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Divulgue suas obras

Roberto Burle Marx

| Burle Marx | 18/08/2012

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“Um jardim faz-se de luz e sons – as plantas são coadjuvantes.”

Roberto Burle Marx foi um dos maiores paisagistas do nosso século, distinguido e premiado internacionalmente. Artista de múltiplas artes, foi também, desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador, cantor e criador de jóias, sensibilidades que conferiram características específicas a toda a sua obra.

Burle Marx - Foto artista

Burle Marx – Foto artista

Um artista plástico brasileiro, renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista. Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo.

Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, ele inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Foi ele quem valorizou as bromélias, por exemplo, e tornou-as populares: hoje essas plantas naturais da Mata Atlântica se tornaram conhecidas e são cultivadas em viveiros para serem vendidas. O “estilo Burle Marx” tornou-se sinônimo de paisagismo brasileiro no mundo.

 Roberto Burle Marx - Biografia

Burle Marx - Foto artista

Burle Marx – Foto artista

Roberto Burle Marx nasceu no dia 04 de agosto de 1909, numa ampla e confortável casa na Avenida Paulista, projetada por René Thiollier, conhecida como ” Vila Fortunata”, na cidade de São Paulo.

Durante a infância vive no Rio de Janeiro. Vai com a família para a Alemanha, em 1928.
Em Berlim, estuda canto e se integra à vida cultural da cidade, freqüenta teatros, óperas, museus e galerias de arte. Entra em contato com as obras de Vincent van Gogh, Pablo Picasso e Paul Klee.

Em 1929, freqüenta o ateliê de pintura de Degner Klemn. Nos jardins e museus botânicos de Dahlen, em Berlim, entusiasma-se ao encontrar exemplares da flora brasileira.

Burle Marx revela-se fascinado pelas estufas de plantas no Jardim Botânico de Dahlem. Dividido entre a pintura , a música e as plantas, passa a visitar todas as semanas aquele Jardim Botânico, observando atentamente todas as espécies ali existentes, entre as quais as estufas de plantas brasileiras que ele não conhecia, e a estudar pintura no ateliê de Degner Klemn, interessado em desenhar figura humana. Recebe também, juntamente com os irmãos, ensinamentos de piano e canto, com professores berlinenses, revelando particular interesse pela obra de Mozart, Strauss e Wagner, entre outros compositores.

Segundo declarações do próprio Burle Marx, foi uma exposição de pinturas de Picasso, Klee e Matisse, que visitou na Galeria Flechstein, em companhia de Erna Busse (governanta da família), bem como uma retrospectiva da obra de Van Gogh, em Berlim, que lhe causaram profunda impressão e o levaram à decisão de estudar pintura.

Burle Marx - Foto artista

Burle Marx – Foto artista

O impacto com as formas e o colorido dramático do pintor holandês, foi citado inúmeras vezes em entrevistas, por Roberto, como “um instante de rara força interior e de alta expressão, visto que nesse dia, disse para mim mesmo: eu quero ser pintor. Todavia, isso não impediu que eu continuasse (…) a me identificar cada vez mais com as plantas (…)”.

De volta ao Brasil, faz curso de pintura e arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes – Enba, Rio de Janeiro, entre 1930 e 1934, onde é aluno de Leo Putz, Augusto Bracet e Celso Antônio.

Em 1932, realiza seu primeiro projeto de jardim para a residência da família Schwartz, no Rio de Janeiro, a convite do arquiteto Lucio Costa, que realiza o projeto de arquitetura com Gregori Warchavchic.

Entre 1934 e 1937, ocupa o cargo de diretor de parques e jardins do Recife,Pernambuco, onde passa a residir. Nesse período, vai com frequência ao Rio de Janeiro e tem aulas com Candido Portinari e com o escritor Mário de Andrade, no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal.

Em 1937, retorna ao Rio de Janeiro e trabalha como assistente de Candido Portinari. O final da década de 1930 arca a integração de sua obra paisagística à arquitetura moderna, época em que o artista experimenta formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos.

Paralelamente, trabalha como pintor, dedicando-se, na década de 1930, a naturezas-mortas com motivos da flora brasileira, em traços sinuosos e uma paleta de tons sóbrios. Produz quadros em que incorpora soluções formais do cubismo, como na obra Abóboras com Bananas (1933). Na pintura mantém diálogo com Picasso e com os muralistas mexicanos, representando figuras do povo, cenas de trabalho e favelas. Em seus retratos aproxima-se da obra de Candido Portinari, com quem estuda em 1935, e Di Cavalcanti, na representação realista dos personagens.

Burle Marx - Foto artista

Burle Marx – Foto artista

Emprega o geometrismo ao pintar cidades, construídas em linhas retas, com uma paleta sóbria, em que predominam tons amarelo, cinza e preto, como em Morro do Querosene (1936) e Morro de São Diogo (1941). Paralelamente, um novo tratamento formal é percebido em alguns quadros: a passagem gradual para o abstracionismo, como em Cataventos (1940), Figura em Cadeira de Balanço (1941) e Peixes (1944).

Sua paixão por plantas remonta à juventude, quando se interessa por botânica e jardinagem, mas é em 1949 que Roberto Burle Marx organiza uma grande coleção, quando adquire um sítio de 800.000 m², em Campo Grande, Rio de Janeiro. Em companhia de botânicos, realiza inúmeras viagens por diversas regiões do país, para coletar e catalogar exemplares de plantas, reproduzindo em sua obra a diversidade fitogeográfica brasileira.

Na década de 1950 a obra de Burle Marx atinge uma linguagem particular. A tendência para a abstração consolida-se e a paleta muda, passando a incluir muitas nuances de azul, verde e amarelo mais vivos. Em suas telas o trabalho com a cor está associado ao desenho, que se sobrepõe e estrutura a composição. Nos anos 1980, passa a realizar composições geométricas em acrílico, os contornos são desenhados com a cor, as telas adquirem um aspecto fluído, flexível e ganham leveza.

Ao longo de sua carreira são numerosos os desenhos a nanquim, nos quais, muitas vezes, trabalha com motivos tirados da trama finíssima de folhagens e galhos. Embora tenha como base a natureza, seus desenhos são, essencialmente, de caráter abstrato, com a predominância de elementos lineares. Utiliza o nanquim para obter gradações em tonalidades diversas, como pode ser visto no desenho Dia e Noite (Série 1973, 1).

Burle Marx - Foto artista

Burle Marx – Foto artista

Inspirando-se constantemente em formas da natureza, suas pinturas e desenhos refletem a indissociável experiência de paisagista e botânico. Na década de 1970, tem marcante atuação como ecologista, defendendo a necessidade da formação de uma consciência crítica em relação à destruição do meio ambiente. O Sítio Santo Antônio da Bica é doado ao governo federal em 1985, passando a chamar-se Sítio Roberto Burle Marx, e constitui um valioso patrimônio paisagístico, arquitetônico e botânico.

Roberto Burle Marx faleceu no dia 4 de junho de 1994, no Rio de Janeiro, aos 84 anos.

