Antônio Bandeira

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“É sobretudo graças a Paris, fermento de arte e de inteligência, que sou reconhecido”.

Antônio Bandeira foi um pintor e desenhista brasileiro. É um dos mais valorizados pintores brasileiros e tem obras nas maiores coleções particulares e museus do Brasil e do mundo.

Junto com Aldemir Martins, Inimá de Paula e outros, fez parte do Movimento Modernista de Fortaleza, nos anos 1940.

 Antônio Bandeira - Foto artista

Antônio Bandeira – Foto artista

Pioneiro do abstracionismo informal na pintura brasileira. É um dos fundadores do Centro Cultural Cearense de Belas-Artes – mais tarde Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

O crítico Frederico Morais escreveu a respeito de Antônio Bandeira:

” (…) Acho definitiva, para a compreensão de sua obra, esta afirmação: “Nunca pinto quadros.Tento fazer pintura”. Quer dizer, o quadro não parece significar para ele uma realidade autônoma, uma estrutura que possui suas próprias leis, algo que se constrói com elementos específicos. A pintura é um estado de alma que ele extroverte aqui e ali, sem outro objetivo que o de comunicar um sentimento, uma emoção, uma lembrança. Enfim, é “uma transposição de seres, coisas, momentos, gostos, olfatos que vou vivendo no presente, passado, no futuro”.

Antônio Bandeira

Antônio Bandeira nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1922. Não nasceu em berço de ouro, mas seu pai, um ferreiro de mão cheia, ganhava o suficiente para garantir-lhe os estudos no Colégio Marista, em Fortaleza, onde a professora de desenho bem cedo percebeu o talento de Bandeira para a arte pictórica, dando-lhe o primeiro apoio para o desenvolvimento de seus pendores.

Bandeira cria, em 1941, com artistas como Mário Baratta (1915 – 1983), Raimundo Cela (1890 – 1954) e Aldemir Martins (1922), o Centro Cultural de Belas Artes – CCBA, que pretendia mobilizar a cultura visual cearense.

Com o grupo assim reforçado, os objetivos do Centro Cultural foram ampliados e criou-se, então, a Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

Antônio Bandeira - Foto artista

Antônio Bandeira – Foto artista

A instituição CCBA monta um espaço para exposições permanentes, realiza Salões anuais e tenta manter cursos de arte. Nesse ano, Bandeira expõe pela primeira vez, no 1º Salão Cearense de Pintura, promovido pelo CCBA. Em 1943 o pintor ganha o primeiro prêmio no 3º Salão Cearense de Pintura, com a tela Cena de Botequim, 1943.

A pintura Antonio Bandeira nesse momento tenta figurar cenas da vida suburbana de Fortaleza sem cair nos clichês do retrato de pescadores e jangadeiros. Em seus quadros são privilegiadas as populações marginais da cidade. Ele pinta cenas com personagens da boêmia, em Paisagem Noturna, 1944, e na penúria financeira, em Desempregados, 1944. Trata dos temas com pinceladas enérgicas e um desenho forte, inspirados na vitalidade de Vincent van Gogh (1853 – 1890). Procura dar a essas cenas uma textura vibrante que revele dramaticidade.

Em 1945, o artista, com Inimá de Paula (1918 – 1999), Raimundo Feitosa e Aldemir Martins, se muda para o Rio de Janeiro, encorajado por Jean-Pierre Chabloz (1910 – 1984), que articulava uma exposição destes artistas cearenses na Galeria Askanasy. Seu trabalho é bem recebido e Bandeira ganha uma bolsa da Embaixada Francesa para estudar em Paris, seguindo para lá em abril de 1946.

Estuda pintura, desenho e gravura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e na Académie de La Grande Chaumière. O contato com as obras das vanguardas históricas aproxima seu trabalho do cubismo e do fauvismo. Em telas como Mulher Sentada Lendo, 1948, e Cara, ca.1948, as formas geometrizadas mostram influência de Pablo Picasso (1881 – 1973), mas esses planos recortados têm cores fortes e contrastantes, ao modo fauve.

No entanto, sua obra já toma outras direções. A convivência do artista, desde o fim dos anos 1940, com o alemão Wols (1913 – 1951) e Camille Bryen (1907 – 1977) colabora para a guinada de seu trabalho para uma pintura mais gestual, abstrata e aberta a sugestões ligadas ao automatismo surrealista. Apesar de preservar a figura, aqui ela aparece de maneira sugerida, marcada pela interação de elementos livres como manchas e marcas de pincel.

Antônio Bandeira - Foto artista

Antônio Bandeira – Foto artista

Em 1948, Bandeira participa da mostra La Rose des Vents, na Galérie des Deux Ilés, que marca sua adesão ao abstracionismo informal. Seus trabalhos em guache e nanquim adquirem progressivamente esta feição. As linhas parecem perder a continuidade, não contornam figuras e, soltas por todo o trabalho, sugerem formas de objetos. Na pintura essa mudança aparece a partir de 1949, em trabalhos como Paysage Lointain, em que o artista incorpora as manchas, riscos e as formas coloridas sem submetê-los a um desenho prévio.

