José Pancetti

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“Tudo que pinto é com amor. Só sei pintar com amor”

José Pancetti foi um pintor modernista brasileiro. Considerado um dos grandes paisagistas da pintura nacional, destaca-se por suas numerosas e belas marinhas.

Pancetti foi um artista autodidata, pintor natural, que conseguiu captar tudo ao seu redor. Sem filiação a qualquer escola artística, o pintor inpirou-se nas paisagens litorâneas brasileiras, tema comum de sua obra, sendo famosas as suas marinhas.

José Pancetti - Foto artista

José Pancetti – Foto artista

Até hoje considerado o maior paisagista moderno do Brasil, o artista retratou em pinturas sua essência como indivíduo, registrando lugares e transmitindo suas sensações como se criasse inconscientemente uma biografia pictórica. Sua obra carrega suas experiências e um pouco de cada lugar que conheceu; e não foram poucos.

José Pancetti - Biografia

Giuseppe Giannini Pancetti, mais conhecido como José Pancetti nasceu em Campinas, no dia 18 de junho de 1902.

Nascido numa família humilde de imigrantes da Toscana, viveu em Campinas até os oito anos, quando seu pai, mestre de obras, mudou-se com mulher e filhos para a capital paulista, onde esperava encontrar melhores condições de trabalh. Em 1913 com onze anos, José Pancetti e uma de suas irmãs, são levados para a Itália para viver sob os cuidados de um tio e dos avós.

Chegando à casa do tio Casimiro, é colocado para estudar no Cólégio Salesiano de Massa-Carrara. Mas pouco tempo depois, o país seria envolvido na Primeira Guerra Mundial e Pancetti vai para o campo, em casa de seus avós, na localidade de Pietrasanta.
Não se adapta à vida de camponês, exercendo diversas ocupações desde aprendiz de carpinteiro, operário na fábrica de bicicletas Bianchi e empregado numa fábrica de materiais bélicos em Forte dei Marmi.

José Pancetti - Foto artista

José Pancetti – Foto artista

Tem várias ocupações até ingressar na Marinha Mercante. Volta ao Brasil em 1920, exerce diferentes ofícios até entrar, dois anos depois, para a Marinha de Guerra, onde permanece até 1946. A bordo foi-lhe dada a tarefa de pintar cascos, paredes, camarotes e o fazia com tal zêlo que sua fama correu pela Marinha, até que um almirante criou um quadro de especialistas na profissão e nomeou Pancetti primeiro instrutor desse quadro. Mas, surge no marinheiro a vontade de passar para o papel aquilo que seus olhos viam. E assim passou a desenhar, em data que nem mesmo ele soube precisar, pequenos cartões com paisagens, marinhas, cenas românticas ainda bastante primárias mas que já mostravam seu potencial artístico. As constantes viagens não lhe permitem um aprendizado artístico regular.

Em 1932, o pintor tem sua primeira marinha publicada no jornal A Noite Ilustrada, sob o título, “Um Amador da Pintura”. Ao ver seu desenho, o escultor Paulo Mazzuchelli, aconselha-o a ingressar no recém-criado Núcleo Bernardelli, um conselho repetido pelo pintor Giuseppe Gargaglione, a quem Pancetti conheceu passeando pelo Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Acatando a sugestão, ingressa no Núcleo Bernardelli em 1933, onde teve como principal orientador o pintor Bruno Lechowski. No Núcleo, uma escola livre que funcionava nas dependências do edifício da Escola de Belas Artes, Pancetti teria como companheiros pintores que, ao passar do tempo, viriam a ganhar notariedade como, entre outros, Edson Motta, José Rescala, Ado Malagoli, Bustamante Sá e Silvio Pinto.
Dois anos depois, em 1935, casa-se com Annita Caruso.

O retrato é uma constante em sua carreira. São, em maior parte, composições simplificadas, com poucos elementos. Muitas vezes os retratados revelam a sensação de desalento, como ocorre em Menina Triste e Doente (1940) ou em Retrato de Lourdes (s.d.). Dedica-se também aos auto-retratos, em que mostra a admiração por Vincent van Gogh e Paul Gauguin. Representa-se freqüentemente como trabalhador manual, como a lembrar sua origem humilde. Nos auto-retratos, em geral, recusa a frontalidade. A expressão sombria, a cabeça e o busto tratados com cuidado geométrico (procedimento que deriva do cubismo) e os jogos de claro-escuro estruturam essas composições, muito representativas de sua produção e das quais são conhecidas mais de 40 obras.

