Osgemeos

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“Nós somos uma única pessoa: Nós criamos um mundo paralelo e vivendo nele, para nós, é completamente natural. Estamos em sintonia 24 horas por dia”

A dupla, mais conhecida como Osgemeos, nunca freqüentou um curso de artes, mas desenvolveu um estilo extremamente singular e reconhecível, venerado pelos amantes do grafite. Os traços delicados e expressivos dos desenhos dos Gêmeos dão um tom quase infantil à obra.

Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, têm seus grafites espalhados por lugares do mundo inteiro, como Estados Unidos, Europa, Chile e Cuba.

Osgemeos - Foto artistas

Osgemeos – Foto artistas

Com convites para inúmeras exposições, os dois grafiteiros mal param no bairro do Cambuci, São Paulo, onde moram – e onde muitos dos seus trabalhos chamativos e coloridos estão expostos. Uma das obras mais recentes dos irmãos artistas no Brasil é o projeto Expresso Arte, em que pintaram a superfície de trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em conjunto com os grafiteiros Ise e Nina.

O trabalho d’Os Gêmeos já ultrapassou as barreiras do grafite nas ruas e chegou a museus do mundo inteiro. Nas exposições, além dos painéis, encontram-se esculturas gigantescas, carros e instrumentos musicais (que funcionam!) customizados. E não são para desbravar só com os olhos: na maioria das obras, sempre é possível uma interação: pode-se tocar, manusear e, nas peças maiores, como barcos, caixas e túneis, a entrada é permitida e incentivada.

Osgemeos - Biografia

Gustavo e Otávio Pandolfo mais conhecidos como “osgemeos” nasceram em 1974. Desde pequenos a maneira de brincar e construir os cenários onde seus personagens habitavam era minuciosa. Desmontado as peças originais de presentes que ganhavam, os irmãos refaziam com toda a delicadeza um outro universo. Com três anos de idade os lápis de cor e a imaginação já estavam presentes nos jogos e em todos os papeis espalhados pela casa. Desenhavam na mesma folha de papel e quando não, escolhiam os mesmo temas para ilustrar. O incentivo para mergulhar no mundo criativo que existia dentro deles sempre esteve presente na família, composta de outros artistas, como o irmão mais velho Arnaldo e a mãe Margarida. Também foram o pai e os avós que trouxeram a tona uma forma de apresentar ao mundo real toda a ânsia criativa que lhes transbordava.

Osgemeos - Foto artistas

Osgemeos – Foto artistas

O graffiti entrou na vida dos irmãos em 1986, quando ainda viviam na região central de São Paulo onde passaram sua infância e adolescência. A cultura hip hop chegava ao Brasil e os jovens do bairro começaram a colorir suas idéias nos muros da cidade. Naquela época, com apenas 12 anos, tudo era novidade e sem ter de onde tirar suas referencias, Gustavo e Otavio improvisavam e inventavam sua própria linguagem, pintando com tintas de carro, látex, spray e usando bicos de desodorante e perfume para moldar seus traços; já que ainda não existiam acessórios e produtos próprios para a prática. O que a cidade proporcionou a eles foi essencial para o desenvolvimento de todas as habilidades que se transformaram depois no estilo próprio e imediatamente reconhecível dos artistas. Uma infância criativa, que rendeu duas vidas ao mundo da arte contemporânea.
O graffiti atuou sempre como uma válvula de scape para a dupla. Uma maneira que encontraram de criar um mundo onde só se pode penetrar através de suas mentes e onde tudo funciona pela lógica própria de Tritrez, o universo habitado pelos personagens amarelos, onde brilha e reina a sintonia entre todos os seus elementos. Cada parte e cada detalhe esta mergulhada na magia que envolve a imaginação dos irmãos.

Centrada na construção de um imaginário próprio e peculiar, sua obra mescla elementos do folclore nacional com outros ligados ao desenvolvimento da arte nascida nas ruas. As telas seguem a tradição do retrato, com personagens centrais em padrões multicoloridos e envoltos numa aura surreal. As instalações oníricas incorporam carros, barcos e bonecos cinéticos gigantes à pintura de parede em grande escala.