Todavia, essa associação não durou muito: Wols morria um ano depois e, em 1950, o pintor estava de volta ao Brasil em 1951.
Monta ateliê no Rio de Janeiro com José Pedrosa (1915 – 2002) e Milton Dacosta (1915 – 1988), e, em abril, apresenta sua primeira grande exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP. O artista Waldemar Cordeiro (1925 – 1973) escreve sobre as suas pinturas abstratas e as compara à produção concreta que ganhava vulto no país.

Em Fortaleza, em 1952, Bandeira inicia uma nova fase de sua pintura. Radicaliza a abstração informal e passa a incorporar os gotejamentos e respingos da tinta. Busca uma tela em que o primeiro e o segundo plano se mostrem indistintos, não como um emaranhado de cores caótico, mas num jogo livre de linhas harmonizado por formas coloridas. Em trabalhos de 1954, como Luares Sobre a Cidade Negra e Árvores, Bandeira se vale de formas geométricas para buscar um equilíbrio do entrecruzar de linhas e pinceladas livresMonta ateliê no Rio de Janeiro com José Pedrosa (1915 – 2002) e Milton Dacosta (1915 – 1988), e, em abril, apresenta sua primeira grande exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP. O artista Waldemar Cordeiro (1925 – 1973) escreve sobre as suas pinturas abstratas e as compara à produção concreta que ganhava vulto no país. Em Fortaleza, em 1952, Bandeira inicia uma nova fase de sua pintura. Radicaliza a abstração informal e passa a incorporar os gotejamentos e respingos da tinta. Busca uma tela em que o primeiro e o segundo plano se mostrem indistintos, não como um emaranhado de cores caótico, mas num jogo livre de linhas harmonizado por formas coloridas. Em trabalhos de 1954, como Luares Sobre a Cidade Negra e Árvores, Bandeira se vale de formas geométricas para buscar um equilíbrio do entrecruzar de linhas e pinceladas livres.

Em 1953, participando da 2ª Bienal de São Paulo, recebeu um prêmio que o levou de novo à França mas, em vezes seguidas, retornou para participar de eventos artísticos.

Antônio Bandeira - Foto artista

Antônio Bandeira – Foto artista

Nesta nova estada no exterior, expõe em Londres, Nova York e realiza um painel para o Palais des Beaux-Arts de Bruxelas, em 1958. Bandeira permanece na França até 1959, quando retorna para uma temporada bem sucedida de exposições no Brasil, entre elas a grande individual no Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA em 1960 e a 5ª e a 6ª Bienal Internacional de São Paulo. Seus quadros são cada vez mais gestuais, no entanto não se pode dizer que eles se tornem abstratos em sentido estrito. Nesta nova estada no exterior, expõe em Londres, Nova York e realiza um painel para o Palais des Beaux-Arts de Bruxelas, em 1958. Bandeira permanece na França até 1959, quando retorna para uma temporada bem sucedida de exposições no Brasil, entre elas a grande individual no Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA em 1960 e a 5ª e a 6ª Bienal Internacional de São Paulo. Seus quadros são cada vez mais gestuais, no entanto não se pode dizer que eles se tornem abstratos em sentido estrito.

Sua pintura segue com procedimentos da abstração gestual. No entanto, com base nesses procedimentos, o artista procura figuras que surgem entre estes traços e pinceladas. Diferente da pintura realista, o primeiro objetivo não é figurar. O artista encontra as figuras, na relação livre entre os elementos de seu trabalho, que de maneira aberta sugerem imagens de flores ou paisagens. Ainda no Brasil, em 1962, Bandeira começa a incorporar materiais pouco usuais em suas telas, distribuindo miçangas na superfície pintada. Mais tarde, de volta a Paris, o artista usa barbantes e isopor. Aparentemente, sua produção, por volta de 1966, diminui.

Antônio Bandeira - Foto artista

Antônio Bandeira – Foto artista

Ainda em Paris, em 1967, preparava-se para regressar ao Brasil, a fim de participar da exposição do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Necessitando realizar uma operação das amígdalas, decidiu fazê-la ainda na França onde havia maiores recursos médicos e hospitalares, dando-lhe segurança absoluta de sucesso.

A intervenção, a mais simples e segura dentre todas operações cirúrgicas, trouxe complicações inesperadas e sua subsequente morte.

A exposição do MAM, no Rio de Janeiro, se realizou com todas as obras inscritas por Antônio Bandeira, mas sem a presença dele, ou apenas com sua presença espiritual.

Em 1967 morria Antônio Bandeira, sua obra permaneceria viva, inscrita indelevelmente na história da pintura brasileira.

Curiosidades

Livro – Antônio Bandeira 1922-1967

Antônio Bandeira - Árvores Negras em Bonina - 56 x 47 cm

Antônio Bandeira – Árvores Negras em Bonina – 56 x 47 cm

Autor: Antônio Bandeira / José Tarcisio / Antônio Bento / Max Perligeiro / Pietro Maria Bardi
Editora: Pinakotheke

Esta obra se propõe a apresentar um panorama extenso da obra do artista, desde cenas da vida suburbana de Fortaleza, até sua pintura mais abstrata, onde o figurativo aparece de maneira sugerida marcada pela intervençào de elementos livres, como pinceladas e manchas.

