quando o Oswald tinha uma coisa para dizer, ele não resistia mesmo e aí falou sobre a dona Veridiana Prado e dizem que ela não era, bem ariana, que ela tinha uma misturazinha lá e o Oswald falou daquela gloriosa mulata que a dona Veridiana Prado. Ora, o Paulo Prado era parente muito próximo, de maneira que nunca mais falou com o Oswald.

Veja – Ele brigou também com Mário de Andrade?

TARSILA - Brigou também. Depois ficou com saudade dele, pediu que eu escrevesse uma carta para o Mário, Oswald era muito temperamental, eu estava casada com ele e escrevi mas Mário respondeu que era impossível, que o Oswald o tinha ofendido demais, que ele estava muito ressentido, que não era possível, que comigo era diferente, ele sempre foi muito meu amigo, o Mário. Aí, quando o Oswald viu que ele não voltava mesmo às boas, continuou a falar mal do Mário. Era uma pena esse traço do caráter do Oswald… E com uma obra tão séria, não? as ilustrações dos livros fui eu que fiz todas.

Veja – O famoso Aba-Puru partiu daí?

Tarsila do Amaral - Primavera - 75 x 100 cm

Tarsila do Amaral – Primavera – 75 x 100 cm

TARSILA - Não, eu quis fazer um quadro que assustasse o Oswald, sabe? que fosse uma coisa mesmo fora do comum. Aí é que vamos chegar no Aba-Puru. Eu mesma não sabia por que que eu queria fazer aquilo… depois é que eu descobri. O Aba-Puru era aquela figura monstruosa que o senhor conhece, não é? a cabecinha, o bracinho fino apoiado no cotovelo, aquelas pernas compridas, enormes, e junto tinha um cacto que dava a impressão de um sol como se fosse também uma flor e ao mesmo tempo um sol e então quando viu o quadro o Oswald ficou assustadíssimo e perguntou: Mas o que é isso? Que coisa extraordinária! Aí imediatamente telefonou para o Raul Bopp, que estava aqui, e disse: Venha imediatamente aqui que é pra vocêver uma coisa! Aí o Bopp foi lá no meu atelier, ali na rua Barão de Piracicaba, um solar muito bonito que meu pai tinha comprado recentemente, o Bopp assustou-se também e o Oswald disse: Isso é como uma coisa como se fosse um selvagem, uma coisa do mato, e o Bopp foi da mesma opinião. Aí eu quis dar um nome selvagem também ao quadro, porque eu tinha um dicionário de Montoia, um padre jesuíta que dava tudo. Para dizer homem, por exemplo, na língua dos índios era Abá. Eu queria dizer homem antropófago, folheei o dicionário todo e não encontrei, só nas últimas páginas tinha uma porção de nomes e vi Puru e quando eu li dizia homem que come carne humana, então achei, ah, como vai ficar bem, Aba-Puru. E ficou com esse nome.

Veja -Então, a senhora foi a origem do movimento antropófago?

TARSILA - O Raul Bopp achou que devíamos fazer um movimento em torno desse quadro, achou esquisitíssimo, ele gostou muito e depois escreveu um livro interessantísimo sobre o linguajar indígena do Amazonas. Todos começaram a dizer que o Oswald é que tinha feito o Aba-Puru e criado o movimento antropofágico. Ele aceitou que dissessem que era de autoria dele, achou interessante.

Veja – Daí ele passou a datar documentos a partir do ano em que os índios tinham comido na Bahia aquele bispo, o bispo Sardinha?

TARSILA - É, e fizeram o movimento da antropofagia e aí todas as quartas-feiras o Chateaubriand (com pronúncia francesa) ofereceu uma página no jornal para o movimento. Então vinha o Geraldo Ferraz, que era conhecido como o açougueiro, falar de arte, não é? Era, sim, açougueiro porque antropofagia era comer carne, então ele é que contava e distribuía entre os leitores. Mas aí, como havia muita irreverência com as famílias que assinavam o Diário de São Paulo o Chateaubriand viu-se obrigado a pedir que não continuassem porque estava perdendo todos os leitores.