Na década de 1940, pinta paisagens urbanas, em sua maioria realizadas em cores escuras, com predominância de tons ocre e marcadas por grande melancolia, são exemplos O Chão (1941) ou Pátio da Rua de Santana (1944). Nessas paisagens e também em algumas naturezas-mortas revela interesse pelas obras de Paul Cézanne (1839 – 1906) e Henri Matisse (1869 – 1954). Em outros quadros, como Campos de Jordão (1944) utiliza nuances um pouco mais luminosas de verde e azul, embora em tons rebaixados, e explora a verticalidade dos troncos das árvores.

As marinhas são a face mais conhecida de sua produção, nelas se refletem a experiência de marinheiro e o amor pelos diversos recantos do litoral: Itanhaém, Mangaratiba, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Seus quadros são concebidos com grande simplificação formal, como, por exemplo, Cabo Frio (1947). Nele, Pancetti utiliza as linhas em ziguezague, diagonais que percorrem o espaço pictórico e são um recurso constante em suas obras. Em Paisagem com Dunas (1947) ou Praia em Cabo Frio (1947) destaca-se o enquadramento, não usual. O artista realiza uma série de quadros de Arraial do Cabo, nos quais o olhar do espectador percorre as humildes casas de pescadores, a areia muito branca e as canoas coloridas.

Em 1941 com o quadro “O Chão” ganha o prêmio de viagem ao estrangeiro, na recém criada Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes. Por motivos de saúde é licenciado da Marinha e não desfruta seu prêmio no exterior. Muda-se para Campos do Jordão em 1942, em busca de tratamento para a tuberculose que o afetava. Neste mesmo ano nasce sua filha Nilma. Posteriormente muda-se para São João del Rey.

José Pancetti - Foto artista

José Pancetti – Foto artista

Sua primeira exposição individual ocorre em 1945, apresentando mais de setenta quadros. No ano seguinte é reformado pela Marinha na função de Segundo-Tenente. Em 1948 recebe a medalha de ouro do Salão Nacional de Belas Artes, realizando sua primeira exposição internacional em 1950, na Bienal de Veneza.

Ainda em 1950, viaja para a Bahia, onde fixa residência. Nesse local, sua obra se modifica, a paleta adquire cores quentes e fortes. Suas marinhas tornam-se plenas de luz. Pinta a cidade de Salvador e arredores nos anos 50: a Praia de Itapoã, o Farol da Barra e a Lagoa do Abaeté. Esta última é representada em muitos quadros, que têm como tema o contraste entre as águas escuras, a areia branca e os tecidos coloridos das lavadeiras. Em algumas paisagens baianas explora a consistência, a luminosidade e a cor dourada das areias, como ocorre, por exemplo, em Farol da Barra (1954). Em quadros do final da carreira aproxima-se da abstração, como em Itapoã (1957), no qual a paisagem é concebida por meio de faixas de cores vibrantes e luminosas. Um ano depois participa da I Bienal de São Paulo.

Em 1952 dois fatos importantes marcam sua vida: o nascimento de seu filho Luís Carlos e a promoção à Primeiro-Tenente da Marinha Brasileira. Decorridos dois anos recebe a medalha de ouro do Salão Bahiano e em 1955 faz uma importante exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

José Pancetti, já em obras iniciais, produz “composições desenquadradas”, desenvolvendo ângulos de enquadramento não usuais. Revitaliza, assim, não apenas a pintura de marinhas, mas também as demais composições paisagísticas e retratos. Conhecido como um dos grandes marinhistas brasileiros, cria imagens de grande intensidade poética, revelando muita sensibilidade no uso da cor.

Em 10 de Fevereiro de 1958 morre com câncer no hospital da Marinha no Rio de Janeiro. É enterrado no cemitério São João Batista da capital fluminense, tendo o poeta Augusto Frederico Schmidt proferido a oração fúnebre.

