Francisco Rebolo

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“No dia em que não pinto, não vivo; é um dia perdido!”

Francisco Rebolo é considerado um dos mais importantes paisagistas da pintura brasileira. Sua obra, com um total estimado superior a 3.000 pinturas, centenas de desenhos e um conjunto de cinqüenta diferentes gravuras, de variadas técnicas, além das paisagens, envolve também como temática um expressivo conjunto de retratos, figuras, naturezas-mortas e flores. Hoje, os trabalhos de Rebolo estão nos principais museus brasileiros, no acervo de órgãos culturais e governamentais e em coleções particulares em todo o Brasil.

Francisco Rebolo - Foto artista

Francisco Rebolo – Foto artista

Rebolo também é considerado como um dos mais talentosos pintores do Grupo Santa Helena, trabalhando as cores com maestria, para compor paisagens marcadas pelo refinamento do meio-tom. Paisagista por excelência, pintou os arrabaldes, os limites da cidade, os subúrbios de casas simples. Tudo isso com a simplicidade de quem não partilha de referenciais teóricos rígidos.

Francisco Rebolo - Biografia

Francisco Rebolo Gonsales nasceu em São Paulo, em 1902, quinto filho de uma família de imigrantes espanhóis. Antes de dedicar-se à pintura artística, realizou pinturas decorativas em residências e igrejas e foi jogador de futebol – entre outros clubes, jogou no Corinthians, pelo qual foi campeão em 1922 e para o qual, anos depois, desenhou o brasão definitivo.

Tinha 15 anos quando, após as primeiras experiências com a pintura de paredes, conseguiu um emprego efetivo como aprendiz de uma oficina de decoração, desenvolvendo o talento na

Francisco Rebolo - Foto artista

Francisco Rebolo – Foto artista

ornamentação de igrejas e também de casas, onde era comum a pintura rococó, cheia de floreados e exageros.

Não acreditava, porém, que essa fosse sua arte e, na primeira oportunidade que surgiu, abraçou a carreira de jogador de futebol, entrando para o time do Corinthians, onde chegou a ganhar o Campeonado do Centenário da Independência do Brasil, em 1922.

Rebolo começa sua carreira como pintor, no início dos anos 1930, quando abandona a atividade de jogador de futebol, ao mesmo tempo em que trabalha como pintor-decorador de residências.
Em 1933, instala, no edifício Santa Helena, na Praça da Sé, um ateliê que é, ao mesmo tempo, uma sala de trabalho para atender sua clientela de pintura em residências. É nesta sala que se uni ao chamado grupo Santa Helena, a partir de 1935. No ateliê, o grupo realiza sessões coletivas de trabalho para pintar e para desenhar modelo vivo. Saiam juntos, também, para pintar nos subúrbios e pequenas cidades vizinhas de São Paulo.
Logo que se constitui e começa a marcar presença em exposições coletivas, o Grupo Santa Helena chama a atenção dos principais críticos atuantes na época, como Mário de Andrade e Sérgio Milliet.

Francisco Rebolo - Foto artista

Francisco Rebolo – Foto artista

Rebolo está presente em todos os importantes eventos ligados à história da arte moderna. Integra, por exemplo, o Salão de Maio, os Salões da Família Artística Paulista e do Sindicato dos Artistas Plásticos; pertence ao grupo de artistas que defende a criação de um Museu de Arte Moderna em São Paulo e, mais tarde, a Bienal.

Em 1944, Rebolo arrisca-se a fazer sua primeira individual na Livraria Brasiliense, mas, a despeito do sucesso, nesta e em outras exposições, somente dez anos após, em 1954, é que pode ser efetivamente notado, quando ganhou um prêmio de viagem à Europa, no 3º Salão Nacional de Arte Moderna.
Foi a grande oportunidade, bem aproveitada, para aperfeiçoamento de sua arte, numa turnê, em companhia da família, percorrendo Itália, Espanha, Alemanha, França, Áustria e Holanda, além de participar de um curso de restauração no Museu do Vaticano.
Sem perder a simplicidade, o Rebolo que retorna ao Brasil é outro, bem mais amadurecido. Sua pintura continua de linhas planas, formas reduzidas ao mínimo exigido na arte figurativa, mas nota-se uma técnica bem mais desenvolvida e menos ingênua.
Daí em diante, registra-se uma sucessão de exposições, de entrevistas e de encomendas. É a consagração, com a qual jamais sonhara mas que, ainda que tardia, chegou à sua vida.