Novos ventos começaram a sobrar em 1993 com a visita ao Brasil do artista plástico e grafiteiro Barry Mgee (Twist), de São Francisco. Mgee que chegou em São Paulo para realizar uma exposição de arte contemporânea mostrou aos irmãos a possibilidade de viver fazendo o que se gosta. Nesta época por diversão Gustavo e Otavio, que acabavam de completar 19 anos, já haviam começado a desenvolver um estilo próprio e a fazer trabalhos publicitários e decoração em lojas e escritórios com seus graffitis. Começavam desta forma a viver única e exclusivamente deste maravilhoso dom que ocupava quase 100% de seus seres.

Osgemeos - Foto artistas

Osgemeos – Foto artistas

Em 1995, como experimento, realizaram uma exposição conjunta sobre arte de rua no MIS – Museu da Imagem e do Som – de São Paulo e um ano depois uma pequena mostra de algumas peças e instalações em uma casa na Vila Madalena.

Mas a vida como artistas plásticos com o estilo já quase completamente maduro aconteceu pouco tempo depois em Munique (Alemanha) a convite de Loomit, grande nome do mundo do street Art que descobriu a dupla brasileira em uma revista internacional sobre o tema. Com este convite, a dupla embarcou em uma viagem sem volta pelo mundo realizando projetos em parceria com outros artistas e finalmente em 2003 a primeira exposição solo na galeria Luggage Store , em São Francisco.

Um grande salto veio quando os artistas entraram para a galeria Deitch Projects de Nova York em 2005, onde suas obras tomaram forma dentro do mercado de arte contemporânea. No momento em que ingressaram para o universo das galerias, a dupla pode trazer suas criações para um mundo muito além das ruas. Com isso, suas idéias tomaram formas tridimensionais em esculturas e instalação feitas de maneira peculiar com todos os elementos e detalhes que se podem acrescentar quando um desenho pula do papel e chega ao mundo real. Apenas depois de um ano, já com um nome forte no exterior, OSGEMEOS fizeram sua primeira exposição no Brasil na Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo.

Em 2007, Osgemeos foram convidados a pintar o castelo histórico de Kelburn, em Ayrshire, um dos mais importantes da Escócia. Em 2008, a dupla pintou a famosa fachada, às margens do Tamisa, do prédio da Tate Modern de Londres, templo da arte contemporânea internacional. Em junho deste ano, eles coloriram,

Osgemeos

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em Nova York, o grande muro pintado por Keith Haring em 1982, que imortalizou o cruzamento da Bowery com a Houston. O trabalho, uma homenagem ao 50º aniversário do artista, rendeu à dupla excelente crítica de Roberta Smith no NY Times: “Um mural fantástico e épico; um sonho de felicidade traçado à melancolia. Realismo mágico”.

A imaginação são as asas que osgemeos utilizam para ir aos mais divertidos e ilusórios lugares que habitam suas mentes. É a porta aberta e o convite para mergulhar no humor e nas delicias de poder criar um mundo da nossa própria maneira e com todas as cores e fantasias que se possa imaginar.

 Curiosidades

Livro – OS GEMEOS – MUSEUM HET DOMEIN SITTARD

Conhecidos como “Os Gemeos”, os irmãos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo são grafiteiros de São Paulo, Brasil. Seus personagens de pele amarela tornou-se um estilo próprio, que lhes deu o reconhecimento no cenário mundial. Este livro é um catálogo ilustrado da exposição intitulada “The Flowers in this Garden were Planted by my Grandparents” (As flores neste jardim foram plantadas por meus avós). A exposição foi realizada no Museu Het Domein Sittard, Holanda, em 2007. Suas obras e de outros são apresentados, acompanhados de fotografias, fontes de inspiração e momentos capturados com amigos e estranhos.

Osgemeos

Osgemeos

Entrevista

Após passar por Curitiba e Rio de Janeiro, a exposição Vertigem, da dupla de grafiteiros Os Gêmeos, chega a São Paulo com obras feitas especialmente para a ocasião. De sábado (24) a 13 de dezembro, o Museu de Arte Brasileira da FAAP recebe os grafites dos irmãos Otávio e Gustavo, que em entrevista para o Virgula falaram sobre seu repertório, a crescente aceitação da arte urbana e até sobre o controverso caso da gaúcha Carolina Pivetta – condenada por ter pichado as paredes da 28ª Bienal.

“É triste e muito injusto. Na real, foi a única coisa bacana que aconteceu nesta Bienal, que por sinal foi uma vergonha! Vergonha para o Brasil e para os artistas brasileiros por aceitarem isso, um espaço vazio”, lamentam os artistas sobre o episódio. “Na real, a ação dos pixadores foi o que levantou o Ibope deste espaço vazio, caso contrário estaria esquecido”, acreditam.