Tarsila do Amaral - Sol Poente - 54 x 65 cm

Tarsila do Amaral – Sol Poente – 54 x 65 cm

Veja – O Aba-Puru com aquela figura deformada, monstruosa, parece coisa de pesadelo.

TARSILA - Engraçado o senhor falar nisto, eu gosto de inventar formas assim de coisas que eu nunca vi na vida, mas não sabia por que que eu tinha feito o Aba-Puru daquela forma. Eu me perguntava: Mas como é que eu fiz isto? Depois uma amiga que era casada com o prefeito me dizia: Sempre que eu vejo Aba-Puru; me lembro de uns pesadelos que eu tenho, e eu então liguei uma coisa a outra, disse que devia ser uma lembrança psíquica ou qualquer coisa assim e me lembrei de quando nós éramos crianças na fazenda. Naquele tempo tinha muita facilidade de empregadas, aquelas pretas que trabalhavam para nós na fazenda, depois do jantar elas reuniam a criançada para contar histórias de assombração, iam contando da assombração que estava no forro da casa, eu tinha muito medo, a gente ficava ouvindo, elas diziam: daqui a pouco da abertura vai cair um braço, vai cair uma perna e nunca esperávamos cair a cabeça, abríamos a porta correndo e nem queríamos saber de ver cair a assombração inteira. Quem sabe o Aba-Puru é um reflexo disso?

Veja – Assim como o movimento antropofágico tinha relações com as culturas primitivas, dos índios, da África, etc., o Fernand Léger, com a sua temática de máquinas, fábricas, sociedade moderna, teve influência na sua pintura também?

TARSILA - Eu gostava muito da obra dele, fui muito amiga dele, mas não freqüentei o atelier do Léger, eu era amiga da mulher dele também, depois até inventaram que ele tinha desenhado brincos para mim, etc., imagine! Eu me inspirei em São Paulo mesmo, na sociedade fabril e foi uma novidade naquele tempo, no Brasil, o que eu fiz. E fui tão bem aceita, que o governo do Estado comprou a minha obra, sabe, um quadro grande, está em Campos do Jordão, imitando em cima uma fábrica. Na época de minha exposição no Rio tive um amigo pernambucano que me mandou todos os recortes da crítica quando foi exposto lá o Aba-Puru inclusive. Havia invenções incríveis, diziam que meu atelier era como o atelier do Renoir, cheio de nus e não sei o que mais e que eu mandava espalhar pelo atelier inteiro divãs cobertos de veludos roxos, cada uma! E me confundiam com a Anita Malfatti. Naquela época, o senhor imagina, uma jornalista do Rio chegou a escrever que o Oswald de Andrade nem chegara a se casar comigo! Falava de mim feito de um monumento de São Paulo, vale a pena conhecer TARSILA em São Paulo, virei atração turística, veja só! Quando meu casamento com o Oswald foi até um casamento de luxo, o Washington Luís esteve presente! Falavam de mim, de meus muitos amores!, até de lançadora de modas eu fui chamada. E claro, porque cada vez que eu voltava da Europa eu trazia as novidades, não é mesmo? Eu estava uma vez com um vestido lindíssimo, uma seda meio xadrez, com mangas bufantes e dois laços de fita bem largos, azuis (dona Anette mostra uma edição da Ilustração Brasileira e diz que foi em 1924) sabe? Foi o vestido que eu escolhi para o vernissage de obras minhas num conjunto de muitas salas, na rua Barão de Itapetininga, eu estava ali esperando os visitantes. Aí eu vi assim uma porção mesmo de rapazes que vinham na minha direção, como eu estava na porta eu perguntei: Os senhores querem entrar? Parecia que era o que eles queriam mesmo, e eu os recebi com muita cordialidade, convidei, mal eu sabia o que eles queriam fazer: todos vieram com giletes no bolso para arrasar com tudo o que eu tinha feito! Mas acho que me estranharam de ver num vestido assim tão bonito e não conseguiram o que pretendiam, não.