A obra de Rebolo é apresentada ao público em inúmeras exposições individuais e coletivas, ao longo de sua vida. Em 1973, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realiza a primeira retrospectiva de seu trabalho, época em que se realizam também exposições em Brasília e no Rio de Janeiro. Os eventos de 1973 põem em destaque os seus quarenta de pintura, mas o artista viverá mais sete anos, até 10 de julho de 1980, trabalhando até o seu último dia de vida.

Em 1985, cinco anos após seu falecimento, o Museu Lasar Segall expõe cerca de 80 trabalhos de sua produção e, em 1986, foi lançado um livro que, igualmente, põe em destaque seu

Francisco Rebolo - Foto artista

Francisco Rebolo – Foto artista

percurso artístico e sua obra (edição MWM/IFK). Sua obra vem participando de jostras coletivas voltadas para a história da arte moderna no Brasil e está presente nos acervos dos principais museus de arte do País.

Formação

1915/1917 – São Paulo SP – Estuda pintura de ornato na Escola Profissional Masculina do Brás

1926 – São Paulo SP – Estuda desenho decorativo

1956 – Vaticano (Itália) – Faz curso de restauração no Vaticano, participando da restauração de uma obra de Raphael (1483 – 1520)

Curiosidades

Livro – Rebolo – 100 Anos
Coord : Lisbeth Ruth Rebollo Gonçalves; Antonio Gonçalves
Ed USP

O livro Rebolo – 100 Anos é uma das homenagens organizadas pela Fundação Rebolo em parceria com a Edusp e Imprensa Oficial para comemorar o centenário de nascimento do artista. Ao lado de inúmeras reproduções de suas principais telas, o livro reúne ensaios dos críticos Olívio Tavares de Araújo, Elza Maria Ajzenberg, Antonio Gonçalves, Carlos Soulié do Amaral, Célia Campos, Lisbeth Rebollo Gonçalves, Sílvia Procópio Cajado, Francisco Luiz de Almeida Salles, que analisam aspectos da obra do artista, a sua paixão pelo futebol, e o seu envolvimento com o modernismo paulista como integrante do grupo Santa Helena. Completa o volume a transcrição de depoimento de Francisco Rebolo, em que rememora sua participação no futebol paulista.

Livro – Francisco Rebolo – Série Nomes do Brasil
Autor: Santa Rosa, Nereide Schilaro
Editora: Duna Dueto

Antes de se tornar um grande pintor e um de nossos maiores paisagistas,” Francisco Rebolo” foi jogador de futebol. Em 1922 foi campeão pelo corinthians, time para o qual desenhou o atual emblema. Conheça a história e algumas obras desse artista que, com sensibilidade, dedicação e técnica, retratou a gente e as cores do Brasil.

Francisco Rebolo - Natureza-Morta - 46 x 53 cm

Francisco Rebolo – Natureza-Morta – 46 x 53 cm

Depoimentos

 

“Antes da pintura, o futebol já tinha marcado minha vida. Como no futebol, acho que na arte deve-se fazer coisas espontâneas, com a marca do amor e entusiasmo, para poder se emocionar e emocionar outras pessoas.