Mural / Łodz, Osgemeos and Aryz

Mural / Łodz, Osgemeos and Aryz

Confira a entrevista com a dupla na íntegra:

Virgula: Quando vocês começaram a grafitar, quais eram suas referências de arte?

Osgemeos: Nós começamos a grafitar no início dos anos 80, no bairro do Cambuci em São Paulo. Na época, nossas referências eram a cultura hip hop, mas logo fomos buscando outras influências, como a própria cultura brasileira, folk art, arte popular, nossos sonhos, Tritrez e a cidade. As viagens também influenciaram muito o nosso trabalho.

V: O que estimulava vocês?

Osgemeos: A necessidade de expressar através de nossa arte é a nossa ferramenta, nossa maneira de dizer as coisas, de dizer o que gostamos e o que não gostamos, de criticar, questionar, reivindicar, transformar. Viver, amar, familia, amor, amigos, a cidade, improviso, caos, sexo, desenhar, grafite, Deus, natureza….

V: Quem são essas figuras que vocês gostam de pintar? Qual a inspiração por trás delas?

Osgemeos: São personagens desse nosso mundo chamado Tritrez. Mundo que vivemos dentro de nossas cabeças… Às vezes, pintamos personagens que retratam o cotidiano, situações que fazem parte de nosso dia a dia, situações com que as pessoas se identificam. Mas, na maioria das vezes, pintamos personagens de um mundo muito longe daqui – em uma outra dimensão, em equilíbrio constante com o céu alaranjado e a brisa suave do orvalho soprado dos ventos que vêm às vezes do sul; um lugar onde os vagalumes iluminam a noite, e os peixes bioluminescentes iluminam os mares.

V: Por que tantos de seus personagens têm esse tom de pele amarelado?

Osgemeos: Porque existe um céu alaranjado lá em cima por trás das nuvens cinzas…

Osgemeos - Giant Boston

Osgemeos – Giant Boston

V: De todas as intervenções que já fizeram, em trem urbano, muros, paredes de prédio, quais os pontos altos de sua carreira?

Osgemeos: Achamos que todos os momentos são especiais, mesmo aquele em que você está descobrindo, abrindo portas, conquistando, defendendo, doando… Sempre existirá um momento mágico, acho que é muito do estar bem com você mesmo. É saber que Deus preparou tanta coisa na nossa vida.

Pintar é só uma consequência disso que esta dentro de nós, essa essência sempre estará lá. É aquela coisa de você estar feliz e bem com uma simples caneta Bic e um pedaço de
papel.

Nós já fizemos muitos projetos maravilhosos, adoramos todos. Todos têm seu momento de êxtase, de equilíbrio. Podemos citar os últimos três (Tritrez), que acho que foram muito importantes para nós: tour com Slava Polunin, no Haway; Burning Man 2009 e o encontro com Mark Bode.

V: Vocês acham que a arte urbana perde um pouco da graça numa galeria de arte tradicional?

Osgemeos: Como diz o nome, a arte urbana “grafite” deve estar na rua. O que fazemos nas galerias não é grafite.

V: O grafite/arte de rua virou a cara de São Paulo? Vocês acham que as autoridades de SP hoje entendem o grafite e o apoiam como se deveria?

Osgemeos: O grafite em São Paulo sempre foi visto como arte pela sociedade, até mesmo na época do Jânio Quadros, que odiava grafite. Muita coisa mudou, a cidade, seus “filhos” mudaram, as manias e improvisos da cidade mudaram, as leis, a desorganização. O grafite resiste há mais de 20 anos, mesmo mudando a prefeitura de quatro em quatro anos, sempre esteve vivo e lutando para sobreviver mais um dia na rua…

A atual prefeitura vem reconhecendo que esta arte faz parte de nossa cidade, é internacionalmente reconhecida e que devemos preservá-la, é uma luta muito grande, nós, Os Gêmeos, já tivemos várias reuniões com eles para tentar preservar os grafites que estão na rua, e eles sempre nos receberam de portas abertas. Mas, às vezes, quando estamos quase conseguindo parar o tal “caminhão do cinza”, acontece alguma coisa e eles são obrigados a irem lá e apagar de novo. É triste. Mas existem pessoas boas e muito inteligentes dentro da atual Prefeitura que deram o devido valor a esta arte e que passaram a respeitá-la e preservá-la.