Livro – Antônio Bandeira e a poética das cores
Organização – Gilmar de Carvalho

Trabalhos de quatro artistas da xilogravura de Juazeiro do Norte e do pintor cearense Antônio Bandeira foram reunidos em publicações pela Universidade Federal do Ceará. O livro “Antônio Bandeira e a poética das cores” e a coletânea “Xilogravura Juazeiro” foram lançados, às 19h, quarta-feira (23) na reitoria da universidade, em Fortaleza.

O livro sobre a obra de Antônio Bandeira, um dos principais nomes das artes plásticas do Ceará, traz artigos sobre o pintor produzidos por professores da UFC e organizados pelo pesquisador Gilmar de Carvalho. Ao lado dos textos que falam sobre a vida e o legado artístico de Bandeira, as ilustrações de telas e fotos também ajudam a compreender as características do artista abstracionista. A publicação é uma homenagem aos 90 anos de nascimento do artista de Fortaleza, que faleceu em 1967 em Paris, na França.

Ao lado da obra de Antônio Bandeira, o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará guarda há 50 anos um dos principais acervos de matrizes xilográficas do país. A coletânea “Xilogravuras de Juazeiro” reúne e dá acesso inédito a ilustrações de quatro mestres estampadas em folhetos de cordel, novenas, benditos e rótulos da região do Cariri.

Antônio Bandeira - A grande cidade iluminada - 72,4 x 91,4 cm

Antônio Bandeira – A grande cidade iluminada – 72,4 x 91,4 cm

A edição traz os álbuns “Apocalipse”, de Walderêdo Gonçalves; “As Aventuras de Vira-Mundo”, de José Caboclo; e “A Vida do Padre Cícero”, de Antonio Lino; e a reedição de “A Vida de Lanpião [sic]Virgulino Ferreira”, de Mestre Noza. Esses álbuns produzidos na década de 60 foram decisivos para a aceitação da xilogravura pelo mercado e chamaram atenção de instituições para a arte que tem como técnica entalhar desenhos em uma matriz de madeira e, depois, reproduzir a imagem gravada sobre papel ou outro suporte.

Críticas

“Em seus primeiros contatos com o movimento artístico de Paris no período fecundo que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial, Antonio Bandeira ainda se mostrava ligado à arte figurativa, como era natural que acontecesse. Mas, logo se sentiu atraído pela abstração, que passara a crescer consideravelmente, empolgando os meios artísticos. De 1945 a 1950, assistiu-se em Paris ao triunfo da arte abstrata caindo aos poucos os baluartes que outrora lhe manifestavam aberta hostilidade. A produção predominante era a da abstração geométrica, que se havia tornado, principalmente através do Salon des Realités Nouvelles, o novo conformismo da época. Muitos pintores figurativos, alguns sem possibilidades de dizer nada de original, aderiram à arte abstrata. Outros se filiaram ao movimento porque sentiam que a abstração se havia tornado a verdadeira linguagem artística da época. Entre estes, estava Antonio Bandeira, que cedo formou entre os pintores que iriam reagir contra a academização da pintura abstrata. Ligou-se por isso mesmo ao grupo de Wols, que levava uma vida boêmia em Paris. Bandeira tornou-se mesmo figura conhecida em Saint-Germain-des-Prés, na época de fastígio dos cafés existencialistas”.
Antonio Bento

Antônio Bandeira - La Cathédrale - 100 x 81 cm

Antônio Bandeira – La Cathédrale – 100 x 81 cm

“(…) Acho definitiva, para a compreensão de sua obra, esta afirmação:´Nunca pinto quadros. Tento fazer pintura´. Quer dizer, o quadro não parece significar para ele uma realidade autônoma, uma estrutura que possui suas próprias leis, algo que se constrói com elementos específicos. A pintura é um estado de alma que ele extroverte aqui e ali, sem outro objetivo que o de comunicar um sentimento, uma emoção, uma lembrança. Enfim, é ´uma transposição de seres, coisas, momentos, gostos, olfatos que vou vivendo no presente, passado, no futuro´. Não é algo comprometido com o mundo – suas lutas e tensões – é uma pintura levitando sobre o mundo, dentro de seu ser. Apesar do otimismo dos depoimentos, exala, na obra de Bandeira, um halo de solidão, de angústia indefinida. Pode-se depreender isso do próprio processo criador do artista. Manchas, respingos, escorrimentos, pequenos toques do pincel, a pintura de Bandeira não é um mundo acabado: o artista insinua, alude, sugere, esboça cores ou imagens que apenas faíscam, por um momento, como estrelas no céu, como pedras preciosas”.
Frederico Morais