Veja – A senhora na sua infância morou em São Paulo ou no interior?

Tarsila do Amaral - Operários - 150 x 230 cm

Tarsila do Amaral – Operários – 150 x 230 cm

TARSILA - Quando eu era pequena eu morava numa fazenda, meu pai adorava tudo que era fazenda, comprava muitas terras, era um homem muito rico porque o pai dele também era conhecido na genealogia paulista como José Estanislau do Amaral, o Milionário. Ele começou a vida sem nada, fazendo óleo de mamona, tinha um ou dois escravos que o ajudavam a fazer isso e depois foi vendendo, foi melhorando, comprou fazendas, uma porção, vendia café em Santos também, onde ganhava muito com isso. Eu fui criada no campo, acho que é por isso que sou tão forte ainda com a minha idade. Na luta do braço (mostra o braço), até homem é difícil de me vencer, sabe?

Veja – E na sua pintura também está essa força da terra, do campo?

TARSILA - Exatamente. Sabe? Eu era pequena na fazenda e via minha mãe com muitos santinhos de igreja, já gostava de pintura, tanto que eu fazia as primeiras cópias mal feitas dos santos. São Franciso Xavier eu fiz quando eu tinha uns quatro anos. Adorava desenhar e viver rodeada de galinhas, de pintos e fazia um desenhozinho, de tudo que era animal que eu via. Aí me fizeram presente de uma gatinha branca, eu adorava gatos, chamava-se Falena, e ela arranjou muitos maridos e eu fiquei com quarenta gatos que me rodeavam miando, lá na fazenda de Capivari. Mas eu passava tempos também na fazenda de São Bernardo, que papai já tinha comprado naquela época, era uma casa muito grande e bonita e até foi vendo as letras da entrada da fazenda que eu fui aprendendo a ler. Sabe, eram letras quase do tamanho deste armário aqui. Minha mãe me ensinava: Olhe, isto aqui é um B, chama-se B esta letra, aqui é um A e eu me lembrava logo da forma das letras. Eu nem senti que estava sendo alfabetizada antes de entrar para a escola. E fazia também bonecas de mato: um mato que crescia com uns caules quadradinhos e dava flor, eu pegava e fazia com aqueles matos uma espécie de escultura, eu fazia braços e pernas e brincava com aquilo. Eu cresci nessa fazenda e como meu pai soube que ali perto tinha se estabelecido uma família belga, eram nobres Van Harenberg Val-mont, tinham uma filha de dezoito anos e, como eu tinha outros irmãos pequenos, papai mandou perguntar se a moça podia vir nos ensinar francês e ela veio mas não nos ensinou nada, mamãe é que ensinou portuguê para ela. O francês eu aprendi porque papai queria os filhos muito educados, então fomos para a Europa e nunca nenhum francês soube que eu não era francesa: me diziam sempre que eu falava completamente sem accent étranger, sabe?

Tarsila do Amaral - Floresta - 63,9 x 76,2 cm

Tarsila do Amaral – Floresta – 63,9 x 76,2 cm

Veja – Em Paris a senhora estava em contato com Picasso, com Apollinaire, com Breton?