Osgemeos - Projeto Whole Train em São Luis/ Maranhão

Osgemeos – Projeto Whole Train em São Luis/ Maranhão

V: Existe algum traço comum que vocês identificam na arte urbana de SP, quando comparada à arte urbana de outras cidades?

Osgemeos: Sim, quase tudo. Desde o estilo (desenho) às formas de pintar, técnicas, leis…

V: Que acham da condenação de quatro anos de detenção dada à “pichadora da Bienal”, Carolina Pivetta?

Osgemeos: Muito Brasil isso, né? É triste e muito injusto. Na real, foi a única coisa bacana que aconteceu nessa Bienal, que por sinal foi uma vergonha! Vergonha para o Brasil e para os artistas brasileiros que aceitarem isso, um espaço vazio. Como alguém que – só pode ser “alguém” – deixa um espaço inteiro vazio e chama isso de arte? Na real, a ação dos pixadores foi o que levantou o Ibope deste espaço vazio, caso contrário estaria esquecido.

Com tantos artistas bons, como pode alguém aceitar uma proposta como essa da Bienal? Cadê a criatividade? Cadê o talento? Conceitos são portadores de significados, que significado foi esse então? Está tudo errado!

V: O brasileiro entende melhor o grafite hoje em dia?

Osgemeos: Sempre entendeu, mas hoje tem mais foco por conta de suas conquistas e reconhecimentos internacionais.

V: Um gêmeo poderia descrever o outro para a gente?

Osgemeos: Um gêmeo é o outro gêmeo e vice e versa.

V: Como a arte brasileira (arte de rua) é vista lá fora? Digo arte brasileira feita por brasileiros e ainda com reflexões da cultura social brasileira.

Osgemeos: Eles [os gringos]são bem críticos em relação a isso, pois estão há mais de 30 anos expondo arte de rua. Porém, para se conseguir um lugar neste mundo, tem que ser bom, ter conteúdo, estilo, ser diferente. Lá fora tudo se descarta muito rápido. Para permanecer, tem que realmente ser bom. Mas de um modo geral é muito bem visto e aceito.

Curiosidades

Osgemeos

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Os Gemeos

Grafitagem no trem da Vale é a ação de mais uma edição do Projeto WholeTrain

Os vagões do trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás (EFC) estão de visual novo. Eles foram grafitados pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos como Osgemeos. A ação é a mais recente edição do Projeto WholeTrain, que leva a arte da dupla e de seus parceiros a ferrovias de diferentes cantos do país desde 2002. A iniciativa da Fundação Vale em levar o trabalho de Osgemeos para a EFC, que liga Parauapebas (PA) a São Luís (MA), faz parte de sua estratégia de ampliar o acesso à cultura nos territórios onde a Vale está presente. A proposta do WholeTrain é usar vagões como suporte para a arte urbana, promovendo assim uma exposição itinerante ao longo dos 892 km da EFC, que corta ao todo 25 municípios entre os dois Estados.

Além de ver os carros grafitados pelo WholeTrain, professores e estudantes das cidades de Alto Alegre do Pindaré, Açailândia, Marabá e Parauapebas poderão participar de oficinas de arte-educação inspiradas no projeto e alinhadas à iniciativa da Fundação Vale de estreitar o contato de crianças e adolescentes com a arte.

O projeto WholeTrain faz parte de uma parceria entre a Fundação Vale e Osgemeos, com patrocínio da Vale, que teve início com a exposição Fermata, realizada entre outubro do ano passado e fevereiro 2012 no Museu Vale, em Vitória (ES).

O projeto também já passou pelas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, João Pessoa e Natal.

Na EFC, Osgemeos foram acompanhados por outros sete artistas urbanos.

Entrevista ao Bomb

Otávio e Gustavo Pandolfo, OSGEMEOS aka, são gêmeos idênticos, cujo trabalho um pode ter chegado através sem saber, em um de maneira apressada em outro lugar. Esta não é uma hipérbole, graffiti e murais de osgemeos existir ao redor do globo: na sua nativa São Paulo, Atenas (onde criaram um mural para os Jogos Olímpicos de 2004), Berlim, Barcelona, Escócia, San Francisco, Los Angeles, Coney Island, e até Williamsburg. OSGEMEOS contornar as armadilhas da cultura de rua por não discriminar entre as paredes interiores e exteriores. Eles são tão confortável deixando sua marca nas ruas como eles estão fazendo pinturas sobre madeira e tela para ser exibido em galerias, e abater suas imagens tanto de arte marginal, o folclore brasileiro e da cultura do hip-hop mundial, a partir de sua própria mitologia privada. Sua produção multifacetada, que inclui esculturas e instalações, faz todo o sentido do mundo: a sua é uma prática artística vezes dois.