Francisco Rebolo - Paisagem com casa - 31 x 45,5 cm

Francisco Rebolo – Paisagem com casa – 31 x 45,5 cm

Ainda como jogador de futebol eu preferia as rodinhas de artistas, no Café Paulista da Praça Antonio Prado ou no Café Guarani, na Rua XV de Novembro. Depois de alugar uma sala no ‘Santa Helena’, comecei a ter mais contato com artistas, alguns já formados, outros principiantes, e isso foi benéfico para meu desenvolvimento como pintor. Todos nós pintávamos com idéias novas na cabeça, querendo fugir ao mau gosto e às deformações reinantes na arte, e tínhamos uma coisa bastante definida: a vontade de estudar e aprender a pintar.
Foi la no ‘Santa Helena’, mesmo, que os intelectuais e críticos foram nos descobrir. Sérgio Milliet, um dos meus amigos mais íntimos, foi dos primeiros, juntamente com Mário de Andrade, Paulo Magalhães, Oswald de Andrade, Paulo Mendes de Almeida, Alfredo Mesquita, Quirino da Silva e muitos outros. Todos foram importantes para que eu me tornasse mais conhecido e me estimularam a continuar pintando. Para mim, esse estímulo sempre foi muito benéfico.
Foram muitas as lutas. Uma das principais foi a que provocou o reconhecimento, em todos os setores da população, da importância da arte moderna, que até começos da década de 40 ainda não era vista com bons olhos. Lutamos, também, por uma atitude profissional do artista; transformamos a Associação de Belas Artes em Sindicato dos Artistas Plásticas e Compositores Musicais e tentamos aglutinar os artistas em torno da defesa de seus interesses, instituindo o imposto sindical e todas essas coisas. Eu sempre achei que o artista, como todo profissional digno, deve viver do seu trabalho e poder dedicar-se a ele integralmente. Por isso, fico satisfeito constatando que hoje uma parte dos artistas com algum lastro já vive da sua arte e voltados para ela.
(…)
Muito importante, para mim, foi também o prêmio de viagem, que me possibilitou viver dois anos na Europa e me criou uma necessidade ainda maior de experimentar coisas novas na minha pintura. Voltando de lá, em 1957, vivi um período muito rico de pesquisas e acho que elas foram decisivas para minhas fases posteriores, inclusive a atual”.
Francisco Rebolo

Críticas

Francisco Rebolo - Paisagem  - 59 x 74 cm

Francisco Rebolo – Paisagem – 59 x 74 cm

“Rebolo (…) é um dos mais talentosos pintores do Grupo Santa Helena. Paisagista antes de mais nada, caracteriza-se a sua arte pelo matizamento do colorido. Rebolo é um mestre do meio-tom. É por isso mesmo um pintor dos recantos humildes, com preferências marcadas pela atmosfera suburbana. Céus de bruma, casas simplórias, colinas bem penteadas, hortas e jardins rústicos, eis o ambiente de suas telas que primam pela sensibilidade. Rebolo não é um intelectual, despreza as teorias complicadas e só acredita na experiência humana do pintor. (…) Também o seduziram as naturezas-mortas e principalmente as flores, que interpreta sempre com bastante finura. Mas além de artista é Rebolo um companheiro muito querido de todo o grupo modernista de São Paulo. Pela sua simplicidade, pela sua probidade, conquistou e conserva as simpatias de todos. Autodidata, seus progressos ininterruptos mostram quanto vale um esforço sério a serviço do talento natural. (…) Premiada nos salões oficiais, sua arte revela-se acessível ao grande público; recebida nos salões mais avançados, evidencia-se também suscetível de convencer pela originalidade e pela liberdade de fatura”.
Sérgio Milliet

“Em dois períodos de sua vida artística Rebolo dedicou-se à gravura: de 1959 a 1962, trabalhou mais de vinte matizes de xilogravura e, nos últimos anos, apresentou-nos outro tanto de águas-fortes.

A utilização da xilogravura não chega a constituir novidade em sua obra, porque representa uma continuação, com novos recursos, das monotipias, processo considerado por muitos como aparentado com a gravura e que Rebolo praticava há muito tempo.

Na realidade, a xilogravura passou a se constituir num processo mais extensívo e durável para a continuação dos trabalhos já iniciados com as monotipias. Voltando à gravura, a partir de 1970, Rebolo passou para o metal e conseguiu, no cobre, uma nova simbiose ao aquarelar suas águas-fortes.

(…)

Não obstante, talvez o mais importante a ser destacado, no caso das gravuras de Rebolo, é que elas podem ser e são apreciadas por sua condição de gravuras, independentemente da intenção original do artista, que era de servir-se delas como um instrumento tradicional para o desenvolvimento de sua pintura. Submetidas as placas aos processos de impressão tradicionais e mantendo-se as tiragens desprovidas de acréscimos que o artista emprestou às primeiras provas, tem-se a constatação de uma qualidade altamente definida, como e enquanto gravuras. E a apreciação nos revela o Rebolo gravador, com recursos muito próprios e livre de deformações amaneiradas dos profissionais da gravura”.
Marcelo Grassmann