Formação

1928/1929 – Alemanha – Freqüenta o ateliê de pintura de Degner Klemn

1930/1934 – Rio de Janeiro RJ – Curso de pintura e arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes – Enba; é aluno de Leo Putz (1869 – 1940), Augusto Bracet (1881 – 1960) e Celso Antônio (1896 – 1984)

1935/1937 – Rio de Janeiro RJ – Freqüenta as aulas do pintor Candido Portinari (1903 – 1962) no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal – UDF

 Curiosidades

Livro – Burle Marx

Burle Marx - Peixes - 60 x 72 cm

Burle Marx – Peixes – 60 x 72 cm

Autor: Vera Beatriz Siqueira
Editora: Cosac Naify

Burle Marx, paisagista, uniu arquitetura moderna e ideal urbano de maneira brasileira, exaltando a flora tropical e usando formas orgânicas e sinuosas, com influência do pensamento abstrato moderno. Este livro fornece argumentos teóricos e visuais sobre a originalidade de seu projeto paisagístico e analisa várias de suas mais importantes obras, entre elas, o conjunto do Aterro do Flamengo (Praça Salgado Filho, Museu de Arte Moderna, Parque Brigadeiro Eduardo Gomes), a residência Walter Moreira Salles (atual Instituto Moreira Salles do Rio), o Ministério das Relações Exteriores e o Palácio Itamaraty de Brasília.

Livro – A mesa com Burle Marx
Autor: Claudia Pinheiro / Cecilia Modesto
Editora: Contra Capa

Este livro registra os talentos de Burle Marx e apresenta uma faceta artística de Marx que deixou uma marca em sua atuação como ambientalista, desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador, cantor e criador de jóias. ‘À mesa com Burle Marx’ traz receitas e a apresentação de locais com relação ao paisagismo.

 

Burle Marx - Vaso com flores - 100 x 81 cm

Burle Marx – Vaso com flores – 100 x 81 cm

Livro – Roberto Burle Marx – Arte & Paisagem
Autor: Roberto Burle Marx
Editora: Nobel

Essa nova edição do livro ‘Arte & Paisagem’, ampliada e fartamente ilustrada a pedido do próprio paisagista, contém textos inéditos que revelam o pensamento de Roberto Burle Marx em um modelo voltado para facilitar a percepção de suas idéias filosóficas e o conhecimento de suas intenções projetuais. Procurando recriar as circunstâncias de realização das conferências, a transcrição foi ilustrada com primorosas imagens de renomados fotógrafos como Marcel Gautherot, Luiz Claudio Marigo, Andrés Otero entre outros, de inúmeros de seus projetos, do Sítio Roberto Burle Marx (sua residência e local onde desenvolveu uma respeitável coleção botânica) e de excursões realizadas por Roberto Burle Marx e sua equipe em ecossistemas naturais brasileiros. As fotos são acompanhadas por legendas que ilustram seus conceitos, articulados com fatores históricos e informações adicionais do organizador José Tabacow.

Livro – Burle Marx – Jardins e Ecologia
Autor: Marcia Pereira Carvalho / Nubia Melhem Santos
Editora: Senac Rio

Com foco sobre parte do universo que influenciou e inspirou o trabalho de Burle Marx, o livro oferece uma pequena amostra da diversidade ecológica brasileira e, ao final, apresenta um passeio pelo Sítio Roberto Burle Marx, onde o paisagista viveu e trabalhou, e que abriga uma variada coleção de plantas nativas e exóticas.

Livro – Nos Jardins de Burle Marx
Autor: Jacques Leenhardt
Editora: Perspectiva

O volume contém, além de uma entrevista com Burle Marx, análises por vários especialistas de sua importância simultânea nos campos do paisagismo, botânica, arquitetura, urbanismo, sociologia e história da arte.

Trecho de entrevista com Burle Marx

Burle Marx - Paisagem do Rio - 60 x 72 cm

Burle Marx – Paisagem do Rio – 60 x 72 cm

JACQUES LEENHARDT– E se você tivesse de definir o conceito de jardim?

ROBERTO BURLE MARX– Minha experiência, ampla e já antiga, de paisagista, criador, realizador e conservador de jardins, permite-me hoje formular o conceito que tenho de jardim como a adequação do meio ecológico às exigências naturais da civilização.
Esse conceito dá forma à minha visão, fundamenta-se numa longa prática mas não tem qualquer pretensão de originalidade, essencialmente porque todo o meu trabalho está alicerçado na evolução histórica e na atenção que dedico ao ambiente natural.

JACQUES LEENHARDT– Qual então a fonte desse conceito?

ROBERTO BURLE MARX– A mesma que serve de base ao comportamento do homem do Neolítico: transformar a natureza e sua topografia para dar plenamente seu lugar à existência humana – lugar individual e coletivo, utilitário e recreativo. Existem duas paisagens: uma natural e dada, a outra humanizada e, portanto, construída. Esta última resulta de todas as interferências impostas pela necessidade. Todavia, além das implicações decorrentes das exigências econômicas (transportes, agricultura, culturas, moradia, fábricas etc.), não nos esqueçamos de que a paisagem também se define por uma exigência estética, que não é nem luxo nem desperdício, mas uma necessidade absoluta para a vida humana e sem a qual a própria civilização perderia sua razão de ser.

Livro – Burle Marx – Mestres das artes no Brasil
Autor: Carla Caruso
Editora: Moderna Editora

Este livro conta a trajetória de vida de um artista múltiplo: paisagista, arquiteto, pintor, escultor e grande estudioso da flora brasileira. Burle Marx tem grande importância na criação da paisagem moderna e tropical do país, o que fica evidenciado por meio de suas obras, mundialmente conhecidas, como as calçadas de Copacabana no Rio de Janeiro e o Parque da Pampulha, em Belo Horizonte.

 

Burle Marx - Guaratiba - 275 x 200 cm

Burle Marx – Guaratiba – 275 x 200 cm

Livro – Vários mundos – Burle Marx além das paisagens
Autor: Paula Browne
Editora: Rocco

Além de pintor, tapeceiro, escultor, entre outras facetas, mas, sobretudo, um defensor da natureza e da alegria de viver. Em ‘Vários mundos – Burle Marx além das paisagens’, Paula Browne, sobrinha-neta dele mergulha no legado de homem, cidadão e artista de seu tio-avô. Lançando mão de suas memórias familiares e afetivas, bem como de uma pesquisa histórica, Browne presta uma homenagem através dos olhos da protagonista Violeta, de 15 anos, uma jovem que acabará descobrindo novos e ‘vários mundos’ pelo caminho da arte.

Livro – Roberto Burle Marx 100 anos – A Permanência do instável
Autor: Lauro Cavalcanti
Editora: Rocco

O livro aborda questões levantadas por Burle Marx nos campos do modernismo, paisagismo, urbanismo, ecologia e botânica.

Livro – Roberto Burle Marx – Uma experiência estética
Autor: Lauro Cavalcanti / Regina Zappa
Editora: 19 Design

O livro traz fotos das criações de Roberto Burle Marx, comentários e curiosidades sobre o processo de elaboração de seus principais projetos, além de uma entrevista com Haruyoshi Ono, aprendiz do artista e diretor do escritório Burle Marx e Cia.

Livro – Plantas Tropicais de Burle Marx

Burle Marx

Burle Marx

Autor: Harri Lorenzi / Luiz Emygdio Mello Filho
Editora: Plantarum

Roberto Burle Marx, falecido em 4 de junho de 1994, foi um dos maiores paisagistas desse século e o maior do Brasil em todos os tempos. Este livro trata das plantas colecionadas e ou utilizadas por ele em seus quase 1000 projetos de paisagismo executados ao longo de sua vida profissional de mais de 70 anos. Durante mais de 50 anos ele cultivou plantas com características ornamentais trazidas de todo o mundo tropical e principalmente do Brasil. Este livro traz 960 espécies de plantas tropicais de uso paisagístico em fotos coloridas, colecionadas e utilizadas por Roberto Burle Marx em mais de mil projetos paisagísticos no Brasil e no exterior.

