Adriana Varejão

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“A pintura é minha raiz, da mesma forma que o Brasil”

Adriana Varejão é atualmente uma das figuras mais importantes da arte contemporânea. Participou de mais de 70 exposições em diversos países e ganhou em 2008 um pavilhão dedicado à sua obra no Centro Inhotim de Arte Contemporânea.
Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, entre elas, na Bienal de São Paulo, Tate Modern em Londres e MoMa em Nova Iorque. Trabalha bastante com azulejos e está entre as mais bem-sucedidas do circuito mundial.

Adriana Varejão - Figura de Convite I - Óleo sobre tela - 1997

Adriana Varejão – Figura de Convite I – Óleo sobre tela – 1997

Sua obra tem como base o período colonial brasileiro e se inspira nos botequin cariocas, mercados de carne e nos banheiros públicos europeus. Através da releitura de elementos visuais incorporados à cultura brasileira pela colonização, como a pintura de azulejos portugueses, ou a referência à crueza e agressividade da matéria nos trabalhos com “carne”, a artista discute relações paradoxais entre sensualidade e dor, violência e exuberância. Seus trabalhos mais recentes trazem referências voltadas para arquitetura, inspirada em espaços como açougues, botequins, saunas, piscinas etc, e abordam questões tradicionais da pintura, como cor, textura e perspectiva.

Adriana Varejão

Adriana Varejão (Rio de Janeiro RJ 1964). Pintora. Freqüenta cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV/Parque Lage, no Rio de Janeiro, entre 1981 e 1985. Faz sua primeira exposição individual em 1988, na Galeria Thomas Cohn, no Rio de Janeiro. Em sua produção, evoca repertório de imagens associadas à história do período colonial brasileiro, como azulejos e mapas. Em obras que se situam entre a pintura e o relevo, emprega freqüentemente cortes e suturas em telas e outros suportes que permitem entrever materiais internos que imitam o aspecto de carne. A artista evoca também o barroco, associando pintura, escultura e arquitetura em seus trabalhos.

Trecho de uma entrevista com Adriana Varejão falando sobre o começo de sua carreira.

Adriana Varejão e Catarina

Adriana Varejão e Catarina

Filha de um piloto da aeronáutica e de uma nutricionista fez cursinho pré-vestibular no colégio Impacto. Foi cursar engenharia na Puc. No meio tempo, fez cursos de arte. E pronto. “Acho que um dia eu acordei e virei artista”, brinca. Alugou um ateliê e começou a produzir. Não pensava se conseguiria ou não viver da própria arte. ” Eu estava vivendo, fazendo as coisas, descobrindo a minha linguagem. Não estava preocupada se ia ou não expor, quanto ia ganhar, qual ia ser meu galerista. Falo para os estudantes isso quando vou dar palestras. Vejos as pessoas muito preocupadas com o resultado. Não é por aí. É preciso apenas encontrar suas voz. “E achar a tal linguagem, de acordo com ela, nunca é fácil. ” É muito sofrimento. Cada vez que você olha uma tela em branco acredita piamente que não vai ter mais idéias, que vai ficar bloqueada. O processo de criação é dolorido.”

Revista Trip, Outubro de 2005

Curiosidades

Adriana Varejão - Livro - Entre Carnes e Mares

Livro: Entre Carnes e Mares

“Entre carnes e mares” é o livro mais completo sobre a obra da artista plástica carioca, contendo mais de 170 reproduções de suas pinturas, além de fotografias e instalações. Esta publicação bilíngue reúne seus trabalhos mais importantes e conta ainda com cinco ensaios críticos de autores consagrados como Silviano Santiago, Lilia Moritz Schwarcz, Karl Erik Schøllhammer, Luiz Camillo Osorio e Zalinda Cartaxo.

Este volume oferece ao leitor um rico panorama da trajetória da artista, partindo dos seus mais novos Pratos e passando pelas influências barrocas, pelo azul dos azulejos e dos mares e pelos quadros em carne viva. O visual incrível do livro traduz a força da intensa pesquisa por trás da obra. São mais de 170 reproduções de suas pinturas, além de fotografias e instalações, grande parte do acervo de Varejão.

O livro fala de uma trajetória de 26 anos com obras que remetem ao Barroco, à azulejaria mineira e à experiência de ser mãe. Produções nunca expostas, da década de 80, e também recentes, como a dos pratos, iniciada em 2009. “Essa série de pratos enormes, com um metro e sessenta de altura é inspirada na cerâmicas do português Rafael Bordalo Pinheiro e passeiam pelo universo feminino. É o trabalho ao qual Adriana se dedica no momento, e que foi acompanhado pela editora Isabel Diegues, organizadora do livro. “ Tudo começou a partir de uma palestra de Adriana Varejão, proferida no Guggenheim Museum de Nova York, a partir de aspectos da obra, autores de áreas distintas fizeram seu recorte aproximação com o trabalho da artista”, explica Isabel.