Francisco Rebolo - Ubatuba - 33 x 41 cm

Francisco Rebolo – Ubatuba – 33 x 41 cm

“O registro do cotidiano realizado por Rebolo tem o caráter de um diário íntimo que se abre ao leitor para ser completado e manter o diálogo: ‘homem e o mundo ao redor’ ou ‘homem-natureza’. Os registros procurados são os mais simples e prosaicos. Procura documentar a própria vivência, de uma maneira pessoal. É desta forma que registra, da janela do seu atelier no Santa Helena, São Paulo que começa a crescer, produzindo documentos preciosos de um período de transição da paisagem urbana, como nas obras Rua do Carmo, de 1936, e Praça Clóvis, de 1944 – observação direta e simples de pessoas pacatas e de uma cidade que se transforma.

De meados dos anos 30 até fim dos anos 40, tem preferências pela realização de paisagem ao ar livre. A opção é pela pintura de cidades do interior do Estado ou do litoral e, de preferência, da região suburbana de São Paulo (…).

(…)

Do fim dos anos 40 até a década de 50, passa aos poucos para a produção em atelier. Prefere um esquema visual, livre e intuitivo, e não matemático. Apesar disso, constata-se nas suas composições segurança estrutural e tendência de retormar soluções semelhantes. Desde os primeiros trabalhos até a última fase, Rebolo mostra aguda sensibilidade na composição de suas obras, equilibradas como se seguisse um esquema secreto, preconcebido. São correntes, desde o começo de sua carreira, o esquema triangular e o aparecimento de três elementos em destaques, como um conjunto de árvores, uma estrada, um morro ou árvores, pessoas ou animais. Na obra Bois e Coqueiros, de fase posterior, de 1967, o aparecimento do conjunto de três elementos – casas, bois e coqueiros – é tão enfático que compete com os demais elementos da composição.

(…)

Francisco Rebolo - Natureza-Morta -  55,5 x 45 cm

Francisco Rebolo – Natureza-Morta – 55,5 x 45 cm

Depois de uma grande despedida no ‘Clubinho’, parte com a família, por dois anos, para a Europa. Com a viagem vêm as visitas aos museus, ateliers e a execução de novas obras. A arquitetura italiana motiva-o a realizar obras de maior rigor. A própria força da arquitetura renascentista orienta a construção de fachadas bem estruturadas e que acompanham as tonalidades típicas da arquitetura romana: ocres, terras. A obra Roma, de 1956, assegura a disciplina do olhar e o lirismo da ‘cidade eterna’. Da visita a Pompéia fica a marca do famoso vermelho pompeano que aparece em várias paisagens européias como, por exemplo, Ravena, de 1956, que se afasta de uma construção rígida e aproxima-se de uma composição ‘fauve’. Na volta, em agosto de 1957, expõe as telas pintadas na Europa no Museu de Arte Moderna. Comenta que se renovou, como se tivesse tomado um banho de juventude. Na obra Suzy, de 1959, indica que mantém recordações do período europeu, associando o rigor formal a variantes do vermelho pompeano na visão poética da filha que toca flautinha.

Aos 60 anos de idade, é temporariamente obrigado a afastar-se da pintura, depois de ter sofrido um infarto. Deixa de lado as tintas e passa a desenhar. Recuperado, nos anos 60 a pesquisa da matéria é sua marca fundamental. Diante da insistência de Marcelo Grassmann, elabora uma série de gravuras, à procura de novos desdobramentos. De 1960 a 1965, a influência da gravura se traduz por um leve ‘farfalhar’ das cores. Mas inspiração para esse tipo de pintura, assinala Rebolo, vem da contemplação de pinturas etruscas, marcadas pela história: com partes intactas ao lado das formas corroídas pela tempo. Para o pintor, as partes descascadas desta pintura sugerem novas formas e constituem fonte para novas concepções.