Depoimentos

“A larga e muito ampla experiência de meu trabalho de paisagista, criando, realizando e conservando jardins, parques e grandes áreas urbanas, praticamente desde a terceira década deste século, permite-me agora formular a conceituação que faço do problema jardim, como sinônimo de adequação do meio ecológico para atender às exigências naturais da civilização.

Este conceito, isto é, meu pensamento atual, baseado numa razoável experiência, não pretende nenhuma originalidade, nenhuma descoberta, sobretudo porque toda a minha obra responde por uma razão de percurso histórico e por uma consideração do meio natural.

Em relação à minha vida de artista plástico, da mais rigorosa formação disciplinar para o desenho e a pintura, o jardim foi, de fato, uma sedimentação de circunstâncias. Foi somente o interesse de aplicar sobre a própria natureza os fundamentos da composição plástica, de acordo com o sentimento estético da minha época. Foi, em resumo, o modo que encontrei para organizar e compor o meu desenho e pintura, utilizando materiais menos convencionais.

Em grande parte, posso explicar, através do que houve em relação à minha geração, quando os pintores recebiam o impacto do cubismo e do abstracionismo. A justaposição dos atributos plásticos desses movimentos estéticos aos elementos naturais constituiu a atração para uma nova experiência. Decidi-me a usar a topografia natural como uma superfície para a composição e os elementos da natureza encontrada – minerais, vegetais – como materiais de organização plástica, tanto e quanto qualquer outro artista procura fazer sua composição com a tela, tintas e pincéis.

Os críticos mais interessados na minha obra têm, repetidas vezes, assinalado a ligação estilística entre a pintura e o paisagismo que faço. Geraldo Ferraz e Clarival Valladares têm indicado toda a minha obra como dentro de uma unidade plástica e eu mesmo sou o primeiro a reconhecer não haver diferenças estéticas entre o objeto-pintura e o objeto-paisagem construída. Mudam apenas os meios de expressão”.
Roberto Burle Marx

Críticas

Burle Marx - Composição  - 162 x 130 cm

Burle Marx – Composição – 162 x 130 cm

“A pintura de Burle Marx, agora, procura situar-se como levantamento visual do paisagismo trabalhado. Procura devestir o desenho de sua presença incisiva, mas sob as cores e paralelamente o desenho guarda nos quadros de Burle Marx essa trepidação orquestrada, o segredo de uma ordem. Donde a reminiscência braquiana, que esteve sempre em sua profunda obediência à ordem do mestre, a regra contingenciando a emoção. Pintura que reatualiza a prospecção cubista, dentro das invariantes abstratas, investindo nessas invariantes um relacionamento em que as formas produzem às vezes um bailado de ritmo grave (estamos pensando em quadros do tipo da Composição 1). Dizer que essa pintura acabou na ´Extravasaria´, um dos nomes propostos pelo próprio artista ao resultado a que chegou, é concordar em gênero e número com sua busca de imagens – pois há de tudo nessa pintura quanto a imaginária informada pela geometria deixa escapar de um sensualismo colorístico. Somos levados a concluir que os grandes quadros anteriores melhor se condensaram nos quadros de 1974. (…) O artista em sua maturidade, não há mal repetir essa conseqüência assinalada já, é uma projeção de personalidade inteiriça, que transfunde em todos os seus gestos o desenho urbano do chão, dos jardins verticalizados, da flora que fornece todo o seu temário”.
Geraldo Ferraz

“As texturas são variadas nos diversos trabalhos. Mas, percebe-se que o artista fixou o ambiente, representados alguns deles numa visão bidimensional e outros numa curiosa perspectiva abstrata. Sob esse aspecto, seus desenhos são muito atuais. Denotam o propósito do artista em renovar-se, numa múltipla produção de jardins, esculturas florais, tapeçarias e desenhos os mais diversos. Burle Marx é por isso mesmo um artista que procura atingir o universal, coisa rara em nossa época. Os desenhos mais escuros, com nanquim distribuído em tonalidades diversas, são muito curiosos, tanto do ponto de vista das variações e gradações dos cinzas, como dos pretos e brancos, com ligeiras nuances. Alguns até parecem coloridos, pelos vários matizes obtidos pelas pinceladas. Outros têm efeitos comuns às gravuras. São obras laboriosamente executadas e que mostram outra faceta do poderoso talento visual do desenhista”.
Antonio Bento

Burle Marx - Retrato de Oscar Meira

Burle Marx – Retrato de Oscar Meira

“A diferença que noto entre sua pintura e o seu desenho se traduz como gradação temática. Na fase atual, a composição deriva da estrutura vegetal, solta e esquematizada no espaço. Isto resultou de sua imensa vivência de jardinista, de botânico, de ecologista capaz de ver e entender o íntimo das plantas, mas por uma outra razão, pode se considerar como alcance meramente estético do exercício plástico. Observando e anotando, exaustivamente, estruturas vegetais sobrepostas, assim como se somam na natureza, Roberto Burle Marx pôde construir no desenho uma linguagem individual de plenitude. Como filiação estilística, quando muito poder-se-ia dizer contemporâneo de Picasso, Braque e Matisse mas há de se reconhecer que a Roberto Burle Marx coube desenhar a trama do mundo vegetal, descobrindo espaços, planos e claros-escuros por ninguém jamais revelados”.
Clarival do Prado Valladares
“A obra gráfica, desenhada em preto e branco do artista, tem tanta importância quanto a da sua forte contribuição como colorista. O caráter transitório do desenho, de linha que avança, faz com que ele seja como Mário de Andrade tão bem apontou uma espécie de ‘arte intermediária entre as do espaço e do tempo. (…) Porque o desenho é por natureza um fato aberto’. Essa liberdade intrínseca ao desenho confere às gravuras aos nanquins ás águas-fortes, a certas telas e tapeçarias de Roberto grande fluidez na trama imaginante das formas. Ao mesmo tempo que compõe com a gama ampla das cores de maneira orquestral, Roberto cria densidade ainda mais dramática no diálogo concentrado de duas notas: o preto e o branco, às vezes acrescidos de sépias ou cinzas. (…) Como traço tênue, é ainda o desenho que intervém em alguns pontos para dar escala a grandes manchas de cor – azul, amarelo, vermelho, violeta – em composições essencialmente cromáticas como Guaratiba, de 1989. Em outros trabalhos, a estrutura das linhas se adensa, e cerca a cor que, como num vitral, tem a sua luz projetada de dentro”.
Lélia Coelho Frota

“A criação paisagística permite-lhe lidar com a qualidade abstrata da forma moderna, sem os limites objetivos de sua utilização pictórica. Este parece ser o cerne da qualidade artística de seus jardins: o lugar de lidar com circunstâncias formais no espaço, Burle Marx cria um fato espacial concreto. Para tal, precisa recusar a poda, a busca de uma formalização arbitrária, representativa da forma pictórica. O seu ideal de formalização dos gestos da natureza imbrica-se na vontade de liberar a forma plástica de seus constrangimentos, de percebe-la como um dado concreto da existência e, portanto, necessariamente instável e cambiante.