TARSILA - Ah, estive, o Cocteau também era nosso grande amigo, eu fazia muitos almoços brasileiros no meu atelier em Paris, que o Paulo Prado descobriu que foi o atelier de Cézanne, na rua Moreau, num bairro até não muito recomendável, mas era tão difícil ter um atelier em Paris! Havia muitos artistas americanos, muitos estrangeiros e era difícil achar. O meu era no quinto andar, tinha que subir tudo a pé, não tinha
banheiro, era meio primitivo, banho mesmo era só no bain publique. Quem ia sempre era o Vila-Lobos e o Cocteau também freqüentava, diziam até que ele era muito bom musicista. Vila-Lobos então improvisava num piano de cauda que tinha lá no meu atelier, tocava uma coisa e o Cocteau dizia, fazendo careta de tédio: Non, ça n’est pas quelque chose de neuff! (Não, isso não é nada de novo!) Aí o Vila-Lobos tocava outra coisa e o Cocteau balançava a cabeça Não, isso não é inédito, até que se sentou embaixo do piano alegando que era pour mieux entendre (para ouvir melhor), mas nunca aprovando a música do Vila-Lobos, o folclore brasileiro para ele era déjà entendu (já ouvido). O senhor pode imaginar as brigas que se armavam, com o Vila-Lobos muito espalhafatoso, muito exuberante… Era um clima, aliás, de constantes discussões, porque eram de partidos literários, políticos, estéticos diferentes e dava aquelas confusões eternas…

Veja – A senhora teve uma vida muito rica; quando foi que a senhora se sentiu mais feliz?

TARSILA - Foi quando justamente meu pai comprou um solar, que havia lá na rua Barão de Piracicaba, porque minha mãe gostava de casa bem grande, era uma mansão mesmo e lá é que eu dava festas, fazia jantares e tinha dois rapazinhos de quinze para dezesseis anos e que eram garçons, eu trouxe uma adega excelente, que ninguém conhecia igual em São Paulo, escolhida peça por peça por um sommelier franoh com o nome de um artista conhecido, não me lembro agora, Maurice Chevalier? Não, ele se chamava Charles Boyer, acho que era o nome de um artista do cinema, não era?

Veja – De onde a senhora tira tanta força para viver? Uma queda a deixou presa na cama a maior parte do dia. Recentemente, perdeu a única filha. Logo depois, morreu sua única neta, afogada. A senhora é religiosa?

TARSILA - Ih, sou, sim. Sou muito devota do Menino Jesus de Praga, porque alcancei muitas graças com as orações a ele. É uma novena milagrosa, eu sei tudo de cor: Oh Jesus que dissestes: Pedi e recebereis, procurai e achareis, batei e a porta se abrirá, quando eu li isso eu fiquei arrepiada, sabe? de imaginar assim aquela porta se abrindo, se abrindo… Isso me inspirou um quadro de Jesus Menino com um negrinho, que simboliza os humildes, também com japoneses e índios, eu dei de presente para um padre que dirige um orfanato para crianças. Eu copiava oleografias sacras…

Veja – O Portinari começou também copiando santos.

Tarsila do Amaral - O Lago - 75,5 x 93 cm

Tarsila do Amaral – O Lago – 75,5 x 93 cm

TARSILA - Ah, tive uma desilusão com Portinari quando conheci um exegeta do cubismo em Paris e freqüentei mais de seis meses esse grande professor e acho que o Portinari não sabia fazer pintura cubista. Por exemplo: ele ia fazer o Tiradentes. Fez com pincel e nanquim, desenhado, e depois colocou pedaços de papel e colou em cima do desenho, isso nunca foi cubismo!

Veja – Além do sentimento religioso, há um tom de lembrança em sua pintura…

TARSILA - Um dos meus quadros que fez muito sucesso quando eu o expus lá na Europa se chama A Negra. Porque eu tenho reminiscências de ter conhecido uma daquelas antigas escravas, quando eu era menina de cinco ou seis anos sabe? escravas que moravam lá na nossa fazenda, e ela tinha os lábios caídos e os seios enormes, porque, me contaram depois, naquele tempo as negras amarravam pedras nos seios para ficarem compridos e elas jogarem para trás e amamentarem a criança presa nas costas. Num quadro que pintei para o IV Centenário de São Paulo eu fiz uma procissão com uma negra em último plano e uma igreja barroca, era uma lembrança daquela negra da minha infância, eu acho. Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, como um belo por-de-sol ou essa negra, eu estilizo.

Veja – A sua pintura, tão poética, é então uma evocação enternecedora de uma infância feliz?