(…)

No final dos anos 60 elimina o preto, deixando reaparecer as cores claras. Nos anos 70 retoma as linhas de estrutura e diminui a textura, chegando até as cores chapadas. Promove um retorno ao toque mágico dos primeiros tempos – um anel lírico, marcado pela finalidade e inquietação, em que pontos de chegada se aproximam do ponto de partida. Nos últimos anos viaja por diversos Estados brasileiros, registrando lugares típicos e a luminosidade que distingue esse lugares”.
Elza Maria Ajzenberg

“Rebolo Gonsales, como artista do nosso pós-impressionismo, é o protótipo de espécime artesanal que chamaríamos o pintor ´paulistano´, paralelo ao espécime estético do pintor ´paulista´. Como artesão, aliás, é duma rara probidade retrospectiva e prospectiva. Prepara os suportes, guarda e escolhe as telas, sensibiliza-as com a ação do tempo e do magma, para em seguida programar os temas e ajustar-lhes os pigmentos. (…) Os seus pigmentos são pessoais, no sentido de resultarem de escolhas, preferências, sínteses, pincéis, espátulas, velaturas, gamas e cambiantes. A tal respeito, a sua paleta é rica e está sempre a serviço de materiais sensoriais, quase táteis. Não seria figura de retórica nem vezo analógico situá-lo entre os nossos primeiros ´fauves´, pela vibração de atmosferas. Constitui a sua obra, ao lado da de Volpi, Gomide, Zanini e De Fiori, uma agradável cosmogonia bairrista, quase local, de uso amplo, porém, desde a visualização do litoral vicentino até os acidentes do Tietê. Pintor paulista e paulistano de tal porte que é ipso facto pintor nacional. Dos que melhor conhecem o métier e sensibilizando-o à sua maneira específica”.
José Geraldo Vieira

Francisco Rebolo - Auto-Retrato - 45 x 38 cm

Francisco Rebolo – Auto-Retrato – 45 x 38 cm

“Para Rebolo, a paisagem sempre foi a fiel inspiradora de sua arte. Plantando seu cavalete em pleno campo (…) procurou ele na natureza silvestre aquilo que seu delicado estro de artista não encontrava no mundo artificial da cidade. A vida urbana, ele sempre a viu pelos seus arrabaldes proletários… Sem o saber, fez o mesmo que os impressionistas muitos anos atrás: fugia do ambiente cosmopolita para ir buscar no campo a atmosfera vibrante do ar livre. Enquanto os acadêmicos permaneciam em seu ateliê aprimorando a cor de cobre de suas panelas domésticas, Rebolo corria a se encontrar com a matéria viva e ´entrar na realidade da vida´, como ele próprio diz. Mas o Rebolo paisagista e ingênuo cedia aos poucos lugar ao pintor que a cada dia ia ganhando em profundidade intelectual. A certa altura, ele se lança à figura. Depois à natureza-morta. Em breve aos desenhos mais refletidos. Começava a sentir a necessidade da disciplina composicional. Só aí é que esse autodidata de roça vem a saber o que representa um Cézanne. Mas ele se julga feliz por ter sido um ´selvagem´. Afirma, com alguma razão, que a isso deve o nunca ter sido contaminado pelos vícios que põem tanta gente a perder”.
Walter Zanini

“Esta permanência no exterior proporciona ao artista novas experiências: ‘foi realmente uma das coisas importantes de minha vida, pois fiquei na Europa durante dois anos, fazendo cursos, em contato com museus e freqüentando os meios artísticos. Confesso que a grandeza das obras que tive ocasião de ver chegaram a intimidar-me, logo que voltei, mas acabei absorvendo novos elementos para minha pintura, devido ao impacto que tive entrei numa fase de pesquisas e experiências, por volta de 1960, que vieram dar no meu trabalho atual’ “.
Celia Lucia Rodrigues Torres Parahyba Campos

Francisco Rebolo - Marinha (Guarapiri ES) - 33 x 46 cm

Francisco Rebolo – Marinha (Guarapiri ES) – 33 x 46 cm

 

Exposições Individuais

1939

São Paulo SP – Primeira individual, na Galeria Itá

1944

São Paulo SP – Individual, na Livraria Brasiliense

1946

São Paulo SP – Individual, na Galeria Itapetininga

1955

São Paulo SP – Francisco Rebolo: pinturas, no MAM/SP

1957

Roma (Itália) – Individual, na Embaixada do Brasil

São Paulo SP – Francisco Rebolo: pinturas, no MAM/SP

1960

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Petite Galerie

1961

São Paulo SP – Individual, na Casa do Artista Plástico

São Paulo SP – Individual, na Galeria de Arte K.L.M.