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BOMB – Você estudou arte? Como você começar a fazer graffiti? Fez um contexto particular inclinação você para intervir no espaço público, em outras palavras, se você pretende envolver-se em uma forma de crítica social?

OSGEMEOS - Tivemos uma escolaridade até o ensino médio e começou a estudar arte em nossa própria quando tinha cinco anos de idade. Foi a maneira que nós nos divertir na rua, a maneira como iria jogar fora. Tudo foi sempre muito intenso e vibrante. Usando o espaço público era a nossa maneira de dialogar, direta ou indiretamente, com outras pessoas. O simples ato de interferir no espaço público já implicou uma crítica, mudando alguma coisa. Ninguém tinha para nos dizer o que fazer ou quando e onde fazê-lo. É aquela velha história, se você não usar a rua ele vai acabar te usando. No Brasil, há uma série de coisas que precisam ser ditas e exposto: não há violência, a corrupção, a falta de segurança. Muito pouco é feito para mudar as coisas. Parece que as pessoas no Brasil ou acomodar-se à realidade, fugir ou fingir que não vê. Para intervir no espaço público era a nossa maneira de falar.

BOMB – Há uma grande tradição de pintura mural em toda a América Latina. Você pode nos dizer sobre a iconografia que você usa, as representações do folclore brasileiro em suas imagens? Como você chegou a sua visão?

OSGEMEOS - Brasil é um país que não tenha sido totalmente descoberto. Hoje ele ainda está sendo saqueada, usado, vendido. No meio de milhares de problemas, as pessoas aprenderam a ser feliz, a aceitar certas condições e rejeitar outros, para ser radical com relação a algumas questões e manter o silêncio sobre os outros. O Brasil é um país de sangue quente, onde, como se costuma dizer, de acordo com este modo de vida, aprendemos a improvisar “um não precisa de muito para ser feliz.”: Um problema sério pode se transformar em uma piada, piadas podem virar em problemas. O nosso é um país em que as pessoas aprenderam a fazer muito com muito pouco. Para improvisar é a melhor maneira de fazer arte. América do Sul vive da improvisação. O Brasil é um país de grande miscigenação de povos, raças, crenças, folclore, cultura popular, alimentos, etc. É como se houvesse muitos mundos dentro de um mundo maior chamado Brasil.

BOMB – Em muitas de suas pinturas, em vez de encontrar as grandes figuras heróicas de murais tradicionais, encontramos um pouco diminuídos figuras masculinas. Por quê?

OSGEMEOS - Você sabe como antes de dormir você abre seu diário e você escrever o que você fez, como o seu dia foi, seus pensamentos, seus desejos e tristezas? Você deixá-lo no travesseiro e dormir. No dia seguinte você decidir abrir seu diário e mostrar tudo o que tenho sentido a toda a sua família, seus amigos, conhecidos e estranhos. Felizmente, a cada dia que passa é mais um dia em que o diário chamado vida. Acreditamos no caminho que decidiu seguir. É como se estivéssemos vivendo dentro de um jogo, 24 horas por dia.

Não importa o que acontece, o show deve continuar: Às vezes estamos rindo, mas com vontade de chorar e outras vezes estamos chorando, mas sinto vontade de rir, às vezes gritamos em silêncio, às vezes, falamos para as paredes, às vezes ouvimos, às vezes nós ‘está feliz e às vezes estamos tristes, às vezes estamos distantes de tudo. A pintura é muito parecido. Ela pode ser interpretada de mil maneiras diferentes, e que lhe dá liberdade para jogar. Nós descobrimos que o nosso modo de manter um diário foi através da pintura, fazendo esculturas e de construção.

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BOMB – Você lê quadrinhos? Suas imagens trazê-los à mente, embora eles também se relacionam com a cultura vernacular.

OSGEMEOS - Temos milhares de influências. Cada segundo de cada hora de cada dia nos é apresentado com informação: filmes, aromas, gostos, etc, que nos inspiram. Nós vamos te contar uma história: um dia nós em nosso estúdio esperando para ver algum tipo de luz, e nós vimos, da janela, esta luz que vem até nós e se aproximando. Meu irmão pegou minha mão e disse: “Vamos.” Abrimos a janela e vi um caminho e sabia que tinha que segui-lo sem medo. Quando você realmente acredita que pode voar, você é capaz de voar!