TARSILA - Acho que o senhor não está longe de ter acertado.

Fonte: Almanaque Abril
Tarsila do Amaral, (b. September 1, 1886 in Fazenda São Bernardo. Capivari, São Paulo,- d. São Paulo on January 17, 1973).

 

Tarsila do Amaral - Abaporu - 85 x 73 cm

Tarsila do Amaral – Abaporu – 85 x 73 cm

 

Exposições Individuais

1926

Paris (França) – Individual, na Galerie Percier

1928

Paris (França) – Individual, na Galerie Percier

1929

Rio de Janeiro RJ – Primeira individual no Brasil, no Palace Hotel

1931

Moscou (Rússia) – Individual, no Museu de Arte Moderna Ocidental

1933

Rio de Janeiro RJ – Tarsila do Amaral: retrospectiva, no Palace Hotel

1936

São Paulo SP – Individual, no Palácio das Arcadas

1950

São Paulo SP – Tarsila 1918-1950, no MAM/SP

1961

São Paulo SP – Individual, na Casa do Artista Plástico

1967

São Paulo SP – Individual, na Tema Galeria de Arte

1969

Rio de Janeiro RJ – Tarsila: 50 anos de pintura, no MAM/RJ

São Paulo SP – Tarsila: 50 anos de pintura, no MAC/USP

1970

Belo Horizonte MG – Tarsila do Amaral, no MAP

Exposições Coletivas

1922

Paris (França) – Salon Officiel des Artistes Français

São Paulo SP – 1ª Exposição Geral de Belas Artes, no Palácio das Indústrias

1923

Paris (França) – Exposição de Artistas Brasileiros, na Maison de l’Amérique Latine

1926

Paris (França) – Salon des Indépendants

1928

Paris (França) – Salon des Indépendants

1929

Paris (França) – Salon des Surindépendants

1930

Nova York (Estados Unidos) – The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists no Internacional Art Center, no Nicholas Roerich Museum

Recife PE – Exposition de l’École de Paris

Rio de Janeiro RJ – Exposition de l’École de Paris

São Paulo SP – Exposição de uma Casa Modernista

São Paulo SP – Exposition de l’École de Paris

1931

Paris (França) – Salon des Surindépendants

Rio de Janeiro RJ – Salão Revolucionário, na Enba

Rio de Janeiro RJ – Exposição na Primeira Casa Modernista do Rio de Janeiro, na Rua Toneleros

1933

São Paulo SP – 1ª Exposição de Arte Moderna da SPAM, no Palacete Campinas

1934

São Paulo SP – 1º Salão Paulista de Belas Artes, na Rua 11 de Agosto

1937

São Paulo SP – 1º Salão de Maio, no Esplanada Hotel

1938

São Paulo SP – 2º Salão de Maio, no Esplanada Hotel

1939

Nova York (Estados Unidos) – Exposição Latino-Americana de Artes Plásticas, no Riverside Museum

São Paulo SP – 3º Salão de Maio, na Galeria Itá

1941

São Paulo SP – 1º Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, no Parque da Água Branca

1944

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana

Londres (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

Norwich (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

Rio de Janeiro RJ – Pintores Norte-Americanos e Brasileiros

São Paulo SP – Exposição de Pintura Moderna Brasileiro-Norte-Americana, na Galeria Prestes Maia

1945

Baht (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery

Bristol (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

Buenos Aires (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Salones Nacionales de Exposición

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery of Scotland

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

La Plata (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Museo Provincial de Bellas Artes

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Montevidéu (Uruguai) – 20 Artistas Brasileños, na Comisión Municipal de Cultura

Santiago (Chile) – 20 Artistas Brasileños, no Salones Nacionales de Exposición, na Universidad de Santiago

São Paulo SP – Galeria Domus: mostra inaugural

1946

Santiago (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile

Valparaíso (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon – prêmio aquisição e 2º prêmio nacional de pintura