São Paulo SP – Individual, na Galeria São Luís

1964

São Paulo SP – Individual, na Galeria São Luís

1966

São Paulo SP – Francisco Rebolo: guaches e desenhos, na Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo

1967

São Paulo SP – Individual, na Casa do Artista Plástico

São Paulo SP – Individual, na Galeria 4 Planetas

1968

São Paulo SP – Individual, na Galeria Atrium

1969

São Paulo SP – Individual, na Galeria Comodoro

1973

Brasília DF – Francisco Rebolo: retrospectiva, na Fundação Cultural do Distrito Federal

Brasília DF – Individual, na Oscar Seraphico Galeria de Arte

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Intercontinental

São Paulo SP – Rebolo: 40 anos de pintura, no MAM/SP

1974

Brasília DF – Individual, na Oscar Seraphico Galeria de Arte

Porto Alegre RS – Individual, no IAB/RS

Recife PE – Individual, na Ranulpho Galeria de Arte

1975

São Paulo SP – Rebolo 75, na A Galeria

1976

Brasília DF – Individual, na Oscar Seraphico Galeria de Arte

1977

Fortaleza CE – Rebolo: marinhas, paisagens e flores, na Galeria Sharp

Santos SP – Individual, no CCBEU

1978

São Paulo SP – Individual, na Galeria de Arte André

1979

Brasília DF – Individual, na Oscar Seraphico Galeria de Arte

Exposições Coletivas

1935

São Paulo SP – 3º Salão Paulista de Belas Artes

1936

Rio de Janeiro RJ – 42º Salão Nacional de Belas Artes, no Instituto Previdência – medalha de bronze

São Paulo SP – 4º Salão Paulista de Belas Artes – medalha de ouro

São Paulo SP – Exposição de Pequenos Quadros, no Palácio das Arcadas

1937

Rio de Janeiro RJ – 43º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – medalha de prata

São Paulo SP – 1ª Salão da Família Artística Paulista, no Esplanada Hotel de São Paulo

São Paulo SP – 5º Salão Paulista de Belas Artes

1938

São Paulo SP – 2º Salão de Maio, no Esplanada Hotel de São Paulo

São Paulo SP – 4º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos

1939

São Paulo SP – 2º Salão da Família Artística Paulista, no Automóvel Clube

São Paulo SP – 3º Salão de Maio, na Galeria Itá

São Paulo SP – 5º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – 6º Salão Paulista de Belas Artes

1940

Rio de Janeiro RJ – 3º Salão da Família Artística Paulista com integrantes do Grupo Santa Helena, no Palace Hotel

Rio de Janeiro RJ – 46º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – medalha de bronze

São Paulo SP – 6º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

1941

São Paulo SP – 1º Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, no Parque da Água Branca

1942

Rio de Janeiro RJ – 48º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – grande medalha de prata

São Paulo SP – 7º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

1943

Rio de Janeiro RJ – Exposição Anti-Eixo, no Museu Histórico e Diplomático – Palácio Itamaraty

São Paulo SP – Exposição Anti-Eixo, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – Nelson Nóbrega, Clóvis Graciano e Francisco Rebolo, na Galeria Itá

1944

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana

Londres (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy of Arts

Norwich (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

Rio de Janeiro RJ – 50º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA

São Paulo SP – 8º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – 9º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – Anita Malfati, Clóvis Graciano, Hilde Weber, Nelson Nóbrega, Francisco Rebolo e Alfredo Volpi, na Galeria Jaraguá

São Paulo SP – Exposição de Pintura Moderna Brasileira-Norte-Americana, na, Galeria Prestes Maia

1945

Bath (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victory Art Gallery

Bristol (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

São Paulo SP – 2ª Exposição Francesa, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – Alfredo Volpi, Bonadei, Carlos Prado, Quirino da Silva, Francisco Rebolo, Mario Zanini e José Pancetti, na Galeria Benedetti

São Paulo SP – Anita Malfati, Virgínia Artigas, Clóvis Graciano, Mick Carnicelli, Oswald de Andrade Filho, José Pancetti, Carlos Prado, Francisco Rebolo, Quirino da Silva, Alfredo Volpi, Mario Zanini, na Galeria Itapetininga

São Paulo SP – Galeria Domus: mostra inaugural, na Galeria Domus

São Paulo SP – Homenagem Póstuma a Mário de Andrade, na Galeria Itá

1946

Rio de Janeiro RJ – Os Pintores vão à Escola do Povo, na Enba

Santiago (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile. Instituto de Extensión de Artes Plásticas