Burle Marx - Composição Vegetal - 121 x 149 cm

Burle Marx – Composição Vegetal – 121 x 149 cm

(…) Burle Marx desenvolveu, como poucos, a capacidade de antecipar as relações formais entre as espécies de plantas que escolhia para seus jardins. Combinava as tonalidades das folhagens perenes com as cores das flores ou inflorescência episódicas, surgidas em determinados períodos do ano. Trabalhava com contrastes cromáticos intensos que nada tinham a ver com as cores usadas em suas planimetrias em guache. O desenho jamais determinou o destino do jardim, que o paisagista sabia ser imprevisível e instável. Um claro exemplo disso é o jardim da residência de Odette Monteiro, em Correias, Petrópolis, (RJ), remodelado pelo próprio Burle Marx na década de 1980, quando a propriedade passou às mãos de Luiz César Fernandes. Como aponta Rossana Vaccarino, neste caso o trabalho com as oposições cromáticas supera qualquer aplicação de regras bidimensionais: ‘Cor é uma dimensão que transmite volumes e texturas para suas paisagens, e o faz no ambiente natural brasileiro’ “.
Vera Beatriz Siqueira

Parque Burle Marx

O Parque Burle Marx possui uma importante função na composição de áreas verdes da cidade, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar, redução da poluição sonora, preservação da fauna e da flora, amenização dos efeitos das “ilhas de calor”, além de servir de agradável espaço para o lazer da população.
Este parque é totalmente voltado para o lazer contemplativo e sua principal finalidade é a aproximação da população com a natureza, proporcionando, através de suas trilhas e caminhos, agradáveis passeios por entre a vegetação constituída de espécies remanescentes da Mata Atlântica.
Esta área de 138 mil m2 conta ainda com edificações valiosas para nossa história e arquitetura. Trata-se de uma casa de taipa e pilão datando do século XIX, cujo método construtivo é muito semelhante ao utilizado pelo denominado “Ciclo Bandeirista”. Outra importante obra consiste no jardim do maior paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx, que abriga o espelho d´água com um conjunto de painéis escultóricos e palmeiras imperiais, além de um lindo pergolado e um gramado de duas cores que imita um tabuleiro de xadrez.
O Parque Burle Marx representa um abrigo importante para avifauna e outros grupos de animais que tem seu habitat garantido em um dos últimos testemunhos representativos de Mata Atlântica dentro da área urbana do município.

Parque Burle Marx

Parque Burle Marx

Entrevista com Burle Marx – Sitio Santo Antônio da Bica/ Rio de Janeiro

Ana Rosa de Oliveira

Ana Rosa de Oliveira entrevistou Roberto Burle Marx em fevereiro de 1992. A entrevista foi disponibilizada em Vitruvius em junho de 2001.

No intuito de apresentar algumas das chaves da poética de Burle Marx foi realizada essa entrevista. Ela realizou-se em 1992, quando eu iniciava as pesquisas para a minha tese de doutorado em Barcelona. Posterior a uma exaustiva busca nos escritos de Burle Marx e da crítica especializada muitas questões continuavam sem resposta. Isso me levou a buscar um contato com Burle Marx, para que, a partir das suas próprias declarações eu pudesse gerir as dúvidas surgidas. Roberto Burle Marx concedeu-me essa entrevista em sua casa, no Sítio Santo Antônio da Bica, Rio de Janeiro, dois anos e meio antes de falecer. O seu tempo era escasso e ao longo da entrevista não parou de pintar. Vestido com um jeans e uma camisa branca, manchada de tintas, ia pintando e orientando o seu ajudante sobre o modo de dispor a tela de serigrafia ou a cor e a quantidade de tinta a ser utilizada. A entrevista transcorreu entre telas de serigrafia, tintas, pincéis, plantas, um pouco do universo que o circundava.

Ana Rosa de Oliveira: Se estabelecêssemos uma evolução para o seu jardim, seria possível dizer que inicialmente houve uma busca mais ecológica, preocupada com a valorização da vegetação nativa e as associações de plantas e, posteriormente uma preocupação estética?

Roberto Burle Marx: Inicialmente meus jardins tiveram um enfoque ecológico. Mas esse enfoque é bastante relativo. Eu fiz, por exemplo, o jardim do MEC com umas manchas bastante abstratas, pois nessa época eu já conhecia Arp. De modo que não pode-se dizer que meus jardins, mesmo nos seus inícios tivessem uma preocupação essencialmente ecológica.

ARO: Estudando suas conferências e entrevistas publicadas encontrei muita informação sobre sua formação botânica, porém o Sr. não fala muito da

Burle Marx - Composição -

Burle Marx – Composição -

sua formação artística. Quem ou que momentos são importantes nessa formação? Os escritos importantes. Como a música influencia na sua formação?

RBM: [Olhando para uma tela de serigrafia contra a luz, comenta: "Engraçado, olhando daqui, como fica bonito esse carmim e este azul. Nós muitas vezes vamos encontrar aquilo que buscamos, no momento. Por exemplo, todos esses azuis, são uma lição de raffinement"]. Eu tive uma mãe musicista, cantava muito bem, era ótima pianista e tinha uma sensibilidade diabólica, diabolique ou divina. Ela gostava de plantas. Quando eu comecei a trazer plantas do mato que eu gostava ela nunca disse: “Ai Roberto, isso é mato”. Ela dizia: “Roberto que coisa bonita, eu nunca tinha visto, isso é uma espécie de manifestação divina”. E no fundo… eu não sou religioso, mas existem forças que eu não consigo explicar. Por exemplo, porque gostamos de uma determinada cor, de um determinado momento que para outros não tem a menor importância. Há alguma coisa misteriosa. Depois eu comecei a me preocupar com as plantas e a descoberta das plantas, sobretudo no Brasil é uma coisa fabulosa…

As influências vêm ao longo da vida. Todos tivemos uma certa convenção. Eu sou da época em que se ouvia Wagner o qual teve influência na minha vida, um Schuman, um Schubert, pois minha mãe os cantava muito bem, desde que eu me entendo eu os ouvia. Existem certos músicos que embora eu considere de certo valor não os sinto fortemente. Uns gostam de jardim, outros de seixo rolado… Hoje está de moda fazer jardins sem vegetação, no entanto quem conhece a vegetação, sua fenologia… (Olhando para a tela pintada: Deixe-me ver. Está ótimo. Agora dê um tom dum azul esverdeado, esse azul mesmo).

ARO: E a sua viagem a Berlim?

RBM: Eu estive na Europa de 1928 a 1929. Vivi um ano e meio em Berlim. Tudo o que eu vi na época em que estive em Berlim, as obras de Wagner, a suite Pelleas et Melisande, as sinfonias de Beethoven, os músicos, um Hindemit, um Schoenberg, um Alban Berg, foram artistas que tiveram uma importância muito grande na minha formação.

ARO: Eu gostaria de saber se além da música, da valiosa descoberta das plantas brasileiras no Jardim Botânico de Dahlem, nesse período que o Sr. viveu em Berlim, houve uma descoberta similar, referente às novas tendências da pintura que se concretizavam na Europa?

RBM: Em Berlim eu freqüentava as exposições, principalmente as dos expressionistas alemães. Mas o que eu quero dizer é o seguinte… em arte, o problema não se circunscreve apenas ao conhecimento da pintura. É tudo o que aconteceu naquela época. Por exemplo, eu ia ao Jardim Botânico, eu ia às óperas, havia 3 óperas funcionando em Berlim. Os diferentes cenários, eu vi os feitos pelos maiores cenaristas da época. Esse convívio com a música, com as plantas, tudo isso faz um tecido cultural. Eu quero dizer com isso que a cultura é uma coisa só.

Eu detesto essa idéia de que o paisagista só deva conhecer plantas. Ele tem que saber o que é um Piero de la Francesca, mas também compreender o que é um Miró, um Michelangelo, um Picasso, um Braque, um Léger, um Karl Hofer, um Renoir, um Delaunay. Digamos que isto sim, o que eu acho muito importante na vida é não se circunscrever a uma coisa só. Mas eu também gosto de poesia, de música, como de uma sinfonia de Bella Bartok. Eu quero dizer que a vida é a gente saber observar, absorver e, possivelmente uma coisa que talvez tenha me ajudado muito é que eu nunca perdi a curiosidade pelas coisas. Com a idade que eu tenho sempre tem uma coisa nova, é uma cor, uma coisa que me induz a ver.