Curiosidades

Livro – José Pancetti (1902-1958)- Marinheiro, Pintor e Poeta
Autor: Mauro Barata / Max Perlingeiro / José Roberto Teixeira Leite
Editora: Pinakotheke

O livro refaz a trajetória do pintor José Pancetti (1902-1958) – marinheiro, pintor e poeta -, que vai desde 1933, período de formação do artista, até 1958, ano de sua morte. Nela, a Pinakotheke estará apresentando um conjunto de obras relevantes e, em sua grande maioria, inéditas. Foi organizada de forma temática obedecendo à cronologia em cada segmento e está dividida em seis núcleos – Retratos, Naturezas-mortas, Paisagens e Marinhas do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Paisagens de Minas Gerais.

José Pancetti - Ilha do Viana - 54,5 x 65,7 cm

José Pancetti – Ilha do Viana – 54,5 x 65,7 cm

Livro – Vistas e Paisagens do Brasil
Autor: Nereide Schilaro Santa Rosa
Editora: Pinakotheke

O livro traça um panorama das vistas e paisagens das mais variadas regiões do país, como o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia através da visão e da inspiração de nossos artistas e de como o Brasil, influenciou e trouxe pintores europeus, que vinham em busca de um mundo novo e exótico para pintar. É possível notar a evolução da arte brasileira desde a pintura documental dos viajantes nos séculos XVII a XIX, como Frans Post e Rugendas, até a visão contemporânea e abstrata de artistas como Cláudio Tozzi passando pelos traços modernistas de Cícero Dias e José Pancetti.

O talento literário

Quase que secretamente, José Pancetti desenvolveu outro talento, o literário. A poesia, que em diversas obras aparecem fragmentadas em suas pinturas – costumava escrever em cima de algumas obras – chamou a atenção de alguns artistas, pouco antes de sua morte. Assim como a pintura, a escrita revela o paradoxo do aventureiro melancólico, que busca o sublime na contemplação e também na experiência, como é possível identificar em trechos de seu poema Quietude, escrito na década de 1930:

“Amo esta quietude, / meu constante isolamento / onde venho só e respiro amor. / Talvez nostálgico do meu passado, / talvez ansioso dalgum mundo novo, / sem olhos pra me enganar… / (…) / Nos bosques, as vezes e sobre os montes, / adoro nuvens do azul do céu, / ou ali n´areia ao pé do mar, / enamoro velas que vão sumindo os sonhos meus, / sem outros olhos pra me enganar…” Cartas de estima a amigos, amores e familiares, além de um diário ilustrado e anotações como “o que detesto” e “o que odeio” compõem o curto, mas intenso, trabalho literário do multifacetado José Pancetti.

Críticas

“Homem do Povo, Pancetti, procura no povo a grande força inspiradora de sua arte. É na paisagem brasileira, a síntese de seu sentimento nativista. Imagino-o um homem rude, poético e violento, talvez triste, talvez nostálgico dos velhos portos do mundo, onde viu a vida de perto. Essa experiência humana ele a transportou para quadros, com um lirismo admirável e por vezes patético. Não é um pintor de água doce. É um notável artista oceânico”.
Luis Martins

José Pancetti - Auto-Retrato (almirante) - 67 x 57 cm

José Pancetti – Auto-Retrato (almirante) – 67 x 57 cm

“O marinheiro Pancetti é o Maior paisagista moderno do Brasil. Seus quadros realizam a imagem da natureza d’aprés lê rêve e composição reconstituindo as linhas da percepção objetiva, mas o colorido inundando com imaginação o desenho meramente sensorial. Em todas as paisagens de Pancetti reina uma atmosfera azulada e sombria, de um azul denso, misterioso e triste, a constante emotiva do marinheiro. Se há um pintor poeta, é esse. Entre o seu quadro premiado e as duas marinhas é difícil estabelecer uma preferência. A densidade espiritual é a mesma. O mais que se pode dizer é que a paisagem da terra firme ofereceu um tema para o pintor demonstrar a variedade e a riqueza dos seus dons de coloristas”.
Ruben Navarra