São Paulo SP – 10º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – 10º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, na Galeria Prestes Maia

Valparaíso (Chile) – Exposición de Pintura Contemporánea Brasileña, na Universidad de Chile. Instituto de Extensión de Artes Plásticas

1947

São Paulo SP – Exposição Circulante de Artes Plásticas, na Divisão Moderna

1948

Rio de Janeiro RJ – Pintores Paulistas, no MEC

São Paulo SP – Mario Zanini, Rebolo, Sérgio Milliet e Volpi, na Galeria Domus

1949

Rio de Janeiro RJ – Exposição da Pintura Paulista

São Paulo SP – 13º Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos – 1º Prêmio Mário de Andrade

1950

São Paulo SP – Alfredo Volpi, Nelson Nóbrega, Zanini, Francisco Rebolo, na Galeria Domus

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon

1953

Rio de Janeiro RJ – 2º Salão Nacional de Arte Moderna, no MNBA – prêmio aquisição

1954

Goiânia GO – Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais

Rio de Janeiro RJ – Salão Preto e Branco, no Palácio da Cultura

São Paulo SP – 3º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

São Paulo SP – Arte Contemporânea: exposição do acervo do Museu de Arte de São Paulo, no MAM/SP

1955

São Paulo SP – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1958

Rio de Janeiro RJ – 7º Salão Nacional de Arte Moderna, no MAM/RJ

1959

Rio de Janeiro RJ – 8º Salão Nacional de Arte Moderna, no MAM/RJ

1960

São Paulo SP – Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

1962

São Paulo SP – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP

1963

Campinas SP – Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

1965

Brasília DF – 2º Salão de Arte Moderna do Distrito Federal

1966

São Paulo SP – Meio Século de Arte Nova, no MAC/USP

São Paulo SP – O Grupo do Santa Helena, Hoje, na Galeria 4 Planetas

1967

São Paulo SP – O Grupo Santa Helena: 30 anos depois, no Auditório Itália

1969

São Paulo SP – 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1970

São Paulo SP – 2º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1971

São Paulo SP – Coletiva, na Galeria Alberto Bonfiglioli

1972

São Paulo SP – 2ª Exposição Internacional de Gravura, no MAM/SP

São Paulo SP – A Semana de 22: antecedentes e conseqüências, no Masp

São Paulo SP – Arte/Brasil/Hoje: 50 anos depois, na Galeria da Collectio

São Paulo SP – Temática Brasileira, no Paço das Artes

1973

São Paulo SP – 5º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

São Paulo SP – Oito Pintores do Grupo Santa Helena, no Uirapuru Galeria de Arte

São Paulo SP – São Francisco de Assis, na Azulão Galeria

1975

São Paulo SP – 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

São Paulo SP – 40 Anos: Grupo Santa Helena, no MIS/SP

1976

Campinas SP – Aspectos do Modernismo no Brasil, na Centro de Convivência Cultural de Campinas

São Paulo SP – 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

São Paulo SP – Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, no Museu Lasar Segall

1977

São Paulo SP – Grupo Seibi – Grupo do Santa Helena: década 35 a 45, no MAB/Faap

1978

Ribeirão Preto SP – 3º Salão de Artes de Ribeirão Preto, na Casa da Cultura

Rio de Janeiro RJ – 18ª Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha

São Paulo SP – 16ª Arte e Pensamento Ecológico, na Cetesb

São Paulo SP – A Paisagem na Coleção da Pinacoteca, na Pinacoteca do Estado

São Paulo SP – Os Grupos, no Museu Lasar Segall

1979

São Paulo SP – 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

São Paulo SP – Desenhos dos Anos 40: homenagem a Sérgio Milliet, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade

São Paulo SP – O Grupo Santa Helena, na Uirapuru Galeria de Arte

Cronologia

1915

São Paulo SP – Trabalha como aprendiz de decorador em muitas residências, onde realiza frisos decorativos, e pinta detalhes das Igrejas de Santa Ifigênia e Santa Cecília

1917

São Paulo SP – Inicia carreira de jogador de futebol semiprofissional, na Associação Atlética São Bento