1952

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

Santiago (Chile) – Exposición de Pintura, Dibujos y Grabados Contemporáneos del Brasil, no Museo de Arte Contemporáneo de la Universidad de Chile

São Paulo SP – Exposição Comemorativa da Semana de Arte Moderna de 1922, no MAM/SP

1953

São Paulo SP – 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados

1954

São Paulo SP – Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955

Pittsburg (Estados Unidos) – The 1955 Pittsburgh International Exhibition of Contemporary Painting, no Departament of Fine Arts, Carnegie Institute

1956

São Paulo SP – 50 Anos de Paisagem Brasileira, no MAM/SP

1957

Buenos Aires (Argentina) – Arte Moderno en Brasil, no Museo Nacional de Bellas Artes

Lima (Peru) – Arte Moderno en Brasil, no Museo de Arte de Lima

Rosário (Argentina) – Arte Moderno en Brasil, no Museo Municipal de Bellas Artes Juan B. Castagnino

Santiago (Chile) – Arte Moderno en Brasil, no Museo de Arte Contemporáneo

1959

Rio de Janeiro RJ – 30 Anos de Arte Brasileira, na Enba

1960

São Paulo SP – Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP

1962

São Paulo SP – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP

1963

Campinas SP – Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

São Paulo SP – 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal – sala especial

1964

Rio de Janeiro RJ – O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

Veneza (Itália) – 32ª Bienal de Veneza

1966

Austin (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na The University of Texas at Austin. Archer M. Huntington Art Gallery

New Haven (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, na na The Yale University Art Gallery

New Orleans (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no Isaac Delgado Museum of Art

Rio de Janeiro RJ – Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

San Diego (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no La Jolla Museum of Art

San Francisco (Estados Unidos) – Art of Latin America since Independence, no San Francisco art Museum

São Paulo SP – Meio Século de Arte Nova, no MAC/USP

1967

Nova York (Estados Unidos) – Precursors of Modernism in Latin America, no Inter American Art Center

1968

São Paulo SP – Coleção Tamagni, no MAM/SP

1970

Rio de Janeiro RJ – 8º Resumo de Arte JB

São Paulo SP – Mostra inaugural, na Galeria Astréia

1972

São Paulo SP – 2ª Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP

São Paulo SP – A Semana de 22: antecedentes e conseqüências, no Masp

São Paulo SP – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria Collectio

Cronologia

1886/1898

Cresce em fazendas nos dois municípios de Jundiaí e Capivari, no interior de São Paulo

1898

Muda-se para São Paulo

1901/1902

Estuda no Colégio Sion

ca.1902

Muda-se para Barcelona, Espanha, onde estuda no Colégio Sacré-Coeur. Faz suas primeiras experiências com pinturas, realizando cópias

1904

Retorna ao Brasil e casa-se com André Teixeira Pinto, vive na Fazenda São Bernardo e em seguida na Fazenda Sertão, aonde nasce sua filha Dulce em 1906

1913

Muda-se para São Paulo

1916

Estuda escultura e modelagem com William Zadig (1884 – 1952) e Mantovani

1917

Inicia estudo de desenho e pintura com Pedro Alexandrino (1856 – 1942)

1920

Estuda com o pintor Georg Elpons (1865 – 1939)

Viaja para Paris, onde freqüenta a Académie Julien, faz cursos livres de desenho e também estuda com Emile Renard (1850 – 1930)

1922

Viaja a estudos para a Espanha e a Inglaterra

Retorna ao Brasil e forma o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti (1889 – 1964), Mário de Andrade (1893 – 1945), Menotti del Picchia (1892 – 1988) e Oswald de Andrade

1922/1923

Viaja a estudo para Portugal, Espanha e Itália, com Oswald de Andrade. Conhece Blaise Cendrars (1887 – 1961) que os apresenta a Brancusi, Jean Cocteau, Satie, Gauthier e Valery Larbaud

1923

Em Paris, estuda com André Lhote (1885 – 1962), Fernand Léger (1881 – 1955) e Albert Gleizes (1881 – 1953)