“A ausência de reconhecimento do limite do quadro verifica-se também na maioria das chamadas “explosões” dos anos 60. (…) A explosão em Bandeira está quase sempre em momento de “reconversão”, prestes a deixar emergir energias centrípetas, que impedirão qualquer projeção ameaçadora do retângulo da tela. Carlos Drummond de Andrade capta melhor a natureza deste procedimento. Mais do que forças projetivas, Bandeira é, para ele, “modelador de névoas, formas raras, espumas, unindo fantasia a uma restrita beleza”. É preciso destacar, a meu ver, três idéias ao menos no pensamento de Drummond. A primeira, a da “restrita beleza”, reitera a frase inicial de Bandeira: há nas composições do artista uma maneira de renúncia em se projetar no espaço, que torna sua beleza estrita, restrita a si. (…) Seria naturalmente ingênuo pensar que este desconhecimento estético do retângulo não resulte da construção, de um cálculo secreto, rigoroso, cuja maestria consiste justamente em enviar o confronto com as retas-limite, através de uma diversão na acepção militar do termo. Para tanto, Bandeira constrói-se um outro limite, invisível, emanado da própria pintura, o que requer um senso agudo e uma nova idéia da composição, pensada doravante como uma espécie de coral a capela que prescinde, para pairar no espaço, de qualquer arquitetura de sustentação ou enquadramento harmônico. A segunda idéia de

Antônio Bandeira - Futebol no Hyde-Park - 80 x 100 cm

Antônio Bandeira – Futebol no Hyde-Park – 80 x 100 cm

Drummond é a de que Bandeira “modela”. Para um pintor tão pictórico, tão indiferente à observação do corpo, tão alheio, em suma, à tradição da forma plástica, a idéia é no mínimo extravagante. Mas modelar deve ser entendido, aqui, não como criar modelado, e sim modelo. Criar modelado significa utilizar funcionalmente a luz e a sombra para suscitar a impressão da presença tangível de um corpo ou de uma forma orgânica pré-existente. Um modelo, ao contrário, é tal, quanto nada nele decorre da mímese. Modelo é o que não tem modelo. (…) Existe, enfim, na frase do poeta, esta união da beleza restrita à fantasia. Aparente contradição associar-se o arbitrário da fantasia à intuição de uma ordem interna, oculta nesta beleza restrita. Mas Bandeira edifica esta ordem com o elemento mais fantasioso, mais resistente à racionalidade: a cor, percebida como uma qualidade da luz. Bandeira modela uma ordem inorgânica com a luz em cor. Se há uma única redução admissível da abstração do artista às formas sensíveis do mundo, esta será a redução ao céu, seja ele o do espaço não-finito em que vibram as cores sem forma, seja o da abóbada semeada de estrelas. Bandeira é o siderus nuncius da lírica abstrata. O epíteto convém ao artista obcecado pelas constelações de luz erradiça das cidades noturnas: Stellae manentes in ordine suo, estrelas em sua ordem, diria, citando o Livro dos Juízes, Vieira, numa de suas siderais e siderantes metáforas do bom Sermão”.
Luiz Marques

Antônio Bandeira - Panorama - 130 x 245 cm

Antônio Bandeira – Panorama – 130 x 245 cm

“Bandeira, definitivamente, não era um teórico, não se movimentava com desenvoltura no plano das idéias, mas possuía, além do evidente talento, uma aguda inteligência e uma sensibilidade apurada. A partir do encontro com Wols, Bryen e os pintores informais, o desenvolvimento de sua obra foi rigorosamente planejado, e mesmo quando incorporado os elementos circunstanciais, como as impressões dos casarios de Capri, do barroco baiano, das cores tropicais do Nordeste, os seus “apontamentos de viagem”, como gostava de chamar, fazia-o de um modo deliberado. “Da fundição de meu pai aprendi misturas que ele nem suspeita; vendo derreter ferro ou bronze, aprendi muito. Hoje misturo emoções em cadinhos iguais ao dele, de ferro, de bronze, de corpo, de alma, de vento, de paisagem, de objeto, e dessa mistura fabrico as peças para o meu trabalho. “. O visto e o vivido não são “o” seu trabalho, senão meras peças “de” seu trabalho. O misturador é também um transfigurador. Bandeira foi simultaneamente um artesão e um artífice. O processo emocional de apreensão do mundo estará sempre subjugado ao processo mental de construção de sua obra. Bandeira tinha consciência da arquitetura geral, do plano piloto de sua obra em progresso: “Nunca pinto quadros. Tento fazer pintura. Meu quadro é sempre uma seqüência do quadro que já foi elaborado para o que está sendo feito no momento, indo esse juntar-se ao que vai nascer depois. Talvez gostasse de fazer quadros em circuitos, e que eles nunca terminassem e acredito que nunca terminarão mesmo”.
Vera Novis

Galeria Antônio Bandeira

Galeria Antônio Bandeira tem 40 anos de história. Foi aberta ao público ainda na década de 1960 e consta que Lerisse Porto foi a primeira diretora desta instituição. Nesse período pertencia a Secretaria Municipal de Educação e sua sede era na Cidade da Criança.