1922

São Paulo SP – Integra a equipe do Sport Club Corinthians Paulista, que conquista o título de Campeão do Centenário

1926/1970

São Paulo SP – Trabalha como pintor de residências, para clientes particulares, arquitetos e firmas de construção

1927/1934

São Paulo SP – É contratado pelo Esporte Clube Atlético Ypiranga

1935

São Paulo SP – Participa da organização do Grupo Santa Helena ao lado de Mario Zanini (1907 – 1971), Fulvio Pennacchi (1905-1992), Bonadei (1906-1974), Humberto Rosa (1908-1948), Clóvis Graciano (1907-1988), Alfredo Volpi (1896-1988) e outros

1936

São Paulo SP – Participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo

1937

São Paulo SP – Integra a Família Artística Paulista – FAP

1940

São Paulo SP – Participa da criação da Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes

1941

São Paulo SP – Premiado no concurso de desenho e guache promovido pelo Departamento de Informações e do Patrimônio Histórico, visando à divulgação de monumentos históricos

1944

Minas Gerais – Viaja a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902 – 1976), em companhia de outros intelectuais e artistas modernos

1945

São Paulo SP – Trabalha para a criação do Clube dos Artistas e Amigos da Arte (Clubinho), do qual se torna diretor

1948/1952

São Vicente SP – Visita a cidade com freqüência e produz numerosas marinhas

1948

São Paulo SP – Dirige o jornal Artes Plásticas, com Ciro Mendes, Flávio Motta (1916), Cláudio Abramo e Clóvis Graciano

São Paulo SP – Participa do movimento para criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP

1954

São Paulo SP – Participa do júri do 3º Salão Paulista de Arte Moderna

1955/1957

Espanha, Alemanha, Bélgica, Holanda, França e Itália – Embarca com a família com o prêmio de viagem ao exterior obtido no 3º Salão Nacional de Arte Moderna e visita vários museus

1959/1962

São Paulo SP – Incentivado por Marcelo Grassmann (1925), inicia uma série de experiências como gravador

1963

São Paulo SP – Dedica-se mais ao desenho e à gravura, afastando-se temporariamente das tintas devido a recomendação médica

1966

Barra do Sahy SP – Faz visitas freqüentes ao litoral com considerável produção de óleos

1971/1979

Sul e Nordeste do Brasil – Faz viagens freqüentes com considerável produção de óleos

1972

Brasília DF – Executa painel para o Senado Federal

1973

São Paulo SP – É escolhido para executar os óleos que ilustrarão as grandes extrações da Loteria Federal

São Paulo SP – Prêmio de pintura da Associação Paulista de Críticos de Artes – APCA, homenagens comemorativas dos 70 anos do pintor

1977

São Paulo SP – É homenageado no Clube dos Artistas pelos 75 anos de idade

1978

São Paulo SP – Colabora com os movimentos políticos de oposição ao Governo Militar

São Paulo SP – É realizado o documentário sobre sua vida e obra O Anel Lírico, com direção e produção de Olívio Tavares de Araújo, apresentado no MIS/SP

1980

São Paulo SP – É homenageado no Salão Paulista de Arte Moderna

São Paulo SP – É homenageado no Salão Paulista de Belas Artes

1981

É homenageado com a Parede do Mês, no Spazio Pirandello

1989

São Paulo SP – É realizado o vídeo Das Paredes às Telas, Dos Porões às Praias, de Reginaldo A. Figueiredo, produzido pela TV Cultura/Fundação Padre Anchieta.

 

Livros

Francisco Rebolo

FRANCISCO REBOLO
Formato: Livro
Autor: SANTA ROSA, NEREIDE SCHILARO
Editora: DUNA DUETO
Assunto: INFANTO-JUVENIS

 

Rebolo 100 anos

REBOLO 100 ANOS
Formato: Livro
Autor: GONÇALVES, ANTONIO
Organizador: GONÇALVES, LISBETH REBOLLO
Editora: EDUSP
Assunto: ARTES – PINTURA

 

Videos

Este vídeo conta a história da relação entre o artísta plástico Francisco Rebolo e o Corinthians.
Rebolo jogou no clube tendo sido campeão do centenário em 1922. Na década de 30 desenhou a versão definitiva do distintivo do clube.

 

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Sobre o autor

Mercado Arte

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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