Bomb – Como Vik Muniz, disse sobre o seu trabalho, no deslocamento, desafia as noções de que rua e arte dizer. Parece que brotam de uma interação intensa entre alta cultura e popular, bem como de uma necessidade de percepções ponte de cultura, classe e valor estético. Você parece ser tão confortável na rua, como no circuito de galeria comercial. Já houve qualquer debate em torno de seus exibindo pinturas reais em galerias? Você ainda está fazendo graffiti?

OSGEMEOS - Nós tivemos a oportunidade de aprender, ver e refletir a partir de ambos os lados, podemos chegar a nossas próprias conclusões. Nós aprendemos a não nos iludir e outros com olhos doces não idolatrar nossa própria arte. Aprendemos a procurar um equilíbrio na nossa produção, para que o nosso trabalho pode participar desses dois mundos muito diferentes. Durante muito tempo o nosso graffiti era parte da cena urbana e estava sempre no meio de pessoas: pobres, ricos, felizes, tristes, pessoas distraídas. As pessoas passavam por nossas pinturas e às vezes os notou, mas muitas vezes não. Para entrar no cenário da arte contemporânea foi divertido, talvez mais porque o nosso primeiro show foi com uma galeria Deitch Projects, dos EUA, em Nova York. Alguns anos depois, tivemos o nosso primeiro show em São Paulo, no Vilaça Fortes Galeria. Pessoas de todas as classes sociais visitaram o nosso show. Crianças veio. Foi divertido e bom de estar perto e experimentar coisas de perto, de longe. . . .

Estamos muito entusiasmados com tudo o que nos aconteceu. Sabemos como manter as coisas separadas. O universo da rua não pode ser comparada com a da galeria, no mínimo. É como uma escala. Vamos dar um exemplo: é como mergulho sem um tanque de oxigênio. Você mergulhar na água e encontrar um universo inteiro à espera de ser descoberto, e uma infinidade de coisas bonitas, misterioso e perigoso, mas o seu corpo precisa de algum oxigênio para subir à superfície e olhar para cima e encontrar outra bela, misteriosa e universo perigoso para ser descoberto. Temos muitas ideias e coisas para dizer, e nós estamos gradualmente descobrindo maneiras diferentes de expressá-las.

BOMB – Vik observou que há uma comunhão perfeita entre o dois de você. O que você cada um contribuir para o processo criativo? Você acha diferente? Alguma vez você quer trabalhar por conta própria?

OSGEMEOS - Todos nós temos a nossa privacidade, por vezes, os nossos gostos diferentes e maneiras de fazer as coisas, mas quando se trata de osgemeos.  Nós somos uma única pessoa: Nós criamos um mundo paralelo e vivendo nele, para nós, é completamente natural. Estamos em sintonia 24 horas por dia.

Osgemeos

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Entrevista a Revista TPM

Por Cirilo Dias

Enquanto o nosso querido prefeito Gilberto Kassab insiste em “limpar” os grafites da cidade de São Paulo com tinta cinza, os grafiteiros Otavio e Gustavo Pandolfo, Os Gêmeos, aportam em Madri para inaugurar mais uma exposição. “Sonhei que tinha sonhado” traz os famosos personagens de rosto amarelo estampados em portas, armários, utensílios de cozinha, e algumas instalações multimídias. De Barcelona, por telefone, Gustavo Pandolfo trocou uma idéia com a Tpm.

Como foi que surgiu a idéia de realizar esta exposição?

Partiu de um convite da galeria Pilar Parra & Romero. Eles conheceram nosso trabalho através da galeria Fortes Vilaça (São Paulo) e da Deitch Projetc (Nova Iorque). Eles queriam fazer uma exposição nossa na Espanha e foi bem simples. Aproveitaram a época da Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri (Arco). Foi bacana porque além da nossa exposição solo, rolou também no estande deles e da Fortes Vilaça na Arco.

E a inspiração veio de onde?

O tema da exposição é uma frase de uma música do Siba (Siba e a Fuloresta). A gente já vem trabalhando meio que em parceria, fizemos as artes do último disco dele.

E como foi desenhar em móveis, órgãos?