Adriana Varejão - O Chinês - óleo sobre tela -280 X 391cm

Adriana Varejão – O Chinês – óleo sobre tela -280 X 391cm

Trecho do Livro

Adriana Varejão - Azulejos e Saudade -  Chambre d’échos

Azulejos e Saudade

Silviano Santiago
“O espaço de representação pictórica proposto por Adriana Varejão visa a angariar o olhar plurívoco do espectador, que o teatro e o cinema costumeiramente exigem dele, a fim de que presencie imagens em movimento que correm à cata, num palco ou tela, duma performance discursiva. No entanto, no caso de Adriana, o processo de encenação torna de tal modo excessivo o peso simultâneo da imagem compósita, que leva esta a deslegitimar a exigência propriamente discursiva das encenações conduzidas pela sucessão temporal de imagens. Há narrativa nas telas de Adriana, embora nelas não haja discurso, no sentido linguístico da palavra.

Sua narrativa é a de “um rio sem discurso”; para retomar a imagem de João Cabral de Melo Neto. (…) A forma do azulejo – íntegro ou lascado, pouco importa − está sempre a “quebrar em pedaços” (JCMN) as intenções caudalosas de qualquer esforço discursivo. Por isso, em cada minuto e por todo o tempo da contemplação, nenhum ponto de vista assumido pelo espectador é o final, a exigir soberania sobre os demais. Numa peça de teatro ou filme, as imagens em movimento conduzem os assistentes de fio a pavio até − como acontece nos filmes de Hollywood − o happy ending. Não é o caso da mise-en-scène multiprogramada por efeitos de sobreposição e de simultaneidade, proposta pelas peças de Adriana. (…)

Karl Erik Schøllhammer
Os trabalhos de Adriana Varejão exploram as histórias implícitas e não contadas, criando um tipo de historiografia crítica (…) em que o pastiche dos retratos acadêmicos iluminam o que ficou oculto da experiência violenta do universo feminino no Brasil colonial. A violência obliterada retorna na relação encenada entre os quadros — as imagens exteriores e oficiais — e os olhos de vidro cujos interiores vêm estampados de outras imagens — interiores e privadas — menos idílicas por trás da censura do visível.
(…)

Adriana Varejão - Azulejos e Saudade -  Chambre d’échos

Carne e azulejo

As carnes que saem das paredes de Adriana Varejão não são as “carnes” tranquilas (viande) de Merleau-Ponty que fundavam o encontro entre o corpo do sujeito e o corpo do mundo e que se tocavam na pincelada de Cézanne sobre a tela; aqui se trata de carnes do desejo (chair) em movimento cruel (cru, sangrento e implacável) que se projetam no espaço com força sensual e invasiva, como em Azulejaria verde em carne viva (2000), sem revelar nada além da ferida em textura informe.

Lilia Moritz Schwartz

É possível dizer que os azulejos pavimentam, ladrilham e preenchem a obra de Adriana Varejão. Pavimento no percurso; pavimento que dá liga a esses tecidos de histórias que vão se desnovelando a cada nova fase, a cada desafio. Adriana, tal qual um bricoleur, coleta fragmentos de histórias e os traduz em outros. Como os antigos relojoeiros, a artista parte do que encontra e por aí desenvolve seu projeto. (…) Adriana parte do que tem: espalha, remonta e cria, tendo por base narrativas que, pacientemente, coleta, relê, refaz. Sabemos que todo tradutor é um traidor, e Adriana age à moda das caixinhas chinesas. Abre uma caixa dentro de outra, e faz de sua obra um mar de histórias.
Zalinda Cartaxo

A série Saunas e Banhos de Adriana Varejão remete, de imediato, à própria gênese do espaço da pintura na tradição ocidental, isto é, à construção de um espaço pictórico através da representação da perspectiva de estruturas arquitetônicas.
Em Saunas e Banhos a luz é a metáfora do tempo durante o qual o homem é no mundo. Ela é acontecimento, fenômeno, duração. Como fenômeno, a luz preexiste e subsiste ao homem. Ela representa a Natureza como o Absolutamente Grande, atemporal e infinita, e, como metáfora, é indiferente a sua constituição e procedência. A presença da luz contraposta à ausência humana nas pinturas de Adriana faz aludir àquela Natureza sublime manifesta na sua permanência e que abriga o homem no seu estado de impermanência.
(…)

Planta  Floor -1 (Clique para dar zoom)

Planta Floor -1 (Clique para dar zoom)

Os espaços-abrigos das pinturas de Adriana estão fundados em ausências essencialmente reveladoras do embate entre o fora (o mundo, a Natureza, o Absolutamente Grande) e o dentro (o sujeito, o abrigo, o Absolutamente Pequeno).
Nos vazios dessas telas recentes de Varejão, nas cores que se insinuam pelas frestas de luz dos ladrilhos, o espectador é convidado a suspender suas expectativas, a deixar-se capturar pelas nuances do que não tem nome e, acima de tudo, a perder tempo olhando.