“Uma obra que se dispôs a ser simultaneamente intuitiva e refinada, para a qual a vivência do mar – olhos entregues à distância de horizontes intermináveis ou ao mergulho na solidão interior – terá contribuído de modo muito direto no sentido de sua preferência pela paisagem marítima e pelo auto-retrato. Em qualquer um dos casos, a disposição de ir aos poucos simplificando e resumindo os detalhes da realidade a registrar na superfície da pintura, bem como a capacidade de conferir à cor, em amplas chapadas ou marcas quase instantâneas, poderosa função sugestiva determinaram sempre a evolução de Pancetti. Sua obra ficou como uma das raras demonstrações, na arte brasileira, de acerto no registro da paisagem litorânea, especialmente do Rio e da Bahia, captando-lhe a luminosidade exata e o equilíbrio entre contenção e exuberância. Equilíbrio que os seus retratos também souberam alcançar, ainda que tendentes mais para o retraimento e a introspecção”.
Roberto Pontual

“Pancetti simplifica o mais que pode as suas marinhas. Reduz as cores a duas ou três tonalidades, com as quais joga com segurança magistral. Seu espírito de síntese torna-se, então, de um grande refinamento e, ao mesmo tempo, de uma rara pureza na pintura moderna brasileira”.

Antônio Bento

“O que nele é permanente é o artista, o pintor, o maior marinhista que o Brasil já teve e o paisagista interiorizado dos esfumatos, dos cinzas tonalizados mais belos que conhecemos de Campos do Jordão, e rival dos grandes como Segall, Volpi e Guignard. (…)

Sua pintura foi sempre uma imagem de cores fundamentais, de paisagens fundamentais, cara de gente, montanha, mar, vista através de uma percepção direta, primeira, quase de criança. Daí a frescura sem par de suas melhores telas. Foi sempre uma máquina de ver, de ver carinhosamente as coisas externas naturais, mesmo quando essas coisas naturais são barcos, pois, para marinheiro, barco, qualquer que seja, grande ou pequeno, é sempre obra da natureza, faz parte do mar, criador de tudo, das coisas e dos homens.

O velho Pancetti, entrado em anos, não consegue ser velho. E mesmo no leito de dor é moço, tem alma de menino. Seu diário é nesse sentido muito revelador. Menino vê tudo de olhos esbugalhados, como se fosse pela primeira vez. E vê tudo de fora, tal a atração que o espetáculo da vida sobre ele exerce. Pois é assim que age o nosso caro, grande Pancetti: até o seu tratamento, ele o encara de fora, como ‘formalidades do costume: injeções, remédios, temperatura, pressão’”.
Mário Pedrosa

José Pancetti - A pintura do navio - 46 x 39 cm

José Pancetti – A pintura do navio – 46 x 39 cm

“Pancetti faz parte do rol de artistas que, por esse ato de volição, mais determinado pela intuição do que pelo saber, embrenha-se na tarefa quase heróica de modernizar a cena artística brasileira. E o esforço dessa modernização haveria de corresponder ao esforço por atingir a planaridade do espaço, objeto de todo o processo pictórico moderno. Aderir a esse espaço plano, superficial, tinha porém implicações de várias naturezas. Significava a ruptura com a perspectiva ilusionista da representação em profundidade, ruptura de antigos esquemas geométricos convencionais, que havia acompanhado a descoberta da física newtoniana de que todo o espaço é plano. Significava ainda a busca da pintura em se instituir como um campo autônomo e autocrítico, que reconhecia como seu componente exclusivo a bidimensionalidade. O artista europeu desconstrói então a idéia monolítica do espaço em perspectiva fixa, começa a justapor e a articular múltiplos planos sem violar a superfície da tela, e a criar imagens heterogêneas e fragmentadas, que procuram exprimir o próprio dilaceramento do mundo. Essa teria sido, em última instância, a operação cubista. O processo progressivo e radical da conquista do plano, de Cézanne a Mondrian, passa pois por esses dois fatores determinantes: primeiro, contrapõe-se à estabilidade da imagem renascentista perspectivada, como forma de declarar a instabilidade do mundo moderno, e, segundo, busca uma racionalização das formas e dos espaços para, utopicamente, reconduzir esse mundo à ordem. Certamente a procura de Pancetti pela superficialidade da pintura não passa por tais esclarecimentos. Ele provavelmente mais ‘intuiu’ do que reconheceu as qualidades modernas. Mas sabemos de sua admiração por Cézanne. Uma admiração que soube conectar Cézanne com esse anseio, também seu, pela geometrização e planificação dos espaços. Raras, aliás, as afinidades modernistas brasileiras com Cézanne e Pancetti”.
Ligia Canongia