["Olha eu quero um azul, aquele azul que estou falando, esverdeado, é quase no tom desta tela", mostrando a tela de serigrafia]

Burle Marx - Natureza-Morta

Burle Marx – Natureza-Morta

Ana Rosa de Oliveira: E na sua volta ao Brasil?

Roberto Burle Marx: Quando eu voltei ao Brasil começaram as excursões. Fui amigo dos grandes botânicos que o Brasil teve. Depois que voltei, conheci o Ducke, botânico que viveu 50 anos na Amazônia. Era proveniente da Dalmácia, mas não aceitava de modo nenhum que dissessem que ele não era brasileiro.

Classificou mais de 500 leguminosas. Podemos dizer que conhecia botânica maravilhosamente. Foi até curioso, pois um dia eu lhe disse: professor Ducke, eu queria os seus livros. Ao qual ele respondeu: “Não lhe dou meus livros porque você não conhece botânica, não sabe de botânica”. Ele era muito rigoroso. Não, não era rigor, ele dizia o que pensava e, de fato eu não era botânico.

Mas é como eu sempre digo, se eu por exemplo tivesse um fac-símile de uma sinfonia de Mozart nas minhas mãos eu teria um tesouro, eu teria tido o prazer de tê-lo. Muitas vezes tive essa vontade, mas só o fato de ter convivido com o Ducke, falando comigo sobre as plantas, foi muito válido.

Como você sabe até hoje eu não sou botânico, mas eu me interesso por botânica aplicada. Para tanto é necessário o convívio. Eu nunca perco a ocasião de estar com botânicos, ou de ouvir uma boa música, ler um poema e mesmo falando dos que já desapareceram. Por exemplo, quando eu penso num Dom Quixote, que coisa impressionante! Eu tinha um amigo alemão que dizia; se conhecermos a Ilíada, a Eneida, o Dom Quixote, a Divina Comédia e o Fausto de Goethe, teremos uma idéia geral da literatura européia.

Necessitamos de uma cultura geral, mas eu penso que para obtê-la, necessitaríamos uma vida, pois tem tanta coisa que necessitamos conhecer… Todo dia eu sinto falta daquilo que não sei. Mas uma coisa que me induz a ver é a minha curiosidade, quero ver sempre o que está em torno da minha pessoa e é essa uma das razões que me faz viver.

ARO: Quais foram seus professores?

RBM: O grande professor que tive foi o Leo Putz. O mais esclarecido, com maior cultura. O Portinari tinha uma habilidade manual muito grande. Depois de trabalhar em Pernambuco, voltei ao Rio e tive aulas com Portinari. Tinha outros como Celso Antônio, que de pintura pouco conhecia, mas pensava que sabia. Eu me subordinava muito à disciplina. Disciplina ajuda muitas vezes a chegar a um resultado. Se tivesse que começar hoje, faria de outro modo. Mas de muitos erros tiramos nossas conclusões. O problema é daqueles que têm medo de errar.

Outro professor maravilhoso, foi o Mello Barreto. Ele ficou muito entusiasmado quando eu procurei aplicar a idéia de associação que eu tinha visto em Berlim.

Engler, distribuiu no jardim Botânico de Dahlem, as plantas do Cárpato, dos Alpes, dos Apeninos agrupadas. Quando eu vi isto eu comecei a compreender, que coisa impressionante, compreender, não sei, sentir. Com o tempo o Menna Barreto, começou a me ajudar a aplicar essa idéia, principalmente no trabalho que fizemos juntos para o Parque do Araxá. Ele não só me ensinava a identificar as plantas como também a sua razão de ser. Esse convívio foi muito importante. Poucos têm essa oportunidade, eu sempre busquei esse convívio. Mello Barreto sempre dizia, “não é falta de mérito não dominar um conhecimento, o que não sabemos deve ser dito. O pior de tudo é fingir que sabemos”.

ARO: E os arquitetos como Lúcio Costa?

RBM: Eu tive sorte porque Lúcio Costa morava na mesma rua que a minha família. Eu o conheço desde os 9 anos. Se hoje tenho 82 e ele tem 90 anos… Isso lhe mostra o que o convívio com pessoas que conhecem… Uma lição de arquitetura do Lúcio é uma lição de mestre.

Outra pessoa extraordinária foi o engenheiro, calculista e poeta, Joaquim Cardozo, com o qual trabalhei três anos em Pernambuco. Possivelmente uma das figuras mais importantes da minha época. Tinha um conhecimento geral impressionante. Esse convívio com ele que tudo sabia sobre música, poesia, que era capaz de falar de arte barroca durante três horas seguidas, me deixava sem saber o que dizer. Morreu de um modo trágico, de arteriosclerose aos 6o anos, um homem que vivia entre livros.

ARO: Que escritos foram importantes na sua formação?

Burle Marx - Estrada de Ferro - 81 x 100 cm

Burle Marx – Estrada de Ferro – 81 x 100 cm

RBM: Eu tive um amigo, marido de uma das filhas do compositor Alberto Nepomuceno. Ele trouxe-me uma série de livros de Le Corbusier: Vers une architecture, Une maison, un palais, L’Art décoratif dáujourd’hui. Eu comecei a lê-los e isso foi abrindo a minha visão. Le Corbusier esteve aqui, foi sempre uma figura extraordinária, de uma maneira nítida e clara de pensamento. É só pegar um livro dele, por exemplo, Vers une architecture, onde ele consegue falar sobre arte com uma clareza impressionante. Posteriormente outros livros, com um Braque, um Picasso, olhando, vamos lembrando o que vimos, tudo isso mais a música, as revistas, as exposições são muito importantes.

Dizer que nós não nos influenciamos por uma gravura de Picasso, sim que nos influenciamos, e eu não tenho medo de influências. Se começamos a analisar uma obra de Picasso, podemos ver que ele teve influência de toda a pintura, claro que ele foi um gênio que soube absorver e soube dar como uma pintura dele. Aliás ele dizia algo muito bonito: “é preferível copiar a obra dos outros que a si mesmo”. Ele foi um gênio que teve uma capacidade inventiva louca e uma habilidade que conseguia esconder em parte. Quando eu vejo os desenhos para Ovídio e as suas gravuras, são para mim um colosso, um colosso! Ele sabia desde a gravura sutil até um Guernica, que tem uma violência danada. Ele soube tirar partido do claro e escuro. Evidentemente, ele é um homem que teve um passado. Um passado é um Goya, um Velázquez, um El Greco. Toda aquela pintura espanhola com aquela força incrível. Quando eu vejo um Goya eu levo um susto, porque ele sabia de tudo. Além de Ter uma imaginação fenomenal tinha uma técnica e eu acho que sem técnica não se chega a nenhum resultado. Da mesma foram ocorre com o jardim…

Ana Rosa de Oliveira: Na fase inicial da sua pintura observa-se uma composição baseada na figura e nos objetos pousados.

Roberto Burle Marx: Eu fiz academia, recebi a medalha de ouro, pode-se dizer que tive uma formação acadêmica. Posteriormente, o convívio com Leo Putz, que foi contratado por Lúcio Costa, que falava de um Gauguin e dos pintores alemães acabou me influenciando. Fui expulso da aula de pintura porque comecei a falar de Gauguin e o professor (Brasse) pensou que eu estivesse pervertendo os alunos.

ARO: Mas mesmo assim o Sr. valorizava os elementos regionais e isso não era uma particularidade do academicismo.