Luiz Camillo Osório

Trazendo o Barroco para a cena contemporânea, Varejão repõe na ordem do dia uma pintura que não teme o artifício, a ilusão, o jogo delirante e sensual com a aparência.
Isabel Diegues
Os grandes Pratos retomam a convulsão marítima do barroco de Adriana, agora não mais como malha, nem como movimento, mas como o espaço fértil de criação-recri(e)ação-nascimento. O mar convulso – das figuras derretidas ou deformadas dos Barrocos, em sombras e transparências que se afogavam em ondas de cores, manchas e mofos aquosos – está também em Celacanto, nos Azulejões, mas de modo violento, abstrato, decomposto. Um grande mar em que o canto (das sereias?) provoca maremoto. O maremoto dos azulejos de Adriana esconde sereias que nos Pratos surgem em explícitas figuras; loucas, bêbadas, lindas, retorcidas.
(…)
Adriana explora a materialidade da tinta e da superfície de telas e outros suportes, construindo narrativas que se cruzam ao longo de sua trajetória, principalmente, através de dois elementos: as carnes e os mares. Misturando um e outro, uma qualidade barroca, na profusão de cores (ou tons de azul, no caso dos Azulejões) e a carnalidade-viceralidade do gesto. Os mares de Adriana são carnais, e suas carnes estouram em ondas de arrebentação.

Exposições Individuais

2012 – Adriana Varejão, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil
2011 – Victoria Miro Gallery, London, UK
2009 – Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
Lehmann Maupin Gallery, New York, USA
2008 – Centro de Arte Contemporânea Inhotim, Minas Gerais, Brasil
Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil
2007 – Hara Museum, Tokyo, Japan
2006 – Fotografia como Pintura, Sesc Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil
2005 – Chambre d’échos/Câmara de Ecos, Fondation Cartier Pour L´Art Contemporain, Paris, France;
Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal;
DA2 – Domus Artium 2002 Salamanca, Spain
Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
2004 – Saunas, Victoria Miro Gallery, London, UK
2003 – Lehmann Maupin Gallery, New York, USA
2002 – Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
Galeria Soledad Lorenzo, Madrid, Spain
Victoria Miro Gallery, London, UK
2001 – Azulejões, Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, Brasil
Azulejões, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil
Galeria Pedro Oliveira, Porto, Portugal
2000 – Azulejões e Charques, Galeria Camargo Vilaça, São Paulo, Brasil
Bildmuseet, Umea, Sweden
Borås Konstmuseum, Borås, Sweden
Lehmann Maupin Gallery, New York, USA
1999 – Alegria, Galeria Camargo Vilaça, São Paulo, Brasil
1998 – Trading Images, Pavilhão Branco, Instituto de Arte Contemporânea, Lisboa, Portugal
Galeria Soledad Lorenzo, Madrid, Spain
1997 – Galeria Ghislaine Hussenot, Paris, France
1996 – Galeria Barbara Farber, Amsterdam, Netherlands
Galeria Camargo Vilaça, São Paulo, Brasil
1995 – Annina Nosei Gallery, New York, USA
1993 – Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil
1992 – Galeria Barbara Farber, Amsterdam, Netherlands
Galeria Luisa Strina, São Paulo, Brasil
1991 – Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil
1988 – Thomas Cohn Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil.

 

Livros

Adriana Varejão - Livro: entre carnes e mares

ADRIANA VAREJAO- ENTRE CARNES E MARES - BILINGUE – PORTUGUES / INGLES
Formato: Livro
Autor: SANTIAGO, SILVIANO
Editora: EDITORA COBOGO
Assunto: ARTES

 

Adriana Varejão - Livro: Fotografia como pintura

ADRIANA VAREJAO – FOTOGRAFIA COMO PINTURA
Formato: Livro
Autor: VAREJAO, ADRIANA
Editora: ARTVIVA EDITORA
Assunto: ARTES

 

ADRIANA VAREJAO - LIVRO: CHAMBRE D'ECHOS / ECHO CHAMBER

ADRIANA VAREJAO – CHAMBRE D’ECHOS / ECHO CHAMBER
Formato: Livro
Autor: VAREJAO, ADRIANA
Editora: ACTES SUD
Assunto: ARTES

 

Videos


A artista fala sobre o começo despretensioso, como o mundo inspira alguns trabalhos em série e a publicação da sua obra no livro “Entre carnes e mares”

Entrevista: Adriana Varejão fala sobre suas obras e explica como surgiu o “corte” nas obras de forma que o interior seja carne e a pintura como péle.
 

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Sobre o autor

O Mercado Arte disponibiliza para os artistas a oportunidade de ter uma página na Web para exibir seus trabalhos e para o público em geral a chance de acessibilidade a um universo artístico criativo que vai muito além do que se apresenta em galerias, museus e sites atualmente.

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