Ultimamente a gente vinha experimentando bastante como usar o tridimensional em nossas obras, e coisas ligas à música. Não tocamos nenhum instrumento, mas gostamos muito de músicas experimentais, do trabalho do Siba e a Fuloresta, que acho que tem uma coisa muito raiz do nosso país, essa coisa de improviso. E o nosso trabalho é influenciado por isso. Na instalação “O músico”, as pessoas podem ir e tocar o órgão que fica ligado nas caixas de som.

E como foi a repercussão da exposição?

Foi superpositiva. Montamos tudo no sábado, ia abrir na terça-feira, e no sábado mesmo todas as peças já haviam sido vendidas. Como era época da Arco, vários colecionistas do mundo entraram em contato com a galeria e compraram tudo.

E tem previsão dela vir pro Brasil?

Não tem. Parte dessa exposição veio de um museu da Holanda, o Het Domain, e depois iria para Nova Iorque, se todas as peças não tivessem sido vendidas, então vamos montar uma nova lá em julho. No Brasil por enquanto não tem previsão.

Osgemeos

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E o que você acha dessa atitude da Prefeitura de São Paulo “limpar” os grafites com tinta cinza?

Achamos bem triste, na verdade. Nosso trabalho nasceu nas ruas de São Paulo. Por causa dele fomos convidados para fazer exposições, reconhecidos pelas pessoas como artistas. Fazemos o mesmo trabalho dentro de galerias de arte contemporâneas, e são vendidos, têm o respeito que tem… E em São Paulo isso passa despercebido. A gente trabalha com uma das melhores galerias da América Latina, que é a Fortes Vilaça, só que a prefeitura não quer saber. O Lorde de Glasgow pede pra você fazer um trabalho num castelo na Escócia, coloca a bandeira do Brasil no topo do castelo, uma puta homenagem para o Brasil, e o próprio Brasil não reconhece isso como arte.

Triste, não é?

Isto é o retrato de onde a gente vive. Em São Paulo acontece isso porque é o retrato de quem governa, de quem toca a cidade, então é difícil lutar contra isso. A gente sempre fez um trabalho consciente na rua, de não prejudicar ninguém, de querer embelezar a cidade, presentear com arte, cultura. Só que agora existe essa bobeira de apagar e pintar tudo de cinza.

Alguma solução que agrade prefeitura e grafiteiros?

Eu acho que São Paulo deveria ser como sempre foi. Não existir repressão contra esse tipo de arte, pois existem tantos outros problemas mais importantes na cidade para a prefeitura cuidar. Eles estão gastando dinheiro, mão-de-obra e tempo para poder apagar uma obra de arte. Estão apagando o sonho de um cara que sai lá da periferia com esperança de que seu trabalho possa ser visto, como aconteceu com a gente.

Exposições Individuais

2004

Estação da Luz, São Paulo

2005

WaterMill, Robert Wilson Center, Nova York

Nike Tour, Fire House, Nova York; Milão, Paris; National Stadium, Tóquio, Hong-Kong, Londres

Creative Time Project, Coney Island

Cavaleiro Marginal, Deitch Project Gallery, Nova York

2006

O peixe que comia estrelas cadentes, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo

2007

Desenho, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo

As Flores deste Jardim meus Avós Plantaram, Museum Het Domein Sittard, Sittard, Holanda

2008

Galeria Pilar Parra e Romero, Madri

Too Far Too Close, Deitch Project Gallery, Nova York

Vertigem, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba

2009

Vertigem, CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro; MAB – Museu de Arte Brasileira, São Paulo