A criação deste espaço expositivo para as artes visuais, na cidade de Fortaleza, está vinculado a tranferência da produção do Salão de Abril que até o período era de responsabilidade da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) para a Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Na década de 1970 foi transferida da Praça da Criança para uma sala no subsolo da Praça do Ferreira. Nos anos de 1980 foi incorporada à FUNCET, e João Jorge foi convidado a assumir tanto a programação da Galeria como o Salão de Abril.

Da Praça foi ao Passeio Público funcionando no quiosque até 2003 quando foi construído um espaço próprio para exposições no Centro de Referência do Professor.

Atualmente a Galeria Antônio Bandeira conta com uma sala expositiva para exposições de curta duração e com uma sala que abriga a exposição de longa duração que expõe o acervo do Memorial Sinhá da Amora.

Galeria Antônio Bandeira

Galeria Antônio Bandeira

Entrevista com Antônio Bandeira
Milton Dias

Milton Dias – Que acha de entrevista?

Antônio Bandeira - Sou um pouco anti. E, no caso do pintor, pintura já é entrevista. Estarei pendurado (os quadros), no Museu de Arte da Universidade do Ceará, a partir do próximo dia 3. E por favor não ponha “mago” ou “artista do pincel”, “arte de Miguelangelo”, “glória do Ceará”. Tudo isto é muito gentil mas um tanto “demodé”.

Milton Dias – Por que sua cara aparece tanto em jornais e revistas?

Antônio Bandeira - Tenho a cara larga, e além disso muitos amigos. Hoje se preocupam muito com a vida do artista-pintor e o público que é curioso quer ver a gente despido. Os outros fatores são os milhões de jornais e revistas espalhados no Brasil: brasileiro lê muito.

Antônio Bandeira - O sol e a cidade - 81 x 100 cm

Antônio Bandeira – O sol e a cidade – 81 x 100 cm

Milton Dias – Por que pinta?

Antônio Bandeira - Pintar é físico e mental. Tenho cabeça e mãos e gosto de fazer alguma coisa “avec”.

Milton Dias – Pintura dá pra viver?

Antônio Bandeira - A minha dá e muito. Mas no começo é duro, tem-se de insistir demais. O importante é treinar no ofício e livrar-se de empreguinhos. Com o tempo o pintor ganhará seu pão com o suor do seu rosto. Precisa-se de muita inspiração e transpiração também.

Milton Dias – Por que vive ou pretende viver entre o Brasil e a Europa?

Antônio Bandeira - Sou brasileiro, mas a profissão e o acaso me levaram para Paris. Viajei jovem e amadureci por lá. Isto fica na gente. E até um sentido de gratidão me obriga a ser fiel a Paris. De volta ao Brasil, encontrei meu lugar e me reconheceram como pintor. Como vê, tenho de rebolar e ficar entre os dois continentes. Até o fim dos meus dias, creio que comprarei passagem de ida-e-volta. No fim tirarei “cara-ou-coroa” para saber de que lado corre o vento.

Milton Dias – Que acha do ambiente artístico brasileiro?

Antônio Bandeira - Bom. Nesses dez anos o Brasil fez um progresso tremendo. Para isso contribuiu remotamente a Semana de Arte Moderna de 1922, e posteriormente os Museus (que agora aumentam de número), as Bienais e atualmente as Galerias de Arte. E como o Brasil será a nova potência como país, tudo tem de progredir paralelamente. Hoje já se investem capitais em pinturas como em prédios. O que nos falta é mais divulgação (principalmente do plano artístico) dentro e fora do País, com publicações especializadas, bolsas de estudo, etc. Com a palavra o Itamarati e as Universidades.

Milton Dias – E do de Fortaleza?

Antônio Bandeira - Depende em parte do movimento brasileiro. Fortaleza é uma cidade nova, susceptível de aceitar todo movimento de renovação e economicamente capacitada a desenvolver centros de cultura e de arte. Que nos tragam mais gente do sul ou do exterior, para intensificar cursos, proferir conferências (o que é chato), que nos promovam mais exposições. Educando o público, teremos uma mentalidade para compreensão das artes. Não nos falta sensibilidade, pois, do mais pobre ao mais rico, o cearense vive apreciando crepúsculos e auroras. Imagine se o puserem diante de um bom quadro!

Milton Dias – Como levar a arte ao povo?

Antônio Bandeira - La grande ville - 97 x 162 cm

Antônio Bandeira – La grande ville – 97 x 162 cm

Antônio Bandeira - Alfabetizando-o e educando-o primeiro para isto. Depois a arte vai a ele ou ele vem a ela. Não é importante quem chega primeiro. O essencial é chegar.

Milton Dias – E à elite?

Antônio Bandeira - Elite já é eleita (sem trocadilho) por berço e independência financeira, mas assim mesmo depende enormemente do povo (ver resposta anterior).

Milton Dias – Que acha de folclore?