Regressa ao Brasil

1924

Inicia a pintura Pau-Brasil

Acompanha o poeta Blaise Cendrars, com Oswald de Andrade, Olívia Guedes Penteado, Mário de Andrade, Godofredo Silva Telles, René Thiollier e Oswald de Andrade Filho, em viagem às cidades históricas de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos baseados em esboços feitos durante essa viagem

Com a revolução de 1924 refugia-se com a família na Fazenda Sertão

Ilustra Feuilles de Route – I. Le Formose, de Blaise Cendrars

1924/1925

Viaja, para a Itália, com Oswald de Andrade

Ilustra Pau Brasil, livro de poemas de Oswald de Andrade

Ao regressar ao Brasil passa a funcionar o salão da casa na Rua Piracicaba, em São Paulo, onde Tarsila e Oswald recebem os modernistas

1926

O casal viaja para preparar a exposição de Tarsila em Paris. Prosseguem a viagem pela Grécia, Turquia, Rodes, Cipres, Israel e Egito

1928

Pinta Abaporu, tela que inspira o movimento que surge com a publicação do Manifesto Antropófago na Revista de Antropofagia, desencadeado por Oswald de Andrade e Raul Bopp

1929

Com o crise econômica de 1929 o casal perde a Fazenda Santa Tereza do Alto, que ficará hipotecada até 1937

1930

Obtém seu primeiro emprego como diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo – Pesp, deixando o cargo com a mudança de governo

1931

Visita a União Soviética, com Osório César, e permanece alguns meses em Paris

1932

De volta ao Brasil, Tarsila é presa, em São Paulo, por aproximadamente um mês, por suas posições políticas e pela viagem à União Soviética

1932/1934

Participa da Sociedade Pró – Arte Moderna – SPAM

1933

Começa uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe

Realiza viagem com Osório Cesar para participar de congresso político em Montevidéu

1934

Inicia atividade na imprensa jornalística

1935

Muda-se para o Rio de Janeiro

1936

Inicia a publicação de artigos no Diário de S. Paulo também publicadas em O Jornal do Rio de Janeiro

1938/1973

Volta a viver em São Paulo, alternando sua vida entre a fazenda em Capivari e São Paulo

1940

A Revista Acadêmica dedica número especial em sua homenagem

1940/1944

Faz ilustrações para a série Os Mestres do Pensamento, dirigida por José Perez

1944

Belo Horizonte e Ouro Preto MG – Viaja por Belo Horizonte e Ouro Preto, Minas Gerais, em companhia de Alfredo Volpi (1896 – 1988), Mario Schenberg, Oswald de Andrade e outros

1945

Realiza uma série de gravuras para o livro Poesias Reunidas de O. Andrade, a pedido do autor, Oswald de Andrade

1947/1948

Faz ilustrações especialmente retratos de grandes personalidades para o jornal O Estado de S. Paulo

1952

Prêmio 1952 de Artes Plásticas da Municipalidade de São Paulo, organizado pelo Jornal de Letras

1954

Realiza o painel Procissão do Santíssimo, para o Pavilhão de História do Parque do Ibirapuera, a convite da Comissão do 4º Centenário de São Paulo

1956

Realiza painel Batizado de Macunaíma sobre a obra de Mário de Andrade para a Livraria Martins Editora

1961

Vende sua fazenda e instala-se definitivamente em São Paulo

1970

Premiada com o Golfinho de Ouro, melhor exposição de 1969.