RBM: Apesar de ter recebido uma formação acadêmica, nunca fui um pintor acadêmico, mesmo naquela época, nunca procurei pintar para agradar as figuras da sociedade. Eu teria sido um bom retratista porque sabia pintar retratos, mas eu nunca me interessei por isso, eu estava muito mais ligado aos problemas, às figuras do povo.

ARO: Considerando-se que já não se identifica o objeto representado, qual seria a realidade da sua pintura. Como se dá a passagem do figurativo ao abstrato?

RBM: Abstração é uma maneira de dizer. A gente vai até um certo ponto. Por exemplo, se seu estou olhando uma cor é porque ela existe, de modo que não é abstrata. São tantas coisas que nos induzem.

Acho que foi uma necessidade. Uma necessidade de transpor a realidade, não é? É a tal coisa, o claxonar de um automóvel, o coaxar de um sapo, o mugido de uma vaca, são sons que cabe ao músico ordenar. Eu penso que as cores também têm que ser ordenadas. Eu muitas vezes não sabia explicar e a idéia era sempre a de copiar o que víamos. Um dia, estava observando um professor que tive, o Leo Putz, da escola expressionista alemã. Ele gostava muito de mim, porque eu falava alemão, até me chamava de meu filho, era parente de Thomas Man. Ele pintava e eu observava, num determinado momento perguntei a ele: professor porque o Sr. está pintando de vermelho um telhado que é marrom? Ele então me respondeu: “meu filho, a natureza é só um pretexto… Digamos que a arte seja uma transposição da natureza”. Uma explicação como esta foi suficiente para que eu começasse a mudar. Apesar de que hoje em dia eu não ache ruim ter uma formação acadêmica, pois essa juventude não sabe de nada. Pensam que são eles que estão descobrindo o mundo. Eu acredito que é muito importante conhecer o que foi feito antes de nós…

ARO: Naquela época porém, era importante romper com o Academicismo.

RBM: Era necessário romper com aquela idéia de copiar aquilo que estávamos vendo. Embora saber copiar o que está diante de nós seja também importante, pois é uma observação que se faz, referente a um ritmo, uma cor, uma cor local, é muito importante.

ARO: Alguns críticos dizem que o Sr. pinta a trama do mundo vegetal, o Sr. concorda?

RBM: A trama… eu procuro compreender o que é o mundo vegetal. É necessário compreender que cada crítico tem uma forma de se expressar. Eles podem achar que eu procuro compreender a trama do mundo vegetal, como por exemplo, o porque dessa folha, a razão do spanish moss (Tilandsia usneoides). O importante é saber que vamos nos influenciando pelo que nos circunda.

Burle Marx

Burle Marx

ARO: Representar os vegetais, é esse sentido que a crítica quer dar, o Sr. concorda que este seja seu objetivo?

RBM: Eu discordo. É tudo. Não concordo, seria uma limitação muito grande. As emoções vêm de tudo que nos circunda. Eu estou com você, estou vendo o cachorro, um empregado. Tudo isso vai se misturando na nossa sensibilidade. Achar que é só da forma vegetal que nasce a minha pintura é um absurdo.

ARO: O Sr. comenta que detesta fórmulas.

RBM: Eu as detesto sim, continuo a dizer, pois a fórmula é repetitiva, é como um beco sem saída. Aceitar a fórmula é inviabilizar a capacidade de pensar. Eu detesto ditaduras, que são imposições, fórmulas. Eu quero ter o direito de descobrir o que serve para mim e o que não serve para os demais. Eu me interesso por princípios.

ARO: Na pintura quais seriam os seus princípios?

RBM: Entram forma, cor, ritmo, princípios comuns a todas as artes. Ora é a construção, que é básica para tudo. Quem não sabe construir não sabe fazer arte.

ARO: Como se constrói uma pintura?

RBM: Baseado em saber que uma pintura deve ter uma dominante e uma dominada ou em que uma pintura onde domine o escuro ou o claro são diferentes. Não podem haver dois crescendos iguais. Um é o crescendo mais importante. Isso se vê, por exemplo, ao analisar a estrutura de um L’après-midi d’un faune de Debussy, com uma clareza, uma simplicidade, aparentemente uma peça pequena, mas que é ao mesmo tempo um monumento. Às vezes certos pintores ou certos músicos produzem, produzem e não dizem nada.

ARO: Referindo-se a uma exposição que o Sr. realiza no MASP em 1974, Geraldo Ferraz cita o termo Extravasaria, afirmando ser um dos nomes que o Sr. atribui ao resultado que chega com a sua pintura. O Sr. poderia comentá-lo?

RBM: Extravasaria é no sentido de não ficar dentro da fórmula, de sair e procurar outros caminhos contra a rotina.

ARO: Existe, por parte dos críticos que analisam seu trabalho, uma tendência em dizer que os seus jardins são pinturas. O Sr. inicialmente afirma-o e posteriormente discorda. Por quê?

Burle Marx - Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano

Burle Marx – Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano

RBM: É uma grande besteira confundir meus jardins com pintura. Cada modalidade artística tem uma maneira própria de ser expressada. Por exemplo, a cor na pintura, é uma coisa muito mais definida que no jardim. No jardim, a cor é definida pela hora do dia, pela luz. Um quadro no escuro é diferente de um quadro com iluminação permanente.

Ana Rosa de Oliveira: O Sr. poderia mencionar alguns dos seus projetos paisagísticos que considera importantes?

Roberto Burle Marx: Acho muito importantes os meus trabalhos associados à cidade. O paisagista está sempre subordinado ao urbanista. Sem compreender as necessidades de uma cidade e, principalmente sem compreender as funções das áreas verdes, o paisagista não poderá realizar jardins. No projeto do Parque do Ibirapuera, realizei muitas experiências plásticas com pavimentos e vegetação. O Aterro do Flamengo foi uma experiência com plantas resistentes à salinidade, ao vento. Acredito que sem técnica não se chega a um bom resultado. Uma flor por exemplo, tem uma simetria, obedece a certos princípios como a cristalização. O mesmo ocorre com os jardins. O jardim é uma natureza organizada pelo homem e para o homem. Disciplina muitas vezes ajuda a chegar a um resultado.

Na realidade, artista é aquele que consegue expressar-se com inteligência. Por outro lado, para mim a arte é uma necessidade de encontrar um auto-equilíbrio. Existe no entanto, um lado da arte que é tão imponderável quanto a vida. Se pudéssemos explicar a razão de porque temos necessidade de perpetuarmo-nos, de porque vivemos…

Burle Marx - Residência Edmundo Cavanellas, RJ

Burle Marx – Residência Edmundo Cavanellas, RJ

Exposições Individuais

1946

São Paulo SP – Individual, Galeria Itapetininga

1952

São Paulo SP – Individual, no Masp

1956

Londres (Inglaterra) – Individual, na Contemporary Arts Gallery

Rio de Janeiro RJ – Individual, no MAM/RJ

1963

Rio de Janeiro RJ – Individual, no MAM/RJ

1967

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Bonino

1968

São Paulo SP – Individual, na A Galeria

São Paulo SP – Individual, na Galeria do Banco Nacional de Minas Gerais

1971

Recife PE – Desenhos, na Galeria Bancipe

1972

Belo Horizonte MG – 43 Anos de Pintura de Roberto Burle Marx, no MAP

Rio de Janeiro RJ – Retrospectiva, na Galeria do Ibeu

1973

Lisboa (Portugal) – Individual, na Fundação Calouste Gulbenkian

Paris (França) – Individual, no Musée Galliera

Belo Horizonte MG – Individual, no MAP

1974

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Bonino

São Paulo SP – Individual, no MAM/SP

Curitiba PR – Individual, no MAC/PR

Salvador BA – Individual, no Foyer do Teatro Castro Alves

1976

Porto Alegre RS – Desenhos, na Galeria Studiu’s

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Oficina D’Arte

Berlim (Alemanha) – Individual, no Atelier Noth-Hauer

1977

Recife PE – Individual, na Casa de Olinda

Caracas (Venezuela) – Individual, no Museo de Arte Contemporánea de Caracas

1978

Caracas (Venezuela) – Individual, no Museo de Arte Contemporánea de Caracas

Maracaibo (Venezuela) – Individual, no Centro de Bellas Artes

Rio de Janeiro RJ – Individual, no MNBA

Buenos Aires (Argentina) – Individual, no Atelier Internacional de Arte

São Paulo SP – Individual, na Galeria Aki

Belo Horizonte MG – Individual, na Galeria Guignard

1979

São Paulo SP – Individual, no Masp

1980

Rio de Janeiro RJ – Desenhos das séries Erótica, Homenagem a Goya e Nuvem Carolina, na Galeria Banerj