Acervos

Acervo Artístico Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Coleção Palácio Boa Vista – Campos do Jordão SP

Acervo Banco Itaú – São Paulo SP

Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Brasil – SP

Acervo Museu de Arte Brasileira – MAB/FAAP – São Paulo SP

Acervo Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro RJ

Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ – Rio de Janeiro RJ

Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP – São Paulo SP

Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP – São Paulo SP

Coleção Poty Lazarotto. Acervo Museu Metropolitano de Arte. Fundação Cultural de Curitiba

Museu de Arte Contemporânea José Pancetti – MACC

A criação do MACC foi a junção de esforços particulares, públicos e, principalmente, pela vontade e empenho de artistas de Campinas envolvidos com o movimento contemporâneo nas artes plásticas, como o Grupo Vanguarda, formado por Bernardo Caro, Edoardo Belgrado, Eneas Dedecca, Francisco Biojone, Franco Sacchi, Geraldo Jürgensen, Geraldo de Souza, Maria Helena Motta Paes, Mário Bueno, Raul Porto e Thomaz Perina. A maioria representada no acervo do museu.

José Pancetti - Paisagem com dunas - 51 x 74 cm

José Pancetti – Paisagem com dunas – 51 x 74 cm

Fundado em 1965 pela Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Campinas, sob a coordenação da professora Jacy Milani, funcionou até 1976 no antigo prédio da CPFL, na Avenida da Saudade, quando o milionário campineiro Roque Mellilo doou para a cidade o atual edifício do museu, que, em homenagem ao artista plástico campineiro, passou a chamar Museu de Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti”.

Hoje, com 41 anos, podemos dizer que o MACC é uma das instituições mais importantes e significativas do panorama cultural brasileiro.

No MACC foram expostas algumas obras dos mais renomados artistas plásticos como Roberto Burle Marx em 1990; Salvador Dali 1998; Lasar Segal em 2000; Guignard em 2001; José Pancetti em 2002; A Arte Brasileira no Acervo da Pinacoteca, em comemoração aos 40 anos do museu entre outras.

Exposições como estas tem fortalecido a programação junto ao público que aumenta a sua freqüênca a cada ano.

O museu conta com um acervo de mais ou menos 600 obras – entre pinturas, esculturas, desenhos, instalações etc. -, formado por doações e aquisições feitas em salões e prêmios concedidos pela Prefeitura, Câmara Municipal e, eventualmente, por outras instituições públicas e privadas. As premiações no Salão de Arte Contemporânea de Campinas constituem uma das principais formas de ampliação do acervo. Deste fazem parte obras de José Roberto Aguilar (1941), Amelia Toledo (1926), Claudio Tozzi (1944), Mira Schendel (1919 – 1988), Ivald Granato (1949), Antonio Lizarraga (1924), Cildo Meireles (1948), Waltercio Caldas (1946), entre outros, que são expostas regularmente. O museu realiza mostras monográficas dedicadas a artistas consagrados, como Pancetti, Candido Portinari (1903 – 1962), Guignard (1896 – 1962) e outros. Mas é o Salão de Arte Contemporânea o responsável pela divulgação de trabalhos recentes e o instrumento que o MACC utiliza para manter a vocação dedicada à arte contemporânea. É nesse sentido que Sérgio Ferro (1938) apresenta o 3º Salão, em 1967: trata-se fundamentalmente de “apoiar o novo”, diz ele.

José Pancetti - Marinha - 46 x 65 cm

José Pancetti – Marinha – 46 x 65 cm

Desde a primeira edição, o Salão acolhe com premiações a produção recente, imediatamente incorporada ao acervo. No ano de 1965, por exemplo, o prêmio de gravura é concedido a Evandro Carlos Jardim (1935). Nos anos subseqüentes, passam a compor o acervo, em função do Salão de Arte, obras de Carmela Gross (1946) e Tuneu (1948) – 6º Salão, em 1970; Lizarraga, Marília Kranz (1937) e Sérgio de Paula (1946) – 7º Salão, em 1971. O 13º Salão, realizado em 1988, é considerado um marco, pois a partir de então o museu parece se abrir mais claramente às novas linguagens artísticas – videoarte, arte eletrônica, holografia, laser, xerox, offset etc. -, concedendo-lhes um espaço maior do que nas edições anteriores. Deste Salão participam convidados como Ana Maria Tavares (1958), Anna Bella Geiger (1933), Regina Silveira (1939) e outros, e é realizada uma homenagem a Hélio Oiticica (1937 – 1980).