Exposições Coletivas

1993

Galeria MIS, São Paulo

1998

Um minuto de silêncio, FUNARTE, São Paulo

1999

Livin Large, Munique

ISART, Munique

2000

Graffiti aus São Paulo Brasilien, Die Färberei, Munique

Just write my name, Bremen, Alemanha

Academie der Kunste, Berlin

Agenda 21 project, Hildeshein, Alemanha

Galerie Ecureuil, Niort, França

Urban Discpline, Hamburgo

2001

50 anos de Bienal de São Paulo, Fundação Bienal, São Paulo

Galerie du Jour Agnes B, Paris

Mural Global, São Paulo

Tokion Store, Nova York

Urban Discipline 2001, Hamburgo

2002

Area2010, Sydney, Australia

Chromopolis, paneling in Athens Olympic Games, Athens, Greece

Area2010, Sydney, Australia

Chromopolis, paneling in Athens Olympic Games, Atenas

Global Grafitti Art, Anne Moerchen Galerie, Hamburgo

I don´t know, Die Faerberei Galerie, Munique

Kanvas, Kassel, Alemanha

Toleranci, Galerie Ecureuil, Niort, França

Schlachthof Cultural Center, Wiesbaden, Alemanha

Urban Dicipline, Hamburgo

2003

Break, New Image Gallery, Los Angeles

CubaBrasil, Regla, Havana, Piñar Del Rio, Cuba

Pavil, Luggage Store Gallery, San Francisco

Break, New Image Gallery, Los Angeles, USA

CubaBrasil, Regla, Havana, Piñar Del Rio, Cuba

Pavil, Luggage Store Gallery, San Francisco, USA

2004

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Contemporary Arts Center in Cincinnati; Yerba Buena Center for the Arts in San Francisco

Regellos, Halle2, Heidelberg, Alemanha

Gra(ff)ite, Alhambra, Estados Unidos

Montana Shop, Barcelona,

Urbis Museum, Manchester, Inglaterra

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Contemporary

Arts Center in Cincinnati; Yerba Buena Center for the Arts in San

Francisco, USA

Regellos, Halle2, Heidelberg, Germany

Gra(ff)ite, Alhambra, USA

Montana Shop, Barcelona, Spain

Urbis Museum, Manchester, UK

2005

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Orange County Museum of Art, Newport Beach, Estados Unidos

The Smell of the rain, Deitch Project in Miami Art Basel, Miami

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Orange County

Museum of Art, Newport Beach, USA

The Smell of the rain, Deitch Project in Miami Art Basel, Miami, USA

2006

9º Bienal de la Havana, Havana

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Triennale di Milano, Milão

Paralela 2006, Parque do Ibirapuera, São Paulo

9º Bienal de la Havana, Havana, Cuba

Beautiful Losers: Contemporary Art and Street Culture, Triennale di

Milano, Milan, Italy

Paralela 2006, Parque do Ibirapuera,São Paulo, Brasil

2007

Mundo Animal, Escola São Paulo, São Paulo

Wakin up Nights, de Pury and Luxembourg, Zurique

Kunsthalle Barmen, Von Der Heydt Museum Wuppertal, Alemanha
Musée International des Arts Modestes (MIAM), Sète, França

Mundo Animal, Escola São Paulo, São Paulo, Brasil

Wakin up Nights, de Pury and Luxembourg, Zurich, Switzerland

Kunsthalle Barmen, Von Der Heydt Museum Wuppertal, Germany

Musée International des Arts Modestes (MIAM), Sète, France

2008

Imaginary Realities, Max Wigram Gallery, Londres

Salon National Des Beaux-Arts, Carrousel du Louvre, Paris

When Lives Become Form: Creative Power from Brazil, Museum of Contemporary Art Tokyo (MOT),

Imaginary Realities, Max Wigram Gallery, London, UK

When Lives Become Form: Creative Power from Brazil, Museum of

Contemporary Art Tokyo (MOT), Japan

2009

Nus [Nudes], Galeria Fortes Vilaça & Galeria Bergamin, São Paulo

The Portrait Show, Durex Arte Contemporânea, Rio de Janeiro

When Lives Become Form: Creative Power from Brazil, Hiroshima City Museum of Contemporary Art, Japão

Livros

Osgemeos

OSGEMEOS – MUSEUM HET DOMEIN SITTARD
Formato: Livro
Autor: OSGEMEOS
Editora: MUSEUM HET DOMEIN
Assunto: ARTES

Videos

Osgemeos – The Twins – Graffiti

NOO Mag –  Osgemeos
Artes Visuais: OsGemeos – SescTV – OsGemeos Otávio e Gustavo Pandolfo falam ao Artes Visuais sobre a concepção de suas obras. 
Debate promovido pela Nokia em Recife no dia 2 de novembro com OsGêmeos
Johnnie Walker - Dos muros de São Paulo para o mundo. Os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como Osgemeos, formam uma das duplas de artistas plásticos mais badaladas do momento. Em 2007, eles pintaram o histórico castelo Kelburn, na Escócia; e em 2008, foi a vez da fachada do prédio da Tate Modern em Londres templo da arte contemporânea internacional. Com um estilo próprio e obras espalhadas pelo mundo todo, a carreira destes paulistas tende a continuar caminhando a passos de gigantes.
Renata Simões bate um papo com os irmãos e artistas Osgêmeos, que estreiam a exposição “Vertigem” no Museu de Arte Brasileira, que fica na FAAP, em São Paulo.

 

 

 

 

 

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