Antônio Bandeira - Necessário e decorativo para os povos primitivos, até servindo de brinquedo para crianças. O folclore se transforma em erudição, depois de filtrado pelo gosto de colecionadores. Também pode servir de inspiração para obra de arte, sendo ele próprio um artesanato consciente e um labor cotidiano de um determinado povo ou região.

Milton Dias – Acredita em arte primitiva?

Antônio Bandeira - Arte em geral é sinônimo de estudo, de aperfeiçoamento e de cultura. Acredito no primitivo do convento, num Giotto e num Fra Angelico, ou então no primitivismo na criatura ignorante mas sensível. Creio na arte primitiva feita pelos loucos e pelas crianças, mas com aceitação limitada, partida de um princípio emotivo.

Milton Dias – Tem método ou fórmula para pintar?

Antônio Bandeira - Já disse que pintar é ato mental, por isto vivo pintado sempre, mesmo quando não estou trabalhando. O método ou a fórmula são princípios matemáticos e o artista é um ser antimatemático por excelência.

Milton Dias – A que horas prefere trabalhar?

Antônio Bandeira - Qualquer hora é hora. O artista deve sempre estar em disponibilidade para o momento da criação. Para isto precisamos duma liberdade total, mas prefiro manhãs e noites, quando os momentos de solidão são mais propícios.

Milton Dias – Quais os motivos que inspiram sua arte?

Antônio Bandeira - Todos e tudo. Estou sempre disposto a receber emoções a fim de transmiti-las ao meu trabalho. Porém minha pintura é mais de metamoforse, de transfiguração. É uma transposição de seres, objetos, cousas, momentos, gostos, olfatos que vou vivendo no presente, passado, futuro.

Milton Dias – Que quadro gostaria de pintar?

Antônio Bandeira - Nunca pinto quadros. Tento fazer pintura. Meu quadro é sempre uma sequência do quadro que já foi elaborado para o que está sendo feito no momento, indo esse juntar-se ao quadro que vai nascer depois. Talvez gostasse de fazer quadros em circuitos, e que eles nunca terminassem, e acredito que nunca terminarão mesmo.

Antônio Bandeira

Antônio Bandeira

Milton Dias – Que conselhos daria a um jovem pintor?

Antônio Bandeira - Primeiro é que ele tenha realmente vocação e vocação não se aconselha. Depois, muito talento (também não se aconselha). O resto seria muito trabalho, muito correr-mundo, vivendo a vida sem medo e com total liberdade, sem preconceitos sociais nem morais.

Milton Dias – Você se candidataria a uma cátedra duma Academia de Belas Artes?

Antônio Bandeira - A pergunta cheira muito a “blague”. Mesmo assim sou um antiacadêmico por natureza, até para ensinar e aprender. Academia só mesmo a dos gregos, pois o nome é bonito e nós, contemporâneos, gostaríamos de apreciar aqueles sábios velhotes de túnica conversando e filosofando sobre a vida e as coisas.

Milton Dias – Você se basta a si mesmo?

Antônio Bandeira - Uma solidão dirigida até que é necessária. Agora o chato é a gente ficar sozinho quando não quer. O ideal seria ficar no quarto de portas trancadas, com a escola de samba passando ao largo.

Milton Dias – Por que você não casa?

Antônio Bandeira - Também não venha dizer que “esposei a arte”. Casar ou não casar para mim é a mesma cousa. Creio que já nasci com incompatibilidade de gênios e crueldade mental. Talvez me faça falta um filho, mas isto independe de casamento.

Milton Dias – Teria coragem de viver sozinho numa ilha?

Antônio Bandeira - E para quê ilha maior do que este mundão tão vasto, cercado de gente por todos os lados? Já vivo nela.

Milton Dias – Que pensa da era dos astronautas?

Antônio Bandeira - Necessária para a ciência. Pena que estão invadindo e estragando a nossa poesia, tirando todo mistério e sem mistério a gente não agüenta o mundo. Descobertas são anunciadas e esperadas e, antes de Gagárin subir tão alto, o artista já sabia que a terra era azul.

Milton Dias – Tem alguma ligação entre Saint-Germain-des-Près, Copacabana e a Rua Santa Isabel?

Antônio Bandeira - Paisagem Branca - 73 x 60 cm

Antônio Bandeira – Paisagem Branca – 73 x 60 cm

Antônio Bandeira - Da Rua Santa Isabel guardei o vigor dos meus pais, gosto e cheiro das frutas da infância, a ciranda no areal. De Copacabana onde vivo atualmente e que considero a capital do Brasil, sinto um mundo de praias, de cores e de liberdade. Saint-Germain é aquela aldeia que você conhece e que também é uma grande cidade. Sabe, o melhor do “Quartier” é que todo mundo se diz bom-dia. E acho que na vida devia ser assim – todo mundo se cumprimentando.

Milton Dias – Você, que tem fama de boêmio, como consegue organizar sua vida?

Antônio Bandeira - Boêmia desorganizada é de cigano. Já comi muita vaca magra, só agora estou comendo as gordas. Mesmo pobre numa água-furtada, fui sempre um homem organizado. Não o era antes, foi o viver sozinho que organizou minha rotina. Boêmia é vida e, como gosto de viver, tenho de me organizar.