1981

João Pessoa PB – Individual, no UFPB. Núcleo de Arte Contemporânea

Niterói RJ – Individual, no Centro de Exposições da Associação Médica Fluminense

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Saramenha

São Paulo SP – Individual, no Espaço Plano

1982

Londres (Inglaterra) – Individual, no Royal College of Art

1983

Malorca (Espanha) – Individual, no Col-Legi d’Architectes de les Balears

São Paulo SP – Individual, no CCSP

1984

São Paulo SP – Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Olivia Kann

Porto Alegre RS – Individual, na Livraria Prosa i Verso

Rio de Janeiro RJ – Individual, no CCCM

Fortaleza CE – Individual, na Galeria de Arte Ignez Fiuza

Joinville SC – Individual, na Museu de Arte de Joinville

1985

Goiânia GO – A Arte de Burle Marx, na MultiArte Galeria

Rio de Janeiro RJ – Individual, no BNDES

Brasília DF – Individual, Galeria de Arte

Recife PE – Individual, no Estudio A

Vitória ES – Individual, na Galeria Homero Massena

1986

Nova York (Estados Unidos) – Individual, na Brazilian Cultural Foundation

Washington (Estados Unidos) – Individual, na Brazilian-American Cultural Institute

San Francisco (Estados Unidos) – Individual, na Asla Annual Meeting

Belo Horizonte MG – Individual, no Espaço Cultural do Pampulha Iate Clube

1987

Nova York (Estados Unidos) – Individual, no Private Reception for Brazilian Ambassador

Margate City (Estados Unidos) – Individual, na Rosalind Sailor Gallery

Filadélfia (Estados Unidos) – Individual, na University of Philadelphia, Graduate School of Fine Arts

São Paulo SP – Individual, na Galeria Ralph Camargo

1989

Rio de Janeiro RJ – R. Burle Marx na Pintura: Exposição em Homenagem aos 80 Anos do Artista, no Parque Lage

Stuttgart (Alemanha) – Individual, no Züblin-Haus

Fortaleza CE – Individual, na Galeria de Arte Ignes Fiuza

Frankfurt (Alemanha) – Individual, na Buga 89

Recife PE – Individual, na Estudio A

Brasília DF – Individual, na Praxis Galeria de Arte

Rio de Janeiro – Individual, no MNBA

Rio de Janeiro – Individual, no Solar Grandjean de Montigny, Centro Cultural da PUC/RJ

1990

Campinas SP – Individual, no MACC

Campinas SP – Individual, na Galeria Aquarela

Brasília DF – Individual, na Performance Galeria de Arte

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Idea Galeria de Arte

1991

Nova York (Estados Unidos) – Roberto Burle Marx: the Unnatural Art of the Garden, no MoMA

1992

Caracas (Venezuela) – Individual, na La Sala Mendoza

Curitiba PR – Individual, no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, Sala do Lustre

1993

Sabará MG – Mostra Roberto Burle Marx, na Fundação Belgo-Mineira

Porto Alegre RS – Simplesmente Burle Marx, no Espaço Cultural BFB

Exposições Coletivas

1941

Rio de Janeiro RJ – 47º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA

1944

Belo Horizonte MG – Exposição de Arte Moderna, no Edifício Mariana

Londres (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Royal Academy fo Arts

Norwich (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Norwich Castle and Museum

1945

Bath (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Victiry Art Gallery

Bristol (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, no Bristol City Museum & Art Gallery

Buenos Aires (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, nas Salas Nacionales de Exposición

Edimburgo (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na National Gallery

Glasgow (Escócia) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Kelingrove Art Gallery

Haia (Holanda) – Arte em Liberdade

La Plata (Argentina) – 20 Artistas Brasileños, no Museo Provincial de Bellas Artes

Londres (Inglaterra) – Pintura Moderna Brasileira, no Burlington-House

Manchester (Inglaterra) – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, na Manchester Art Gallery

Montevidéu (Uruguai) – 20 Artistas Brasileños, na Comisión Municipal de Cultura

Rio de Janeiro RJ – 51º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – medalha de ouro

Rio de Janeiro RJ – Artistas Plásticos do Partido Comunista, na Casa do Estudante

1947

Rio de Janeiro RJ – 53º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA – medalha de ouro

1950

Veneza (Itália) – 25ª Bienal de Veneza

1951

Salvador BA – 2º Salão Baiano de Belas Artes, na Galeria Belvedere da Sé

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon

1952

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

1954

Rio de Janeiro RJ – Salão de Belas Artes – medalha de ouro em pintura

Viena (Áustria) – Die Schönsten Garten der Erder

Zurique (Suíça) – Brasilien Baut, na Kunstgewebemuseum

1955

Boston (Estados Unidos) – Coletiva, no Institute of Contemporary Arts

Lugano (Suíça) – Incisioni e Disegni Brasiliani, na Villa Cianni

Paris (França) – Arte Brasileira

São Paulo SP – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956

Leverkusen (Alemanha) – Brasilien Baut, no Museum de Leverkusen

1957

Buenos Aires (Argentina) – Arte Brasileira, no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires

São Paulo SP – 4ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

1959

Porto Alegre RS – Coletiva, no Margs

São Paulo SP – 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

Washington (Estados Unidos) – Contemporary Drawings from Latin America

1962

São Paulo SP – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP

1963

Rio de Janeiro RJ – A Paisagem como Tema, na Galeria Ibeu Copacabana

São Paulo SP – 7ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

Tóquio (Japão) – Feira Internacional de Tóquio: Pavilhão Brasil

1964

Viena (Áustria) – Internationale Gartenschau

1965

São Paulo SP – 8ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1968

Santo André SP – 1ª Exposição de Arte de Santo André

1969

Rio de Janeiro RJ – Exposição Geral da Pintura Brasileira, no MNBA

São Paulo SP – 1º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1970

Veneza (Itália) – 35ª Bienal de Veneza

1973

São Paulo SP – 1ª Bienal de Arquitetura, no Parque Ibirapuera

1974

São Paulo SP – 1ª Mostra Brasileira de Tapeçaria, no MAB/Faap

1975

São Paulo SP – 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal

1976

Penápolis SP – 2º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis

1977

Porto Alegre RS – Coletiva, na Galeria Studiu’s

Rio de Janeiro RJ – 1º Encontro Nacional das Galerias de Arte, no Copacabana Palace Hotel

1978

Veneza (Itália) – 39ª Bienal de Veneza

1979

São Paulo SP – 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP

1980

Rio de Janeiro RJ – Grandes Pintores Retratam Marinheiros, no Ministério da Marinha