Exposições Individuais

1945

São Paulo SP – Individual, no Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB/SP

1946

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Montparnasse

São Paulo SP – Individual, na Galeria Itapetininga

1950

Recife PE – Individual, no Sindicato dos Empregados do Comércio

1952

Salvador BA – Individual, na Galeria Oxumaré

1955

Rio de Janeiro RJ – Individual, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ

1958

Recife PE – Individual, no Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB/PE

Exposições Coletivas

1933

Rio de Janeiro RJ – 40ª Exposição Geral de Belas Artes, na Escola de Belas Artes

1934

Rio de Janeiro RJ – Salão Nacional de Belas Artes, na Escola de Belas Artes – menção honrosa

1936

Rio de Janeiro RJ – 42º Salão Nacional de Belas Artes, no Instituto da Previdência – medalha de bronze

1937

São Paulo SP – 5º Salão Paulista de Belas Artes

1939

Rio de Janeiro RJ – 45º Salão Nacional de Belas Artes, no Museu Nacional de Belas Artes – MNBA – medalha de prata

São Paulo SP – 6º Salão Paulista de Belas Artes

1940

Rio deJaneiro RJ – 46º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA

1941

Nova York (Estados Unidos) – Contemporary Art of the Western Hemisphere, patrocinada pela IBM Corporation

Rio de Janeiro RJ – 47º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – prêmio viagem ao exterior

1943

Londres (Inglaterra) – Exposição de Arte Brasileira, em homenagem a RAF – Royal Air Force, no Burlington House

1944

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Museu de Arte da Pampulha – MAP

Londres (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

Norwich (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945

Bath (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Victiry Art Gallery

Bristol (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

Buenos Aires (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, nas Salas Nacionales de Exposición

Edimburgo (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

Glasgow (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

La Plata (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Museo Provincial de Bellas Artes

Manchester (Reino Unido) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Montevidéu (Uruguai) – 20 Artistas Brasileños, na Comisión Municipal de Cultura

Rio de Janeiro RJ – Artistas Plásticos do Partido Comunista, na Casa do Estudante

São Paulo SP – Alfredo Volpi, Bonadei, Carlos Prado, Quirino da Silva, Francisco Rebolo, Mario Zanini e José Pancetti, na Galeria Benedetti

São Paulo SP – Anita Malfati, Virgínia Artigas, Clóvis Graciano, Mick Carnicelli, Oswald de Andrade Filho, José Pancetti, Carlos Prado, Francisco Rebolo, Quirino da Silva, Alfredo Volpi, Mario Zanini, na Galeria Itapetininga

1946

Rio de Janeiro RJ – Os Pintores vão à Escola do Povo, na Escola Nacional de Belas Artes – ENBA

1947

Rio de Janeiro RJ – 53º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – prêmio viagem ao país

1948

Rio de Janeiro RJ – 54º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – medalha de ouro

1949

São Paulo SP – 15º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1950

Rio de Janeiro RJ – Um Século da Pintura Brasileira: 1850-1950, no MNBA

Roma (Itália) – Coletiva de Arte Brasileira

Veneza (Itália) – 25ª Bienal de Veneza

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon

1952

Feira de Santana BA – 1ª Exposição de Arte Moderna de Feira de Santana, no Banco Econômico

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ

1953

Paris (França) – Coletiva de Arte Brasileira

1954

Salvador BA – 4º Salão Baiano de Belas Artes, no Hotel Bahia – medalha de ouro

São Paulo SP – Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, no MAM/SP

1955

Santiago (Chile) – Coletiva de Arte Brasileira

São Paulo SP – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no MAM/SP

Cronologia

s.d.