 

Livros

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: BRAGA, ANGELA
Autor: REGO, LIGIA MARIA DA SILVA
Idioma: PORTUGUES
Editora: MODERNA EDITORA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS
Edição: 1ª
Ano: 1998
Encadernacao: BROCHURA

 

Tarsila do Amaral

 

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: AMARAL, ARACY
Editora: ACTAR – USA
Assunto: ARTES – ACERVOS E CATÁLOGOS

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CADERNO DE DESENHO
Autor: RODRIGUES, ANTONIO CARLOS
Organizador: ELUF, LYGIA
Editora: IMESP
Assunto: ARTES – DESENHO

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: BIOGRAFIAS BRASILEIRAS
Autor: SANTA ROSA, NEREIDE SCHILARO
Editora: CALLIS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila do Amaral

TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: AMARAL, ARACY A.
Editora: FINAMBRAS
Assunto: ARTES

 

Tarsila do Amaral - A primeira dama da arte brasileira

TARSILA DO AMARAL
A PRIMEIRA DAMA DA ARTE BRASILEIRA
Formato: Livro
Coleção: APRENDENDO COM ARTE, V.1
Autor: AZEVEDO, HELOIZA DE AQUINO
Editora: MECA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila do Amaral - A modernista

TARSILA DO AMARAL – A MODERNISTA
Formato: Livro
Autor: GOTLIB, NADIA BATTELLA
Editora: SENAC SAO PAULO
Assunto: ARTES

 

Brincando com arte - Tarsila do Amaral

BRINCANDO COM ARTE – TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: BRINCANDO COM ARTE
Organizador: BRAGA-TORRES, ANGELA
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Correspondencia Mario de Andrade - Tarsila do Amaral

CORRESPONDENCIA MARIO DE ANDRADE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CORRESPONDENCIA
Autor: ANDRADE, MARIO DE
Organizador: AMARAL, ARACY A.
Editora: EDUSP
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

 

O anel magico da tia Tarsila

O ANEL MAGICO DA TIA TARSILA
Formato: Livro
Autor: AMARAL, TARSILA DO (1964-)
Editora: CIA DAS LETRINHAS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – LITERATURA INFANTIL

 

Ai vai meu coracao - Cartas de Tarsila do Amaral

AI VAI MEU CORAÇAO – CARTAS DE TARSILA DO AMARAL E
ANNA MARIA MARTINS PARA LUIS MARTINS
Formato: Livro
Autor: MARTINS, ANA LUISA (1953-)
Editora: PLANETA DO BRASIL
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

 

Cronicas e outros escritos de Tarsila do Amaral

CRONICAS E OUTROS ESCRITOS DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Organizador: BRANDINI, LAURA TADDEI
Editora: UNICAMP
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA – CONTOS E CRÔNICAS

 

Uma aventura no mundo de Tarsila

UMA AVENTURA NO MUNDO DE TARSILA
Formato: Livro
Coleção: LER ARTE
Autor: DUARTE, NEIDE
Editora: EDITORA DO BRASIL -D
Assunto: INFANTO-JUVENIS – LITERATURA INFANTIL

 

Catalogo Raisonne - Tarsila do Amaral

CATALOGO RAISONNE – TARSILA DO AMARAL, 3 VOLUMES
EDIÇAO BILINGUE – PORTUGUES/INGLES
Formato: Livro
Organizador: SATURNI, MARIA EUGENIA
Editora: BASE 7
Assunto: ARTES

 

A infancia de Tarsila do Amaral

A INFANCIA DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Autor: CARUSO, CARLA
Editora: CALLIS
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Contando a arte de Tarsila do Amaral

CONTANDO A ARTE DE TARSILA DO AMARAL
Formato: Livro
Coleção: CONTANDO A ARTE
Autor: TORRES, SYLVIA
Editora: NOOVHA AMERICA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Encontro com Tarsila

ENCONTRO COM TARSILA
Formato: Livro
Coleção: ENCONTRO COM A ARTE BRASILEIRA
Autor: ACEDO, ROSANE
Autor: ARANHA, CECILIA
Editora: FORMATO
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Tarsila por Tarsila

TARSILA POR TARSILA
Formato: Livro
Autor: AMARAL, TARSILA DO (1964-)
Editora: CELEBRIS
Assunto: ARTES

 

Videos

Tarsila do Amaral – Entrevista 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922 ( TV Tupi, 1972)

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Sobre o autor

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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