Milton Dias – Já teve vontade de pular duma ponte para o rio?

Antônio Bandeira - Tentaria o contrário, pular do rio para alcançar a ponte,pois, não sabendo nadar, gosto muito da vida.

Milton Dias – Como encontrou o Grupo Clã?

Antônio Bandeira - Disperso e sem nenhum entusiasmo. Nem aquele passado tão movimentado deixou marca. Sobravam livros publicados, mas até isto já cheira a fruta do passado. Gostaria que Clã se agrupasse e produzisse algo importante.

Antônio Bandeira - Árvores - 100 x 81 cm

Antônio Bandeira – Árvores – 100 x 81 cm

Milton Dias – O que seus pais pensam de você e qual a sua afinidade com a Fundição?

Antônio Bandeira - Se meu pai pensa algo, nunca o disse. É aquele patriarcado do homem do nordeste e eu respeito isso. Aqui eu sou um Bandeira igual aos outros filhos gosto disto. Da Fundição aprendi misturas que meu pai nem supeita, mas vendo derreter ferro ou bronze, de corpo, de alma, de vento, de paisagem, de objeto e dessa mistura fabrico as peças para o meu trabalho.

Milton Dias – Você acha que o Museu de Arte do Ceará está no caminho certo?

Antônio Bandeira - O MAUC é um bom começo. Antes não tínhamos nada, ou melhor, tínhamos, mas nada agrupado. O MAUC promove e quer promover exposições de artistas daqui e de fora. Espero que todos os artistas daqui compreendam e se unam para a luta. Digo mais: O Museu não é somente da Reitoria e dos que lá trabalham: as portas estarão sempre abertas para todos os artistas de talento e de boa vontade.

Acervos

Acervo Banco Itaú S.A. – São Paulo SP

Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM/RJ – Rio de Janeiro RJ

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP – São Paulo SP

Museu de Arte da Universidade do Ceará – Mauc – Fortaleza CE

Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA – Salvador BA

Museu Nacional de Belas Artes – MNBA – Rio de Janeiro RJ

Exposições Individuais

1945

Rio de Janeiro RJ – Individual, no IAB/RJ – bolsa de estudo do governo francês

1950

Paris (França) – Individual, na Galerie du XX Siècle

1951

Rio de Janeiro RJ – Individual, na ABI

São Paulo SP – Individual, no MAM/SP

1953

São Paulo SP – Individual, no MAM/SP

1954

Rio de Janeiro RJ – Individual, na ABI

São Paulo SP – Individual, no MAM/SP

1955

Londres (Inglaterra) – Individual, na Galeria Obelisk

São Paulo SP – Antonio Bandeira: guaches, no MAM/SP

1956

Paris (França) – Individual, na Galerie Edouard Loeb

1957

Nova York (Estados Unidos) – Individual, na Gallery Seventy-Five

1960

Salvador BA – Individual, no MAM/BA

1961

Fortaleza CE – Individual, no Museu de Arte da UFC

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Gead

São Paulo SP – Antonio Bandeira: guaches, na Galeria São Luís

1962

Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Bonino

1963

Fortaleza CE – Individual, no Museu de Arte da UFCE

Salvador BA – Individual, na Galeria Querino

1964

São Paulo SP – Pintura de Antonio Bandeira: óleos e guaches, na Galeria Atrium

Exposições Coletivas

1942

Fortaleza CE – 1º Salão de Abril – medalha de ouro

1943

São Paulo SP – 9º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia – medalha de bronze

1945

Rio de Janeiro RJ – Grupo Cearense, na Galeria Askanasy

1947

Paris (França) – Salão de Outono, no Grand Palais

1948

Paris (França) – Salão de Arte Livre

1949

Paris (França) – Grupo Banbryols, na Galerie des Deux-Iles

1950

Salvador BA – 2º Salão Baiano de Belas Artes, na Galeria Belvedere da Sé

1951

São Paulo SP – 1ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão do Trianon

Rio de Janeiro RJ – 57º Salão Nacional de Belas Artes – Divisão Moderna, no MNBA – medalha de bronze

1952

Paris (França) – 38º Salão de Maio

Paris (França) – Salon Réalités Nouvelles

Rio de Janeiro RJ – 1º Salão Nacional de Arte Moderna, no MAM/RJ

Rio de Janeiro RJ – Exposição de Artistas Brasileiros, no MAM/RJ

Veneza (Itália) – 26ª Bienal de Veneza

1953

Paris (França) – Salon Réalités Nouvelles

Petrópolis RJ – 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha

Rio de Janeiro RJ – 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal

São Paulo SP – 2ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão dos Estados – Prêmio Fiat

1954

Rio de Janeiro RJ – Salão Preto e Branco, no Palácio da Cultura

São Paulo SP – 3º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia

Veneza (Itália) – 27ª Bienal de Veneza

1955

Paris (França) – A Arte na França e no Mundo, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris

São Paulo SP – 3ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão das Nações