1981

Maceió AL – Artistas Brasileiros da Primeira Metade do Século XX, no Instituto Histórico e Geográfico

1982

Berlim (Alemanha) – Architecture in Latina America

1983

Montevidéu (Uruguai) – 5ª Bienal de Maldonado, no Museo de Arte de Maldonado

Olinda PE – Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no MAC/Olinda

1984

Rio de Janeiro RJ – Pintura Brasileira Atuante, no Espaço Petrobras

São Paulo SP – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985

Rio de Janeiro RJ – Seis Décadas de Arte Moderna: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial

São Paulo SP – 100 Obras Itaú, no Masp

1987

Miami (Estados Unidos) – Coletiva, no Dade Community College, South Art Gallery

Rio de Janeiro RJ – Mostra de Paisagismo, no IAB/RJ

1988

Rio de Janeiro RJ – Coletiva Nipo-Brasileira, no Rio Design Center

1989

Lisboa (Portugal) – Seis Décadas de Arte Moderna Brasileira: Coleção Roberto Marinho, no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

1990

Brasília DF – Arte Brasília, no MAB

1991

Curitiba PR – Museu Municipal de Arte: acervo, no Museu Municipal de Arte

1992

Belém PA – 11º Salão Arte Pará, na Fundação Romulo Maiorana

Campinas SP – Premiados nos Salões de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC

Rio de Janeiro RJ – Natureza: quatro séculos de arte no Brasil, no CCBB

Zurique (Suíça) – Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, no Kunsthaus Zürich

1993

Fortaleza CE – 23 Anos, na Galeria Ignez Fiuza

Rio de Janeiro RJ – Brasil 100 Anos de Arte Moderna, no MNBA

1994

São Paulo SP – Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

Cronologia

1913/1934

Rio de Janeiro RJ – Vive nessa cidade

1932

Rio de Janeiro RJ – Paisagista do jardim da residência da família Schwartz em Copacabana, projetada pelos arquitetos Gregori Warchavchik (1896 – 1972) e Lucio Costa (1902 – 1998)

1934/1937

Recife PE – Vive nessa cidade

1934

Recife PE – É nomeado diretor de Parques e Jardins do Recife; projeta uma série de praças e jardins públicos, além de criar, em 1937, o primeiro Parque Ecológico do Recife

1937

Rio de Janeiro RJ – Trabalha como assistente de Portinari na execução dos murais do Ministério da Educação e Saúde, da série O Homem e o Trabalho

1937/1994

Rio de Janeiro RJ – Vive nessa cidade

1949

Campo Grande RJ – Adquire sítio onde organiza uma grande coleção de plantas

1954

São Paulo SP – Realiza o projeto paisagístico para o Parque Ibirapuera

1955

Rio de Janeiro RJ – Realiza o projeto paisagístico para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ

1961

Brasília DF – Realiza o projeto paisagístico para o eixo monumental de Brasília

1968

Washington (Estados Unidos) – Realiza o projeto paisagístico para a Embaixada do Brasil

1971

Brasília DF – Recebe a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty

1982

Haia (Holanda) – Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia

Londres (Inglaterra) – Doutor honoris causa do Royal College of Art.

 

Livros

Burle Marx - Portugues

BURLE MARX – PORTUGUES
Formato: Livro
Coleção: ESPAÇOS DA ARTE BRASILEIRA
Autor: SIQUEIRA, VERA BEATRIZ
Editora: COSAC NAIFY
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO – JARDINAGEM

 

Roberto Burle Marx - Modernity of landscape

ROBERTO BURLE MARX – MODERNITY OF LANDSCAPE
Formato: Livro
coordenador/editor: CAVALCANTI, LAURO
Baseado vida/obra: MARX, ROBERTO BURLE
Editora: ACTAR
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

A mesa com Burle Marx

A MESA COM BURLE MARX
Formato: Livro
Autor: MODESTO, CECILIA
Autor: PINHEIRO, CLAUDIA
Editora: CONTRA CAPA
Assunto: GASTRONOMIA

 

Roberto Burle Marx - Arte e Paisagem

ROBERTO BURLE MARX – ARTE & PAISAGEM
Formato: Livro
Autor: BURLE MARX, ROBERTO
Organizador: TABACOW, JOSE
Editora: NOBEL
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO – JARDINAGEM

 

Nos Jardins de Burle Marx

NOS JARDINS DE BURLE MARX
Formato: Livro
Coleção: ESTUDOS, 150
Autor: LEENHARDT, JACQUES
Editora: PERSPECTIVA
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Burle Marx - Jardins e Ecologia

BURLE MARX – JARDINS E ECOLOGIA
Formato: Livro
Autor: SANTOS, NUBIA MELHEM
Autor: CARVALHO, MARCIA PEREIRA
Fotógrafo: SANTOS, PAULO
Editora: SENAC RIO
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Burle Marx - Mestres das artes no Brasi

BURLE MARX
MESTRES DAS ARTES NO BRASIL
Formato: Livro
Autor: CARUSO, CARLA
Editora: MODERNA EDITORA
Assunto: INFANTO-JUVENIS – ARTES E OFÍCIOS

 

Varios mundos - Burle Marx alem das paisagens

VARIOS MUNDOS – BURLE MARX ALEM DAS PAISAGENS
Formato: Livro
Autor: BROWNE, PAULA
Editora: ROCCO
Assunto: INFANTO-JUVENIS – LITERATURA JUVENIL

 

Roberto Burle Marx 100 anos - A permanencia do instavel

ROBERTO BURLE MARX 100 ANOS
A PERMANENCIA DO INSTAVEL
Formato: Livro
Organizador: CAVALCANTI, LAURO
Organizador: EL-DAHDAH, FARES
Editora: ROCCO
Assunto: ARQUITETURA

 

Roberto Burle Marx - Uma experiencia estetica

ROBERTO BURLE MARX – UMA EXPERIENCIA ESTETICA
EDIÇAO BILINGUE – PORTUGUES/INGLES
Formato: Livro
Autor: CAVALCANTI, LAURO
Autor: ZAPPA, REGINA
Editora: 19 DESIGN
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Plantas tropicais de Burle Marx

PLANTAS TROPICAIS DE BURLE MARX
Formato: Livro
Autor: LORENZI, HARRI
Autor: MELLO FILHO, LUIZ EMYGDIO
Editora: PLANTARUM
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Burle Marx - The lyrical landscape

BURLE MARX
THE LYRICAL LANDSCAPE
Formato: Livro
Autor: MONTERO, MARTA IRIS
Editora: THAMES & HUDSON, I
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Roberto Burle Marx in Caracas

ROBERTO BURLE MARX IN CARACAS
Formato: Livro
Coleção: PENN STUDIES IN LANDSCAPE ARCHITECTURE
Autor: BERRIZBEITIA, ANITA
Editora: PENNSYLVANIA UNIVERS

 

Modernidade Verde

MODERNIDADE VERDE
JARDIM DE BURLE MARX
Formato: Livro
Autor: DOURADO, GUILHERME MAZZA
Editora: SENAC SAO PAULO
Assunto: ARQUITETURA – PAISAGISMO

 

Videos

O programa homenageia o centenário de nascimento do artista plástico e paisagista Burle Marx. Para relembrar a trajetória do arquiteto, participam do programa o antropólogo Lauro Cavalcanti; a historiadora Vera Beatriz Siqueira; os arquitetos Oscar Niemeyer e Haruyoshi Ono, o músico Licio Bruno; as organizadoras do livro A Mesa com Burle Marx, Cecília Modesto e Claudia Pinheiro e o chef de cozinha Cleofas Cesar da Silva.

Parte 1
 

Parte 2
 

Parte 3

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