Escreve alguns poemas, publicados em catálogos de exposições, jornais e revistas

1902

Vive em Campinas, São Paulo

1912

Sua família passa a residir em São Paulo, onde seu pai trabalha na construção do Theatro Municipal

1913

Viaja para a Itália em companhia de sua irmã e do tio Casimiro, escultor e comerciante de mármore. Freqüenta o Colégio dos Salesianos em Massa-Carrara

1917

Reside com os avós em Pietrassanta, Itália

1918

Como aprendiz de marinheiro, na Marinha Mercante italiana, passa três meses viajando pelo Mediterrâneo

1920

Viaja para Santos, São Paulo, onde exerce as mais diversas ocupações

Passa a viver em São Paulo, onde trabalha em diversos ofícios, como auxiliar de ourives, garçom e arrumador de hotel, entre outros

1921

Trabalha na Oficina Beppe especializada em decoração de pintura de paredes. Nesta empresa atua pela primeira vez como pintor, sendo auxiliar do artista Adolfo Fonzari (1880 – 1959)

1922

Alista-se na Marinha de Guerra do Brasil, no Rio de Janeiro. No ano seguinte recebe a divisa de marinheiro de segunda classe. Nesse período começa a pintar marinhas, utilizando como suporte caixas de charutos

ca.1926

Embarca como tripulante do cruzador Bahia

1926

Ingressa na função de pintor na Companhia de Especialistas de Convés

1928/1929

É promovido a cabo de esquadra e a 3° sargento

ca.1929

Faz curso de especialização na Escola de Auxiliares e Especialistas, freqüentando as disciplinas “Tintas e sua Composição”, “Cores e combinações”, “Ferramentas para pintar a água, a óleo e a verniz”, “Preparo de superfícies” e “Métodos de pintura adotados na Marinha”

1933

Seguindo os conselhos do escultor Paulo Mazzuchelli e do pintor Paulo Gargaglione, liga-se ao recém-criado Núcleo Bernardelli, onde recebe orientação de Manoel Santiago (1897 – 1987), Edson Motta (1910 – 1981), Rescála (1910 – 1986) e principalmente do pintor polonês Bruno Lechowski (1887 – 1941).

1937

Promovido a 1° sargento

1941

Recebe o prêmio de viagem ao estrangeiro do Salão Nacional de Belas Artes, da recém-criada Divisão Moderna, com a tela O Chão. O artista, entretanto, não viaja para a Europa por problemas de saúde

1942 e ca.1944

Passa algum tempo em Campos do Jordão, São Paulo e São João del Rei, Minas Gerais, para recuperar a saúde. Faz diversas paisagens nesses locais.

1946

Por motivo de saúde, é reformado como segundo-tenente; em 1952 é promovido a primeiro-tenente

1947

Recebe prêmio viagem pelo Brasil, no Salão Nacional de Belas Artes, viajando no ano seguinte pela primeira vez para Salvador, convidado por Odorico Tavares

1950

Passa residir em Salvador, onde se interessa em representar o meio local

1957

O crítico francês Jacques Lassaigne visita seu ateliê e entusiasma-se com sua obra. Recebe o título de Cidadão Baiano por iniciativa do vereador Carlos de Mascarenhas

1962

É organizada uma exposição retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1979

Lançamento do livro Pancetti: o pintor marinheiro, de José Roberto Teixeira Leite, pela editora Conquista

1983

Inaugurado o Museu de Arte Contemporânea José Pancetti, em Campinas

2000/2001

O catálogo Pancetti – O marinheiro só é publicado por ocasião da exposição de mesmo nome realizada sucessivamente no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte Brasileira da FAAP, em São Paulo

2002

É publicado o catálogo 100 anos de Pancetti: 1902-2002, por ocasião da exposição ocorrida no Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP, São Paulo

Livros

José Pancetti (1902-1958)

JOSE PANCETTI (1902-1958)
MARINHEIRO, PINTOR E POETA
Formato: Livro
Autor: BARATA, MAURO
Autor: PERLINGEIRO, MAX
Autor: LEITE, JOSE ROBERTO TEIXEIRA
Editora: PINAKOTHEKE
Assunto: ARTES – PINTURA

 

Vistas e Paisagens do Brasil

VISTAS E PAISAGENS DO BRASIL
Formato: Livro
Autor: ROSA, NEREIDE SCHILARO SANTA
Editora: PINAKOTHEKE
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

 

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artista na peça?

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Sobre o autor

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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