1956

Paris (França) – Salon Réalités Nouvelles

1957

Paris (França) – 50 Ans de Peinture Abstraite, na Galerie Greuze

1959

Leverkusen (Alemanha) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

Munique (Alemanha) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, na Kunsthaus

São Paulo SP – 5ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

Viena (Áustria) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

1960

Hamburgo (Alemanha) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

Lisboa (Portugal) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

Madri (Espanha) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

Paris (França) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

São Paulo SP – Coleção Leirner, na Galeria de Arte das Folha

Utrecht (Holanda) – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa

Veneza (Itália) – 30ª Bienal de Veneza

1961

Aschaffenburg (Alemanha) – Exposição Internacional de Aschaffenburg

Rio de Janeiro RJ – 1º O Rosto e a Obra, na Galeria Ibeu Copacabana

São Paulo SP – 6ª Bienal Internacional de São Paulo, no Pavilhão Ciccilo Matarazzo Sobrinho

1962

São Paulo SP – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, no MAM/SP

1963

Campinas SP – Pintura e Escultura Contemporâneas, no Museu Carlos Gomes

Crato CE – Civilização Nordeste, no Museu da Universidade do Ceará

Rio de Janeiro RJ – 1º Resumo de Arte JB, no Jornal do Brasil

1964

Rio de Janeiro RJ – O Nu na Arte Contemporânea, na Galeria Ibeu Copacabana

Veneza (Itália) – 32ª Bienal de Veneza

1965

Bonn (Alemanha) – Arte Brasileira Atual

Bruxelas (Bélgica) – Artistes Latino-Américains, no Palais de Beaux-Arts

Londres (Inglaterra) – Brazilian Art Today, na Royal Academy of Arts

Madri (Espanha) – L’Oeil de Boeuf

New Orleans (Estados Unidos) – Artistas do Brasil

Paris (França) – Exposition d’Art Latino Americain à Paris, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris

Viena (Áustria) – Arte Brasileira Atual

1966

Bruxelas (Bélgica) – Arte Brasileira Contemporânea, no Palais de Beaux-Arts

Paris (França) – Artistes Brésiliens de Paris, na Galerie Debret

Rio de Janeiro RJ – Auto-Retratos, na Galeria Ibeu Copacabana

Cronologia

ca.1932/ca.1938

Ainda muito jovem, começa a desenhar no colégio cearense dos Irmãos Maristas e, mais tarde, recebe aulas de desenho

1941

Colabora para a fundação do Centro Cultural de Belas Artes – CCBA que mais tarde se transforma na Sociedade Cearense de Artes Plásticas – SCAP

1945

Muda-se para o Rio de Janeiro

1946/1950

Recebe uma bolsa de estudo e viaja para Paris. Freqüenta a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], a Académie de La Grande Chaumière, estuda desenho com Narbone e gravura com Calanis. Integra-se ao grupo de artistas da Escola de Paris

1949

Funda com dois amigos o grupo Banbryols (ban de Bandeira; bry de Bryen; e ols de Wols)

1951

Ilustra com uma gravura o livro de poemas Étrangère de Ribeiro Couto (1898 – 1963)

1952

Compõe um mural para a sede da Seção Paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB/SP

1954

Ilustra os poemas de A Cidade – Suite de Amor e Secreta Esperança de Homero Homem

1954/1959

Com o Prêmio Fiat da 2ª Bienal Internacional de São Paulo, fixa residência em Paris, viajando pela Itália, Londres e Bruxelas

1955

Faz a capa para o livro Borboleta Amarela de Rubem Braga (1913 – 1990)

1958

Realiza painel encomendado pelo Instituto Brasileiro do Café para o Palácio das Belas Artes na Exposição Universal e Internacional de Bruxelas

1959/1964

De volta ao Rio de Janeiro, faz viagens à Bahia e ao Ceará

1961

Lança um álbum com cinco litografias, texto e poema de sua autoria, editado pela galeria Bonino

João Siqueira filma o curta-metragem sobre a trajetória do artista

1962/1964

Luiz Augusto Mendes filma o curta-metragem sobre o artista e sua obra

1964

Ilustra o poema Canção para o mais triste maio de Manuel Bandeira (1886 – 1968)

1996

É publicado o livro Antonio Bandeira, um raro, de autoria de Vera Novis

Livros

Antonio Bandeira

ANTONIO BANDEIRA 1922-1967
Formato: Livro
Autor: BARDI, PIETRO MARIA
Autor: PERLINGEIRO, MAX
Autor: BENTO, ANTONIO
Autor: BANDEIRA, ANTONIO
Autor: TARCISIO, JOSE
Editora: PINAKOTHEKE
Assunto: ARTES

 

Um raro Antonio Bandeira

UM RARO ANTONIO BANDEIRA
Formato: Livro
Autor: NOVIS, VERA
Editora: VERA NOVIS
Assunto: ARTES

 

Videos

Tv Assembléia –  Antônio Bandeira – Pintor e Poeta

Parte 1
Parte 2
Parte 3
 

Parte 4

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Sobre o autor

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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